Idiomas estrangeiros usados na navegação online De
Semana nº 1023 de 20 a 26 de Maio
de 2011
Mais de metade dos internautas da UE utilizam línguas estrangeiras quando navegam na Internet
Embora 90% dos internautas na União Europeia (UE) prefiram aceder aos sites Web na sua própria língua, pelo menos 55% utilizam ocasionalmente uma língua diferente da sua quando estão online. Os dados são de uma sondagem Eurobarómetro realizada a nível pan-europeu, que dá ainda conta de que, apesar de tudo, cerca de 44% dos utilizadores europeus da Internet sentem estar a perder informações de interesse pelo facto de as páginas Web não se apresentarem numa língua que compreendam. No mesmo sentido, apenas 18% adquirem produtos em linha num site em língua estrangeira.
Face a estes valores, a UE acredita que existe uma efectiva necessidade de se investir em ferramentas de tradução online «de modo a permitir aos utilizadores da Internet na UE que não dispõem de conhecimentos linguísticos o acesso a informações ou a produtos», segundo se lê em comunicado de imprensa.
No entender de Neelie Kroes, vice-presidente da Comissão Europeia, responsável pela Agenda Digital, se o objectivo é garantir um efectivo acesso à esfera digital a todos os europeus, então «há que assegurar que estes possam entender os conteúdos Web de que necessitam».
A sondagem revela que, embora exista uma enorme quantidade de conteúdos em linha de elevada qualidade, nem todos os podem utilizar em igualdade de circunstâncias, dados os seus diferentes conhecimentos linguísticos. Apesar de, em média, um em cada dois utilizadores da Internet em 23 Estados-membros utilizar uma língua diferente da sua para ler em linha, a verdade é que este número esconde grandes variações. De acordo com o Eurobarómetro, 90% a 93% dos gregos, eslovenos, luxemburgueses, malteses e cipriotas dizem-se prontos a utilizar outras línguas quando navegam em linha, mas só 9% dos cidadãos do Reino Unido, 11% dos irlandeses, 23% dos checos e 25% dos italianos fizeram igual afirmação.
A sondagem confirma igualmente que o Inglês é a língua mais utilizada para a leitura e visualização de conteúdos na Internet numa língua diferente da língua-mãe. Neste caso, quase metade dos utilizadores da Internet na UE (48%) utilizam o Inglês pelo menos ocasionalmente, ao passo que o Espanhol, Alemão e Francês são utilizados por 4% a 6% dos internautas. Também aqui a prática varia muito entre os Estados membros. O mesmo inquérito revela que 90% dos internautas no Chipre, 97% em Malta e 85% na Grécia e na Suécia utilizam um sítio Web em língua inglesa se a informação não se encontrar imediatamente disponível na sua língua. No sentido inverso, apenas 35% dos italianos, 45% dos letões, 47% dos romenos e 50% dos franceses o fazem.
O Eurobarómetro conclui que a maioria das pessoas se vê perante a situação de ter de utilizar uma outra língua quando procura informação (81%), mas 62% fazem-no também nos seus contactos sociais, como ao comunicar em linha com amigos, ou por razões profissionais (52%).
Já 44% dos inquiridos sentem estar a perder informações interessantes pelo facto de as páginas Web não estarem disponíveis numa língua que dominam: é o caso de 60% dos gregos, de 58% dos espanhóis e de 56% dos portugueses.
No que toca à necessidade de se apoiar uma maior diversidade e abertura relativamente aos idiomas, cerca de oito em cada 10 inquiridos (81%) pensam que os sítios Web nacionais deveriam ter também versões disponíveis noutras línguas.
A Comissão Europeia gere actualmente 30 projectos diferentes de investigação na interface entre língua e conteúdo digital, que beneficiam de um financiamento de 67 milhões de euros da UE, e os novos projectos apresentados este ano beneficiarão de um financiamento adicional de 50 milhões de euros. Recorde-se que um dos objectivos da Agenda Digital para a Europa é garantir a todos uma maior acessibilidade ao conteúdo da Web.
Entre os projectos já em curso, destaque para o iTRANSLATE4, através do qual se está a desenvolver o primeiro portal Internet que dá acesso a tradução gratuita em linha entre mais de 50 línguas europeias e mundiais e permite aos utilizadores compararem em simultâneo os diferentes resultados de tradução fornecidos pelas ferramentas de utilização mais corrente (p. ex., Google, Bing, Systran, Trident, Linguatec). A contribuição da UE para este projecto é de 2 milhões de euros.
Por seu turno, o projecto META-NET, que beneficia de um apoio financeiro da UE na casa dos seis milhões de euros, está a formar uma aliança tecnológica (já com mais de 200 membros) para uma Europa multilingue.