IPv6 chega à investigação e ao ensino De
Semana nº 1026 de 10 a 16 de Junho
de 2011
As diferentes redes europeias anunciaram a adesão à Internet de nova geração, assumindo-se como pioneiras na adesão ao novo protocolo
As redes de investigação e ensino europeias, nas quais se inclui a Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), anunciaram a implementação do protocolo IPv6, a denominada Internet de nova geração. Em colaboração com o Centro Réseaux IP Européens (RIPE), as redes de investigação e ensino europeias assumem-se como «pioneiras na adesão ao IPv6», segundo se lê em comunicado de imprensa.
O fenómeno de crescimento global da Internet conduziu a um esgotamento dos endereços com protocolo IPv4, o que acaba por impedir a ligação de novos equipamentos num futuro próximo. Para ultrapassar este problema, o IPv6 vai permitir a criação de novos endereços (qualquer coisa como 340 triliões) «para assegurar a continuidade da expansão da Internet e a progressão da indústria». Contudo, o novo protocolo não é directamente compatível com IPv4, «o que significa que os equipamentos e as redes deverão estar actualizados com ligações IPv6», salienta o mesmo comunicado.
Pedro Veiga, presidente da FCCN, refere que a Associação «tem estado na liderança da inovação não apenas proporcionando serviços de vanguarda para os utilizadores, mas também actuando como um fornecedor de nova tecnologia, de que é exemplo o IPv6». Este responsável considera ainda que «o esgotamento dos endereços IPv4 é um problema real e urgente para Portugal». No entanto, «graças aos esforços conduzidos pelas redes de investigação e ensino europeias, os projectos de colaboração internacional irão continuar a expandir também através do IPv6».
As redes europeias de investigação e de ensino mais recentes, tais como a rede pan-europeia GÉANT, estão a operar com IPv6 desde o início e funcionaram como teste para esta tecnologia. Na verdade, a experiência adquirida com os testes e com a implementação do IPv6 na GÉANT «foi fundamental para outros projectos de investigação relacionados com o desenvolvimento» deste novo protocolo.
Já as redes nacionais de investigação e educação (NREN) na Finlândia (Funet), França (RENATER), Irlanda (HEAnet), Itália (GARR), Luxemburgo (RESTENA), Noruega (UNINETT), Portugal (FCCN) e Eslovénia (ARNES) estão actualmente todas preparadas para testar o protocolo IPv6.
Em Portugal, a FCCN diz ter sido «uma das primeiras NREN a aceder ao GÉANT com IPv6, isto em 2003». Desde então, a FCCN tem procurado fornecer os seus serviços de Internet em IPv4 e IPv6, incluindo conteúdos, DNS e serviço de e-mail. A FCCN desenvolveu já dois projectos nacionais direccionados para o IPv6 e promoveu várias conferências neste âmbito.