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Semana Informática > Actualidade > C&T recebe 359 milhões de euros do PIDDAC
 
C&T recebe 359 milhões de euros do PIDDAC
De Cláudia Sargento
Semana nº 667 de 31 de Outubro a 6 de Novembro de 2003


O financiamento divide-se entre as áreas do governo electrónico e da Sociedade da Informação

O Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) prevê para 2004 um investimento de 191 milhões de euros, dos quais cerca de 136 milhões de financiamento nacional, em projectos na área do governo electrónico, e de quase 168 milhões de euros, dos quais 72 milhões de financiamento nacional, em projectos para as restantes áreas da Sociedade da Informação. A garantia foi deixada por José Luís Arnaut, ministro-adjunto do Primeiro-Ministro, durante a sua intervenção no âmbito da conferência «Uma visão do Governo Electrónico para Portugal», promovida pela Unidade de Missão, Inovação e Conhecimento (UMIC), decorrida na Inforpor.

 
 
José Luís Arnaut, ministro-adjunto do Primeiro-Ministro
Arnaut fez ainda referência a várias outras intervenções sectoriais orçamentadas em diferentes programas e que acabam por «contribuir directa ou indirectamente para os objectivos previstos pelo Governo para esta área». O ministro considerou que se trata de um investimento significativo, mas apoiado «num exercício orçamental realista decorrente da identificação das prioridades de investimentos para o País».

Neste contexto, 2004 representa, segundo o governante, o primeiro ano de implementação de uma orçamentação da despesa pública por programas, medidas e projectos, «lançando-se assim as bases para uma mais eficaz e efectiva gestão dos recursos públicos por objectivos enquadrados no horizonte de realização plurianual».

A Sociedade da Informação e o governo electrónico representam apenas dois dos 52 programas orçamentados para 2004 e anos seguintes, referiu José Luís Arnaut, para quem estas são «iniciativas de interesse nacional que devem mobilizar a Administração Pública, o Governo e a própria sociedade civil». O ministro-adjunto considerou indispensável a realização de «um esforço colectivo que permita antecipar os objectivos do eEurope 2005, bem como ajudar a concluir as metas traçadas aquando da Cimeira de Lisboa».

Desfile de trabalhos
Alguns dos projectos mais significativos previstos para 2004 estão já em curso e foram apresentados durante esta mesma conferência. Entre eles, destaque para as compras públicas electrónicas, cujo objectivo é «garantir uma maior transparência nas transacções, ao mesmo tempo que se racionalizam os custos da Administração Pública», referiu Carlos Oliveira, da UMIC. O Plano Nacional para as Compras Electrónicas inclui sete projectos piloto já em andamento, prevendo-se ainda a integração próxima de um novo projecto no âmbito do Ministério das Finanças. Carlos Oliveira referiu que um dos objectivos do Governo é chegar ao final dos pilotos «não só com medidas para o futuro, mas também já com alguns ganhos em termos de despesas».

Uma das dúvidas que se têm colocado ao longo de todo o processo tem a ver com a duplicação de tecnologias nos diferentes ministérios e com as várias plataformas existentes. Oliveira explicou que existe uma arquitectura tecnológica definida à partida, «pelo que não deverão ocorrer investimentos a esse nível». Os projectos-piloto não deverão estar concluídos antes de seis meses, embora Carlos Oliveira tenha admitido que estes poderão estender-se até aos oito ou nove meses. No final dos pilotos, a UMIC pretende transferir todas as competências dos projectos para a Unidade Nacional de Compras.

O Portal da Administração foi outro dos projectos em destaque pela mão de Ermelinda Carrachás. A director-geral da Direcção-Geral da Administração Pública (DGAP) explicou que o portal «tem como principal objectivo dar início a uma relação colaborativa entre os funcionários públicos», sendo por isso um ponto privilegiado de acesso aos serviços internos da Administração Pública (AP). Entre os sistemas que deverão integrar este portal, salienta-se uma base de dados dos recursos humanos da AP, «que estará em pleno funcionamento no decorrer de 2004», e para a Bolsa de Emprego da Administração Pública on-line. Criado por decreto-lei, este espaço obriga todos os organismos públicos a publicitarem ali os seus concursos públicos, «assim como toda e qualquer forma de contratação que planeiem».

Bolsa de emprego on-line
Embora esteja já disponível na Internet, a bolsa «não se encontra totalmente operacional, uma vez que aguarda o carregamento de todos os dados pelos vários ministérios e organismos públicos». A DGAP tem ainda a seu cargo a construção de uma base de dados dos organismos e institutos públicos (a desenvolver ao longo de 2004) e da rede digital para partilha de boas práticas. Ermelinda Carrachás apontou também o desenvolvimento para o próximo ano do Sistema de Apoio à Avaliação do Desempenho e do Sistema Integrado para a Gestão do Conhecimento.

Júlia Ladeira deu a conhecer todo o processo de modernização da Justiça. A presidente do Instituto das Tecnologias de Informação na Justiça (ITIJ) começou por chamar a atenção para a construção da rede que liga as conservatórias, os tribunais, as prisões e os lugares de paz, «um trabalho que começou em 1999 e que está já praticamente terminado». Igualmente em discussão esteve o processo de custas judiciais montado em parceria com a SIBS e com a Caixa Geral de Depósitos e que «permite ao advogado pagar todas as despesas através de home banking». Prestes a arrancar está o Sistema de Informação Prisional, que disponibiliza dados referentes aos reclusos e que deverá integrar diferentes módulos. Os dois primeiros «tratam as áreas da conta corrente e da situação jurídico-penal da cada recluso», referiu a presidente do ITIJ.

Maria Júlia Ladeira aproveitou para dizer que «há ainda muito por fazer, nomeadamente no que diz respeito à criação de um melhor interface com o cidadão e com as empresas e também ao nível das infra-estruturas».

Alguns dos projectos apresentados receberam o financiamento do POSI, no âmbito do Quadro Comunitário de Apoio. O seu gestor, Jaime Quesado, chamou a atenção para o facto de este programa «financiar também iniciativas da sociedade civil e empresariais». Quesado considerou necessário promover «um cada vez maior envolvimento das empresas e do sector privado em termos de co-financiamento». Nesta matéria, o projecto dos Campus Virtuais «é um bom exemplo a seguir». A conferência contou também com a apresentação do trabalho desenvolvido na Administração Fiscal e no âmbito da reforma financeira, para além de uma série de casos de sucesso da responsabilidade de algumas empresas nacionais.


Portal do Cidadão avança a bom ritmo

O Portal do Cidadão é um dos principais projectos do actual Executivo no âmbito do governo electrónico. Segundo Anabela Pedroso, da UMIC, «o projecto deverá demonstrar a elegância da solução aliada à paixão de todos quantos têm contribuído para o seu desenvolvimento». No início, este espaço deverá centrar-se apenas nos cidadãos, nas empresas e nas entidades sem fins lucrativos. «Só em 2004 será criado um espaço para os funcionários públicos», adiantou.
Até Dezembro próximo, o Portal do Cidadão deverá contar com cerca de 50 serviços públicos interligados e integrar ainda toda a informação proveniente do Infocid. Segundo a responsável da UMIC, este projecto «não é mais do que uma continuação da Loja do Cidadão, mas que tem vindo a despertar ainda mais interesse».

 
 
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