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Semana Informática > Emprego > Enterasys quer liderar mercado da educação
 
Enterasys quer liderar mercado da educação?
De Luísa Dâmaso
Semana nº 671 de 28 de Novembro a 4 de Dezembro de 2003


O responsável pela Training Division da empresa aponta o prazo de dois anos para concretizar esse objectivo

 
 
Artur Henriques, responsável pela Training Division da Enterasys Networks Portugal
A formação é uma aposta clara da Enterasys Networks. O responsável pela Training Division da empresa, Artur Henriques, fala ao Semana sobre os objectivos da nova área de negócio, faz o balanço do programa Enterasys Learning Network (ENL), lançado em Julho passado, e dá a conhecer os projectos e as metas a alcançar durante o próximo ano.

Semana Informática - Que factores impulsionaram a criação da vossa nova área de negócio de formação?
Artur Henriques - Com o crescimento do número de parceiros em Portugal, a Enterasys achou que, em vez de recorrer à empresa espanhola Proinfor, que até aqui assegurava as acções de formação para parceiros, seria melhor criar uma estrutura própria que lhe permitisse formar e certificar mais e melhores parceiros. Há cerca de três meses nasceu a Trainning Division.

S.I.-Quais são as competências desta divisão e que objectivos de negócio se esperam?

A.H.- Para além de assegurar a formação e a certificação dos parceiros e dos clientes finais, cabe ainda a esta divisão a organização de seminários técnicos, uma área que tem ganho muita expressão ultimamente, e a gestão do programa de parcerias com as universidades, o Enterasys Learning Network. Esta estratégia faz-nos acreditar que podemos vir a ser líderes no mercado da educação nos próximos dois anos.

S.I.-O projecto ENL insere-se no mesmo conceito que as academias de formação levadas a cabo por outros fabricantes?

A.H.- Eu diria que possui uma estratégia complementar, uma vez que estamos a transpor para o mundo académico tecnologias que os nossos concorrentes não incluem nessas academias.

S.I.-Que tecnologias são essas?P

A.H.- Estamos a falar da tecnologia wireless, tão em voga com a iniciativa Campus Virtuais, e, naturalmente da temática da segurança, também ela associada à ideia de mobilidade. Os outros fabricantes centram as suas academias nas áreas de routing e de switching. Também temos essa oferta, mas escolhemos começar por aqui e avançar com uma estratégia de envolvência.

S.I.-Quantos contratos já foram estabelecidos no ensino superior?

A.H.- Posso adiantar que já aderiram à ENL dois politécnicos e quatro universidades. Os Politécnicos de Viseu e da Guarda, a Universidade Lusíada de Lisboa, do Porto e de Famalicão e a Universidade da Beira Interior

S.I.-Que vantagens oferece a ENL em relação às academias actualmente existentes?

A.H.-Respeitamos o mundo académico e as instituições de ensino encaram isso como uma grande vantagem. O nosso programa não é estanque; é até bastante flexível. Há uma relação de colaboração, uma cadeia de conhecimento que não se extingue com o fim de um curso.


Segurança dos dados garantida
S.I.-Há algum cuidado na selecção das universidades, ou seja, escolhem estabelecimentos onde não esteja presente qualquer concorrente?

A.H.-Sabemos onde estão os concorrentes. Para nós é uma grande satisfação as universidades que já trabalham com outros players mostrarem receptividade ao nosso programa, embora alguns desses fabricantes exijam exclusividade. Nós não o fazemos, o que também facilita a aceitabilidade do nosso programa. Também não colocamos barreiras para impedir que outros entrem nos locais em que já estamos

S.I.-O que envolve os contratos estabelecidos com as universidades?

A.H.-Todo o trabalho de pesquisa e de desenvolvimento que fazemos ao nível dos produtos, das tecnologias, bem como da área de formação profissional é disponibilizado às instituições de ensino com um formato académico. Com o acesso aos planos de lições, às apresentações Power Point e ao planeamento de cadeiras, os docentes adequam as informações aos seus currículos.

S.I.-Que condições ou requisitos são exigidos às escolas para poderem ter acesso a toda essa informação?

A.H.-Para aderir a este programa a instituição de ensino tem de assinar um no disclosure agreement, através do qual ambas as partes se responsabilizam por manter a confidencialidade dos dados. Salvaguardada a segurança da informação, os docentes passam a ter acesso a um site, onde podem fazer o download dos conteúdos e dos planos de lição.

S.I.-Os professores necessitam de estar certificados pela Enterasys?

A.H.-Não. Os docentes têm de ter o grau académico que lhes permite leccionar, cabendo às universidades certificarem-se de que eles possuem as capacidades necessárias para ministrar as matérias. É óbvio que a Enterasys procura acompanhar de perto o decorrer do processo, certificando-se de que está tudo a correr como planeado. Há um trabalho de auditoria mínimo que é feito nessa circunstância.


Escolas secundárias debaixo de olho
S.I.-Como são constituídos os laboratórios?

A.H.-O equipamento que integra os laboratórios tem de ser Enterasys. Cabe à universidade, de acordo com os requisitos por nós definidos, adquirir o equipamento necessário. Estes produtos são vendidos às instituições de ensino a preços especiais, muito favoráveis, ao abrigo do acordo de ENL. Há reduções superiores a 50% no preço dos equipamentos.

S.I.-Quanto é que se gasta em média para montar um desses laboratórios?

A.H.-O laboratório ideal para dar todas as cadeiras possíveis nunca custará mais de 20 mil euros. Mas há laboratórios só para dar uma cadeira específica, por exemplo de wireless, que poderão rondar os 500/600 euros.

S.I.-Quais as vantagens que este investimento na educação trará para o mercado e para a Enterasys?

A.H.-Acreditamos que haverá mais e melhores alunos preparados para entrar no mercado de trabalho, com a vantagem de conhecerem as nossas tecnologias e os nossos produtos. Para além de concluírem o seu curso superior, os alunos podem também obter uma certificação Enterasys que lhes permite aumentar o seu nível de empregabilidade.

S.I.-Que vantagens trará a cooperação para as universidades?

A.H.-Passam a ter uma área de formação que garante bons níveis de empregabilidade, podem conhecer tecnologias e produtos state of the art e, em consequência, captar novos alunos e manter os que já têm.

S.I.-Pretendem estender a iniciativa a outro tipo de estabelecimentos de ensino?

A.H.-Há escolas secundárias e profissionais que têm formação de nível 4 interessadas em aderir, pelo que estamos a potenciar essas parcerias. Há também outra área que parece interessante ao nível das escolas com formação de nível 4, sob a alçada do Instituto de Emprego e Formação Profissional.

S.I.-E a nível de conteúdos, em que sentido vão evoluir?

A.H.-Para já, apostamos nas certificações de Enterasys System Engineer e de Security System Engineer. A evolução para outras áreas está unicamente dependente da formatação dos conteúdos para o meio académico. Temos planeado que, até ao final do ano, tudo o que é switch e switch routing vai estar disponível. Em 2004, a área da convergência será uma prioridade. Estamos a estabelecer acordos com outras empresas da indústria que são nossos parceiros de negócio, no sentido de também desenvolverem conteúdos para este programa.

S.I.-Os cursos de pós-graduação, de mestrado e de doutoramento estão nos vossos planos?

A.H.-Pretendemos que os nossos conteúdos programáticos possam ser inseridos numa pós-graduação, num mestrado, num doutoramento ou mesmo que sejam objecto de estudo numa tese.

 Conta poupança-formação agrada a clientes

A partir de agora, todos os clientes da Enterasys Networks Portugal podem beneficiar de condições especiais na aquisição de formação profissional, ou seja, ao adquirir produtos Enterasys, os parceiros passam a receber um fundo para gastar em formação, diminuindo automaticamente os custos com esta área. "Por cada valor que gastam em produtos, recebem créditos para gastar em formação", explicou ao Semana o responsável pela Training Division da empresa, Artur Henriques. O fundo pode ser controlado através de um extracto de conta, no qual os clientes sabem quanto gastaram, qual o valor que lhes é creditado e que está disponível para gastar.

O programa entrou em vigor no dia 1 de Julho e desde logo foi bem aceite entre os parceiros. "Há cursos em que chega a haver descontos de 50 por cento", acrescentou.

 
 
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