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Business Intelligence seduz empresas
De Luísa Dâmaso
Semana nº 684 de 27 de Fevereiro a 4 de Março de 2004


O fantasma dos custos começa a diluir-se na corrente de vantagens que o BI proporciona

 
Apesar da recessão do mercado e do consequente abrandamento dos investimentos, o segmento de Business Intelligence (BI) tem mostrado sinais de vida, tendo evoluído positivamente nos últimos anos. Os principais players do mercado nacional consideram que esta situação se deve ao facto de as empresas terem começado a interiorizar o conceito e as vantagens das ferramentas de BI. O managing director da Actis, Carlos Cardoso, reconhece que a crise provocou um alargamento do ciclo de venda, mas houve igualmente «um forte crescimento na procura que se reflectiu no aumento das vendas».

Para o account manager em Portugal da Microstrategy, Nuno Esculcas, este aumento da procura de soluções de BI foi visível na base instalada da empresa. «Passámos de 17 clientes em 2000 para cerca de 60 em 2003», referiu.

Seja como for, este crescimento do número de empresas que adoptam o BI não deve ser considerado isoladamente. Nuno Esculcas referiu ao Semana que é importante contabilizar as aplicações de Business Intelligence existentes dentro das organizações, as quais, segundo ele, «são cada vez em maior quantidade» e espelham bem o reconhecimento dos benefícios subjacentes à implementação de uma plataforma de BI por parte das empresas, que passam assim a ter «a informação na ponta dos dedos».

Embora a procura destas ferramentas seja mais assídua em determinadas áreas de actividade, nos últimos tempos acentuou-se noutros sectores. Na perspectiva do director de marketing do SAS Portugal, Luís Moniz, tem-se assistido a um crescimento «contínuo e sustentado da procura, sobretudo nas áreas da Administração Pública e das utilities».

Apesar de também reconhecer o interesse crescente de um grande número de sectores de actividade, nomeadamente da Administração Pública, que «já detectaram a grande aplicabilidade destas soluções», o business operation manager da Information Builders Portugal, Rui Gaspar, admite que grande parte da utilização destas ferramentas «continua a ser feita pelas empresas de maior dimensão, especialmente pelo sector financeiro e pelo das telecomunicações».

Esta situação pode ter os dias contados, já que, segundo Nuno Esculcas, as empresas «começam a ter uma maior sensibilidade para o BI». Mesmo as empresas menos crentes dos benefícios deste tipo de solução, com o tempo «acabam por se aperceber do seu valor», que se reflecte na disponibilização de informação em tempo real, com base em dados científicos e consistentes, indispensáveis para apoiar a tomada de decisões de negócio.

Na opinião do partner da KPI Solutions, João Cruz, o problema que tem surgido até aqui prende-se com o facto de o sistema de BI ser encarado como uma ferramenta de software e não uma solução de gestão. O abrandamento na procura de ferramentas nos últimos dois anos, devido à conjuntura económica e à desilusão provocada pela «confusão de conceitos», não atrapalhou a ascensão das verdadeiras soluções de BI, que, segundo este responsável, têm sido «ferramentas importantes na passagem da crise conjuntural».

O valor do mercado de Business Intelligence é difícil de medir, uma vez que existe muito pouca informação concreta e não estão identificados indicadores específicos para este segmento. Apoiando-se em alguns dados apurados através do negócio, Rui Gaspar diz que o mercado de BI deverá rondar os 12 milhões de euros.

Sem especificar um valor concreto, Luís Moniz calcula que esta área de negócio signifique entre 10 e 15% do volume total da facturação obtida no mercado de software. João Cruz considera que esta imprecisão de valores se deve à existência de vários conceitos misturados numa única expressão. O facto de existirem inúmeras actividades classificadas como BI, apenas porque o objectivo da sua implementação toca, de alguma forma, neste âmbito, dificulta também os cálculos.

Por sua vez, Nuno Esculcas admite que, se não forem considerados unicamente os valores quantitativos do mercado, mas também o potencial que este encerra, «o seu valor sobe para um patamar bastante relevante, apresentando-se como um mercado em crescimento». Na opinião deste responsável, trata-se de uma área de negócio emergente, «muito interessante e apelativa, em que existe ainda muito para explorar do ponto de vista corporativo».

Os estudos realizados pela Bright Sky Solution apontam um universo de potenciais compradoras de soluções de Business Intelligence de cerca de 40 mil empresas. O administrador da Bright, Haroldo Cavaloti, refere, porém, que existe um volume considerável de empresas de médio porte que poderiam aumentar ainda mais o valor do mercado, mas que, por razões económicas e devido aos altos custos das soluções, continuam a «abolir a ideia de adquirir BI».
 
 
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