ERP
restringem desempenhos De Luísa Dâmaso
Semana nº 684 de 27 de Fevereiro a 4 de Março
de 2004
A arquitectura virada para os
processos operacionais deixa sem suporte a componente
analítica
O negócio em torno do Business
Intelligence (BI) tem chamado a atenção
de inúmeros fornecedores de tecnologia, que
o encaram como uma boa oportunidade de incrementar
os ganhos. Num mercado repleto de soluções
completas e integradas, que se diz abranger todas
as vertentes de qualquer negócio, surge uma
questão que é várias vezes
levantada no mercado empresarial. Quais as diferenças
entre um ERP que integra um módulo de BI
e uma ferramenta desenhada apenas a pensar nesta
área de gestão?
Na opinião do administrador da Bright Sky
Solutions, Haroldo Cavaloti, existem diferenças
«graves». As soluções
de BI que integram os pacotes de ERP, na sua totalidade,
«restringem-se às informações
fornecidas pelo próprio ERP», o que,
segundo ele, «elimina a integração
com outros sistemas de gestão empresarial»,
que normalmente servem outras áreas de negócio
de uma mesma empresa. Perante este cenário,
Cavaloti admite que muitas destas áreas «ficam
sem qualquer recurso de suporte à decisão»
Esta opinião é partilhada pelo account
manager para Portugal da Microstrategy, Nuno
Esculcas, que chama a atenção para
o facto de a informação da empresa
nem sempre estar só associada ao âmbito
do ERP. Para além destas limitações,
o partner da KPI Solutions, João
Cruz, aponta ainda o facto de o ERP não apresentar
resposta aos pedidos de «cruzamento/análise
da informação existente, com os dados
oriundos de outras fontes». Uma solução
de BI à medida «é uma solução
que vai abranger todas as áreas da empresa»,
acrescentou Nuno Esculcas.
O director de marketing do SAS Portugal,
Luís Moniz, garantiu que a grande diferença
está na arquitectura das ferramentas. Enquanto
o ERP visa o controlo dos processos operacionais
da organização, as ferramentas de
BI centram-se nas capacidades analíticas.
De acordo com este responsável, tal diferença
leva a que as ferramentas integradas nos pacotes
ERP «continuem a ter constrangimentos decorrentes
da própria arquitectura operacional»,
nomeadamente no desempenho analítico e dos
processos de BI, sendo este um dos problemas responsáveis
pela «maior parte dos casos de insucesso de
implementação de BI».
Enquanto num projecto de BI à medida começa-se
por fazer o levantamento dos indicadores e das dimensões
a analisar pelos utilizadores, o ERP disponibiliza
um conjunto de análises que «o fornecedor
decidiu que satisfariam grande parte dos utilizadores»,
sublinhou o managing director da Actis,
Carlos Cardoso.
Apesar de, à primeira vista, serem concorrentes
num mesmo mercado, os ERP podem desencadear boas
oportunidades de negócio para os players
que actuam na área de BI. Alguns já
concretizaram parcerias e outros não escondem
o interesse na integração das suas
ferramentas de BI numa solução de
ERP.
As soluções da Bright Sky Solutions
já estão integradas com vários
sistemas de ERP, nomeadamente com os JD Edwards,
Baan, SAP, Oracle Applications, PeopleSoft, Navision
e BPCS, entre outros não utilizados a nível
europeu. A suite WebFocus da Information
Builders também se integra com uma vasta
gama de ERP, como os SAP, JD Edwards, Siebel, Oracle
Applications e Baan.
A Microstrategy trabalha com a JD Edwards / PeopleSoft.
De acordo com Nuno Esculcas, esta associação
aconteceu fundamentalmente «devido à
necessidade de esta empresa possuir uma ferramenta
analítica que puxasse os dados e os correlacionasse
entre eles». À semelhança do
que aconteceu com as ferramentas de Extraction,
Tranformation e Loading da Informática PowerData,
que foram requisitadas e integradas em alguns ERP,
SCM e CRM, a empresa está também a
analisar a integração da sua ferramenta
de BI com outras soluções de empresas
parceiras.
A plataforma Hyperion, distribuída em Portugal
pela Actis, integra-se, a nível internacional,
com as soluções da Peoplesoft e da
Genesys. Em Portugal, a empresa possui acordos locais.
A solução já foi integrada
com as da Minimal, da CMC IN2 e da ServiSIS, distribuidor
do Autosoft. Recentemente, a empresa firmou um acordo
de integração da solução
com a Primavera Software.
Apesar de tudo, há quem não veja com
bons olhos a união com os ERP. O SAS não
pretende seguir esse caminho. A KPI Solutions também
decidiu não optar por essa via.