Portais
portugueses com problemas de usabilidade De Cláudia Sargento
Semana nº 715 de 29 de Outubro a 4 de Novembro de
2004
O excesso de publicidade e o
tempo de carregamento durante uma pesquisa deixam
os utilizadores frustrados
O
consultor independente Bruno Figueiredo
O excesso
de publicidade nos portais portugueses torna a navegação
mais lenta, «deixando frustrados os utilizadores
da Internet». A conclusão surge num
estudo efectuado por Bruno Figueiredo, um consultor
independente que analisou seis portais nacionais,
AEIOU, Terravista, Clix, Oninet, Sapo e IOL, comparando-os
ainda com o Yahoo.
De acordo com este trabalho, o tempo de carregamento
de uma página «deverá ser inferior
a 10 segundos, mas a média situou-se nos
36 segundos». Os melhores resultados chegaram
«do Sapo e também do Terravista».
Figueiredo considerou que os portais, na sua grande
maioria, «são demasiado pesados, pois
apresentam muitas imagens, publicidade em excesso
e várias animações».
Outro dos problemas apontados por este trabalho
é o tamanho da letra, «demasiado pequeno
para permitir uma leitura eficaz, com a agravante
de nem sequer permitir a sua redefinição».
Igualmente complicada é a pesquisa em directório,
referindo o estudo que, «quer no AEIOU como
no Terravista nenhum utilizador encontrou a informação
que procurava». Já na busca em canal,
o número de cliques necessários «foi
demasiado elevado, tendo o tempo de pesquisa andado
na ordem dos três minutos». O estudo
de Bruno Figueiredo dá ainda conta que o
panorama dos portais portugueses ao nível
da avaliação heurística «não
é famoso, assim como em termos da usabilidade
da página principal de cada um deles».
O
Yahoo serviu de contraponto aos portais portugueses
analisados, «tendo apresentado resultados
bastante acima dos portugueses e altamente satisfatórios
na quase totalidade dos itens estudados»,
salientou o consultor. A usabilidade é também
um tema «relativamente novo no seio da Administração
Pública portuguesa», referiu Pedro
Tavares, consultor na área do Design Interactivo
e Desenvolvimento Web na Unidade de Missão,
Inovação e Conhecimento (UMIC).
De acordo com este responsável, em 2002 apenas
15 por cento dos sites referentes a organismos públicos
tinham conformidade com as mais básicas regras
de usabilidade. Em 2003, «este valor não
sofreu qualquer tipo de alteração».
De qualquer forma, «existem já bons
exemplos nesta matéria, com destaque desde
logo para o Portal do Cidadão». Neste
espaço, todos os conteúdos «foram
organizados por audiências tipo e por situações
de vida». Para breve, está previsto
o lançamento do Portal Usabilidade.gov.pt,
«que deverá divulgar as melhores práticas
nacionais e internacionais nesta matéria».
O Governo pretende ainda integrar neste espaço
orientações para construção
de sites acessíveis, links, recursos sobre
usabilidade e eventos a desenvolver nesta área.
Por seu turno, Filipe Miguel Tavares, consultor
da SensoComum.com, deixou alguns conselhos para
a construção de sites empresariais.
A página deve dar resposta às necessidades
informativas dos utilizadores e deve cumprir objectivos
de transmissão de valores e da mensagem real
ou projectada da companhia. Para tanto, o desenvolvimento
dos sites terá de ser feito «por equipas
mistas, integrando técnicos da própria
empresa e da entidade de TI que está a desenvolver
o trabalho». Miguel Tavares acredita que «o
site empresarial deverá ser um prolongamento
da acção da empresa».