ISO
20000 apresentado em 2006 De Claudia Sargento
Semana nº 745 de 3 a 9 de Junho de 2005
Colin
Rudd, presidente do Institute of IT
Service Management
O novo standard internacional
deverá evoluir a partir da norma britânica
BS15000
O início de 2006 deverá marcar a entrada
em vigor do ISO 20000, um novo standard internacional
que evoluiu a partir da norma britânica BS15000,
apresentado pelo British Standards Institution,
ligado ao service management. A data foi avançada
pelo presidente do Institute of IT Service Management,
Colin Rudd, segundo o qual as diferenças
entre os dois «deverão ser mínimas»,
tendo essencialmente a ver com o facto de o ISO
20000 ser um formato internacional, «e portanto
mais adequado a um vasto conjunto de países».
Recorde-se que até ao final deste ano deverá
caber à norma BS15000 «estabelecer
as definições do que tem de ser feito
no sentido de se oferecer uma gestão de serviços
com efectiva qualidade». O problema é
que, dadas as suas especificidades, existem apenas
quatro países, à parte de Inglaterra,
que já a adoptaram, a saber: Austrália,
África do Sul, Hungria e Coreia.
«Em Portugal não temos nenhum exemplo
de adopção, embora isso possa vir
a ser uma possibilidade a curto prazo», revelou
Rudd. Este responsável, que se encontrava
em Portugal a participar num seminário promovido
pelo itSMF português, explicou ainda o trabalho
que tem vindo a ser feito por esta associação
internacional no sentido de fazer evoluir a actual
versão do ITIL. Inicialmente, começou-se
por estudar os pontos prioritários em termos
de trabalho, «concentrando-se agora a atenção
em temas como o tipo de arquitecturas que se devem
trabalhar».
Segundo
referiu, a ideia é «garantir uma evolução
em vez de uma revolução». Assim
sendo, pretende-se trabalhar a partir de tudo o
que foi já feito e definido, «até
porque é bastante bom e foi aceite mundialmente
por milhares de organizações ligadas
a esta área».
O grande ênfase no que ao novo ITIL diz respeito
«deverá ser colocado no aumento do
seu relacionamento e dos interfaces com outros frameworks».
Segundo Colin Rudd, deverá ainda garantir-se
«um relacionamento mais próximo com
a área de IT Governance, e também
a concentração do trabalho ao nível
de Service Lifecycle Management».
Os trabalhos de definição do novo
ITIL têm vindo a ser dirigidos por uma responsável
canadiana que promoveu diferentes debates e workshops
em todos os países onde existe uma associação
itSMF. Portugal acolheu também um destes
debates, tendo ficado então definida a necessidade
de se introduzirem novos conteúdos para as
melhores práticas ITIL e também a
obrigatoriedade de se passar a contar com novos
produtos e meios de divulgação.
Embora ainda sem datas definidas para a divulgação
do novo ITIL, Colin Rudd referiu que durante os
próximos seis meses se deverá proceder
a um trabalho de análise de todas as opiniões
recolhidas «e só então será
possível avançar com uma data eventual».
Durante o seminário houve ainda tempo para
apresentar alguns casos portugueses para debate
em matéria de melhores práticas. Destes,
destaca-se o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido
pelo Banco de Portugal no sentido de implementar
um sistema de disaster recovery. O percurso começou
em Dezembro de 1997 tendo terminado apenas no passado
mês de Abril, «com algumas paragens
prolongadas pelo meio», referiu Paulino Correa,
director do departamento de Organização,
Sistemas e Tecnologias de Informação
daquela instituição.
A implementação do sistema decorreu
em quatro fases que passaram pela análise
do impacto do negócio, das estratégias
de processamento alternativo, do desenho referente
ao plano de continuidade de negócio e que
terminou na efectiva implementação
de todo o plano. O projecto «obrigou a um
investimento de 8 milhões e 700 mil euros
e congregou um total de 300 homens/mês dedicados
a este trabalho».
A convergência entre as Tecnologias de Informação
e o sector das telecomunicações foi
o tema abordado por Pedro Norton de Matos, vice-presidente
do Conselho de Administração da Oni.
Este responsável acredita que as oportunidades
ao nível dos serviços «são
bastante consideráveis, desde que associadas
a uma boa gestão e formação
das pessoas».