Num sector
de actividade onde a cadência de lançamentos
de novos produtos é muito rápida,
o factor "trend" é algo cada vez
mais levado a sério. Estar na moda, fazer
produtos que estão na moda ou, acima de tudo,
criar uma moda tornou-se um caso de sucesso e por
vezes um factor de sobrevivência.
Entre os casos mais mediáticos do ano de
2004, destacamos quatro pelas repercussões
que têm em diversas áreas. Em primeiro
lugar, distinguimos a tão badalada banda
larga, que basicamente se poderia descrever como
uma qualquer ligação à Internet
capaz de disponibilizar o visionamento de fontes
multimédia, como som ou imagem de alta qualidade,
com a mesma facilidade com que se acede a uma página
Web ou a um correio electrónico.
Enquanto os governos anunciam com pompa e circunstância
a disponibilização destes serviços
aos portugueses, no estrangeiro verifica-se que
o sector privado, funcionando em perfeita concorrência,
propõe acessos mais rápidos e curiosamente
mais baratos do que os disponíveis em Portugal.
Neste
aspecto, e mais uma vez, continuamos muito fora
de moda. Enquanto a disponibilização
da Powerline e outras tecnologias via rádio
não forem uma realidade, teremos de nos contentar
com o que as empresas do grupo Portugal Telecom
têm para nos oferecer, visto os concorrentes
preferirem apostar unicamente no sector empresarial
onde o factor volume é mais atractivo para
compensar os avultados investimentos. A Cabovisão
e a Bragatel são alternativas, mas, infelizmente,
com muito pouca implantação nacional.
O segundo caso mais mediático, provavelmente
o mais falado mas o menos importante em termos financeiros,
é a iPod mania. Desde o lançamento
dos primeiros Nomad da Creative, em 1999, que se
vinha a assistir nos Estados Unidos da América
a uma busca cada vez maior por parte dos consumidores
de leitores de MP3 mais pequenos e com maior capacidade
de armazenamento. Com a redução do
tamanho e do preço dos HDD portáteis
torna-se possível o aparecimento do iPod
da Apple e de todo o "fashion trend" associado
ao mesmo. Apesar de quase todas as marcas de PC
e componentes oferecerem este tipo de produto, só
a Apple conseguiu alavancar o sucesso da sua gama
de leitores ao ponto de ter um grande número
de outras empresas a fabricar acessórios
de todo o tipo.
Em terceiro lugar, destacamos o Modding. Esta é
se calhar uma moda pouco conhecida da maioria dos
consumidores tradicionais mas está a ter
um peso cada vez maior junto da faixa mais jovem
de consumidores de TI. É muito habitual hoje
em dia ver-se em muitos estabelecimentos comerciais
fontes de alimentação, caixas, cabos,
sistemas de arrefecimento, etc. com as cores mais
garridas possíveis, levando o conceito de
"tunning" dos automóveis aos PC.
Este é o tipo de moda que permite às
PME, mais rápidas a seguir estas tendências,
a sobrevivência num mercado onde cada vez
mais se pretende ser diferente.
Em último lugar, salienta-se o aparecimento
dos Media Center. Após muitos anos de tentativas
por diversas empresas, finalmente pode adquirir-se
um PC capaz de se integrar numa sala de estar e
de substituir o resto da Hi-Fi. A ideia será
a de substituir leitores de CD, DVD, VHS, descodificadores
de Dolby Digital, leitores de cartões fotográficos,
etc. por um só equipamento também
capaz de navegar na Internet. Com o aparecimento
do Windows Media Center Edition foi dado um grande
empurrão para que este tipo de sistemas seja
uma realidade nas nossas salas dentro de poucos
anos.
Em 2004, vimos com grata satisfação
que o know-how português nas TI continua a
dar cartas a nível mundial. Felizmente estamos
na moda em alguma coisa que não o futebol.
Depois da confirmação da Altitude
Software como uma das líderes mundiais no
fornecimento de soluções para CRM,
salientamos também a capacidade de entrada
da Critical Software na NASA e na ESA, sectores
com uma exigência extrema, e da Chipidea no
sector dos circuitos impressos, onde possui mais
de 140 engenheiros a trabalhar em cinco países.
Julgo que estes são casos paradigmáticos
de que em Portugal ainda é possível
haver empreendedores de sucesso de nível
mundial, caso se aposte em nichos de mercado lucrativos
e não em sectores onde a dimensão
seja essencial. Todos estes exemplos são
resultado da necessidade de este sector disponibilizar
cada vez mais. O ser humano é insatisfeito
por natureza.
Queremos sempre mais. Mais informação
acima de tudo. Mais informação implica
mais velocidade de acesso. Mais ferramentas de procura
e selecção. Com mais informação
vem a necessidade de mais capacidade de armazenamento.
Mais disco e mais gravadores, hoje DVD de dupla
camada, amanhã Blue-Rays. Com mais disco
vem a necessidade de mais velocidade de processamento.
Chegamos à conclusão que é
na nossa ânsia de conhecimento que está
o interruptor de toda esta avalanche de novos produtos
que o sector das TI nos dá todos os dias.
Em Portugal não é diferente e são
as empresas a seguir apresentadas que nos possibilitam
esta capacidade todos os dias.