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Semana Informática > Especial > As 100 maiores empresas de TI em Portugal
 
O IPoder da moda
Semana nº 761 de 21 a 27 de Outubro de 2005

Editorial | Ranking Geral | Análise das 100 maiores | Hardware | Software | Serviços
Distribuidores | Telecomunicações | Maiores crescimentos/activos | Fora do Ranking
Análise de mercado de TI
| Ano em revista


 
 
Alfredo Sousa
Gestor/analista
Num sector de actividade onde a cadência de lançamentos de novos produtos é muito rápida, o factor "trend" é algo cada vez mais levado a sério. Estar na moda, fazer produtos que estão na moda ou, acima de tudo, criar uma moda tornou-se um caso de sucesso e por vezes um factor de sobrevivência.

Entre os casos mais mediáticos do ano de 2004, destacamos quatro pelas repercussões que têm em diversas áreas. Em primeiro lugar, distinguimos a tão badalada banda larga, que basicamente se poderia descrever como uma qualquer ligação à Internet capaz de disponibilizar o visionamento de fontes multimédia, como som ou imagem de alta qualidade, com a mesma facilidade com que se acede a uma página Web ou a um correio electrónico.

Enquanto os governos anunciam com pompa e circunstância a disponibilização destes serviços aos portugueses, no estrangeiro verifica-se que o sector privado, funcionando em perfeita concorrência, propõe acessos mais rápidos e curiosamente mais baratos do que os disponíveis em Portugal.


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Neste aspecto, e mais uma vez, continuamos muito fora de moda. Enquanto a disponibilização da Powerline e outras tecnologias via rádio não forem uma realidade, teremos de nos contentar com o que as empresas do grupo Portugal Telecom têm para nos oferecer, visto os concorrentes preferirem apostar unicamente no sector empresarial onde o factor volume é mais atractivo para compensar os avultados investimentos. A Cabovisão e a Bragatel são alternativas, mas, infelizmente, com muito pouca implantação nacional.

O segundo caso mais mediático, provavelmente o mais falado mas o menos importante em termos financeiros, é a iPod mania. Desde o lançamento dos primeiros Nomad da Creative, em 1999, que se vinha a assistir nos Estados Unidos da América a uma busca cada vez maior por parte dos consumidores de leitores de MP3 mais pequenos e com maior capacidade de armazenamento. Com a redução do tamanho e do preço dos HDD portáteis torna-se possível o aparecimento do iPod da Apple e de todo o "fashion trend" associado ao mesmo. Apesar de quase todas as marcas de PC e componentes oferecerem este tipo de produto, só a Apple conseguiu alavancar o sucesso da sua gama de leitores ao ponto de ter um grande número de outras empresas a fabricar acessórios de todo o tipo.

Em terceiro lugar, destacamos o Modding. Esta é se calhar uma moda pouco conhecida da maioria dos consumidores tradicionais mas está a ter um peso cada vez maior junto da faixa mais jovem de consumidores de TI. É muito habitual hoje em dia ver-se em muitos estabelecimentos comerciais fontes de alimentação, caixas, cabos, sistemas de arrefecimento, etc. com as cores mais garridas possíveis, levando o conceito de "tunning" dos automóveis aos PC. Este é o tipo de moda que permite às PME, mais rápidas a seguir estas tendências, a sobrevivência num mercado onde cada vez mais se pretende ser diferente.

Em último lugar, salienta-se o aparecimento dos Media Center. Após muitos anos de tentativas por diversas empresas, finalmente pode adquirir-se um PC capaz de se integrar numa sala de estar e de substituir o resto da Hi-Fi. A ideia será a de substituir leitores de CD, DVD, VHS, descodificadores de Dolby Digital, leitores de cartões fotográficos, etc. por um só equipamento também capaz de navegar na Internet. Com o aparecimento do Windows Media Center Edition foi dado um grande empurrão para que este tipo de sistemas seja uma realidade nas nossas salas dentro de poucos anos.

Em 2004, vimos com grata satisfação que o know-how português nas TI continua a dar cartas a nível mundial. Felizmente estamos na moda em alguma coisa que não o futebol. Depois da confirmação da Altitude Software como uma das líderes mundiais no fornecimento de soluções para CRM, salientamos também a capacidade de entrada da Critical Software na NASA e na ESA, sectores com uma exigência extrema, e da Chipidea no sector dos circuitos impressos, onde possui mais de 140 engenheiros a trabalhar em cinco países. Julgo que estes são casos paradigmáticos de que em Portugal ainda é possível haver empreendedores de sucesso de nível mundial, caso se aposte em nichos de mercado lucrativos e não em sectores onde a dimensão seja essencial. Todos estes exemplos são resultado da necessidade de este sector disponibilizar cada vez mais. O ser humano é insatisfeito por natureza.

Queremos sempre mais. Mais informação acima de tudo. Mais informação implica mais velocidade de acesso. Mais ferramentas de procura e selecção. Com mais informação vem a necessidade de mais capacidade de armazenamento. Mais disco e mais gravadores, hoje DVD de dupla camada, amanhã Blue-Rays. Com mais disco vem a necessidade de mais velocidade de processamento. Chegamos à conclusão que é na nossa ânsia de conhecimento que está o interruptor de toda esta avalanche de novos produtos que o sector das TI nos dá todos os dias. Em Portugal não é diferente e são as empresas a seguir apresentadas que nos possibilitam esta capacidade todos os dias.
 
 
 
 
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