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Informática >
Negócios
> Prológica
muda de mãos |
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Prológica
muda de mãos
De
Semana nº 775 de 3 a 9 de Fevereiro de 2006
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| Luis
Cabrita presidente do conselho de
administração da Prológica |
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Por detrás da mudança,
está um conjunto de novas áreas de
negócio, como a desmaterialização,
a reciclagem ou a disponibilização
de um módulo POCAL para o ERP Navision Dynamics,
através do qual a empresa quer dinamizar
o mercado e preparar-se para o futuro
Com o negócio da aquisição
de 67 por cento do capital da Prológica finalizado,
a nova administração definiu um business
plan para 2006 e para os anos seguintes. Desde já,
os novos executivos estimam poder aumentar a facturação
da empresa de 30 milhões de euros para 33
milhões de euros e registar um crescimento
de 2% de lucro.
Luís Cabrita, presidente do conselho de administração,
acredita que estas metas são «perfeitamente
tangíveis» com o aumento das competências
internas da companhia e com a manutenção
do volume de negócios no âmbito da
comercialização de hardware e dos
licenciamentos Microsoft. Por outro lado, a administração
da Prológica tem em vista o início
de um novo pacote de serviços que possibilita
aumentar a margem dos negócios de forma indirecta.
Para
isso vão ser criadas novas linhas de produtos
de software através de novas representações
para entrada no mercado a curto prazo. Por outro
lado, está a desenvolver soluções
próprias horizontais e verticais e a criar
mecanismos de investigação.
No entender de Luís Cabrita, olhando para
a facturação da Prológica,
é fácil entender qual é o seu
posicionamento no mercado. Tem uma percentagem significativa
assente na comercialização de software
Microsoft e tem uma vertente igualmente forte oriunda
da venda de hardware de todo o tipo, leia-se desktops,
portáteis, impressoras, networking, entre
outros equipamentos.
A empresa possui uma área de negócio
assente no ERP da Microsoft Business Solutions,
mais precisamente no Microsoft Navison Dynamics,
possui uma quota de 60% no mercado dos notários
e uma área que, até pela natureza
da Prológica, estava muito direccionada para
serviços de valor acrescentado.
Objectivos para 2006
A primeira linha estratégica que a nova administração
tomou em relação à Prológica
foi a optimização dos processos de
negócios internos através da comercialização
dos produtos tradicionais da empresa. Encontraram-se
ainda alguns aspectos que podem ser optimizados
por intermédio da utilização
de soluções de informática
interna, ou seja, é possível optimizar
os processos de forma a reduzir os custos das operações.
Não se trata de trabalhar na facturação,
nem nas margens, mas sim na redução
do custo operacional. Esta situação,
refere Luís Cabrita, não está
relacionada com os recursos humanos. Trata-se de
uma circunstância exclusivamente associada
à implementação de soluções
inteligentes de elaboração de propostas
e ao fluxo de processos de supply de uma empresa
que comercializa 19 mil PCs por ano.
A segunda grande linha está relacionada com
a possibilidade de criar valor acrescentado em cima
do negócio tradicional da Prológica.
Nesse sentido, a nova administração
admite fazer todo o sentido vender o número
de licenças que comercializa apostando numa
lógica de serviços na área
do asset chain configuration management para os
clientes interessados. Por outro lado, no que diz
respeito à parte aplicacional, com especial
enfoque nos servidores e nas soluções,
conseguir casar esta oferta com propostas que incluam
a área da gestão de rede de dados,
de aplicações, servidores e processos.
O presidente do conselho de administração
da Prológica explica que, mais uma vez, «não
se altera o negócio tradicional mas acrescenta-se
valor». Neste âmbito, a empresa vai
continuar a fazer o que sempre fez, ao ponto de
a nova administração entender que
pode existir um aumento da facturação
nas áreas de negócio tradicionais.
No âmbito das soluções de valor
acrescentado, a nova Prológica vai actuar
em três áreas bem diferenciadas do
negócio. Há uma linha de actuação
a curto prazo, através da representação
e distribuição de software de terceiros,
que permite à Prológica estar no mercado
no curto prazo num conjunto de áreas que
foram definidas como estratégicas. Uma segunda
área é a da criação
e utilização de soluções
próprias, desenvolvidas internamente, para
reagir a médio prazo. Por último,
um dos drivers de crescimento em termos de soluções
de valor acrescentado vai assentar na implementação
de uma linha de investigação e desenvolvimento
(I&D). Esta terceira linha será feita
através de uma aproximação
às faculdades.
Esta administração «tem consciência
de que a aquisição da Prológica
e a estratégia definida têm por objectivo
a construção a médio prazo»,
refere Luís Cabrita. O presidente do conselho
de administração explica que «não
há nenhuma operação de imediatismo
nos resultados ou de alienação da
companhia; foi acima de tudo uma aquisição
com base na construção de uma empresa
sólida no longo prazo».
Sustentabilidade no curto, médio
e longo prazo
Os responsáveis da Prológica entendem
que devem ter uma estratégia a curto prazo
para viabilizar os pressupostos da companhia, quer
seja o aumento da margem bruta operacional da empresa
em dois pontos percentuais, quer seja o aumento
da facturação. A aposta no médio
prazo com soluções próprias
visa a internacionalização e, por
último, o investimento no I&D tem por
objectivo a preparação para o futuro.
Nesta aposta de futuro, a administração
entende que deverá ter novas soluções
proprietárias ou, no mínimo, alguma
ou total propriedade intelectual.
Em traços gerais estas são as linhas
mestras da estratégia da empresa para 2006.
Em simultâneo, Luís Cabrita destaca
a aposta, no aumento das competências internas
e numa contínua formação dos
quadros da Prológica, uma vez que, sem estas
medidas, a administração entende que
não estão reunidas as condições
para alcançar as metas propostas. «Se
a base interna da companhia não está
preparada para acompanhar estas mudanças,
então de nada servem os planos até
agora traçados», comenta o presidente
do conselho de administração da Prológica.
Em 2006, está previsto o nascimento de uma
nova empresa, chamada InterChange, que será
detida a 100% pela Prológica SGPS. Trata-se
de um ASP que fornecerá serviços na
área da desmaterialização e
do CRM documental, ou finishing. A área de
finishing será feita em parceira, uma vez
que a Prológica não faz impressão.
Nesse sentido vai ser criado um ASP próprio
«que funcionará de forma muito diferente
à oferta dos dois ASP que se mantêm
activos em Portugal», esclarece Luís
Cabrita.
O presidente do conselho de administração
explica que pode surgir uma outra empresa e que,
a acontecer, será por circunstâncias
maiores de mercado e não por uma obrigatoriedade
interna. Nesse caso, poderia surgir uma espécie
de Prológica Desenvolvimento, ou Prológica
Produção ou Soluções,
que se dedicaria às novas áreas de
negócios nas quais a empresa quer investir.
No entanto, a comercialização das
soluções ficaria sempre sob a égide
da Prológica SGPS. Mas tal não está
inserido na estratégia da empresa para 2006.
Para o futuro há duas áreas de actuações:
uma horizontal e outra vertical. A primeira centra-se
na desmaterialização, que pode ser
classificada em várias áreas. Uma
é a de document management, clássica
em certa medida, porque as soluções
de gestão documental comercializadas até
hoje, e por questões relacionadas com a legislação,
são soluções que «tem
algum valor acrescentado mas que na realidade acabam
por não dispensar a utilização
ou a custódia dos documentos em papel».
Ainda na área da desmaterialização,
há uma solução de factura electrónica
que está a assentar em dois sentidos. O primeiro
é na verticalização da oferta.
Actualmente a Prológica possui duas ofertas
verticais nesta matéria, uma na área
da distribuição e outra para o sector
automóvel.
O outro caminho prende-se com a solução
de consolidação de gestão financeira,
utilizando a factura electrónica. Luís
Cabrita explica que a empresa vai estar atenta à
desmaterialização dos pagamentos e
revela que a Prológica estabeleceu uma parceria
para a desmaterialização dos documentos
internos das empresas, incluindo documentos oriundos
de processos de vencimentos e gestão de pessoal.
Apesar de estas ofertas serem horizontais, o objectivo
é o de verticalizar progressivamente estas
ferramentas. «Acreditamos que no futuro o
que vai valer como factor diferenciador é
o conhecimento e a especialização
do negócio», defende Luís Cabrita,
acrescentando ainda que a horizontalidade «faz
algum sentido no início, mas no longo prazo
não faz sentido nenhum».
Entrar no mercado da reciclagem
Um dos negócios tradicionais da Prológica
é a comercialização de hardware.
Tendo em conta a directiva comunitária que
obriga as empresas que comercializam ou que detenham
equipamentos, inclusive fora do âmbito das
TI, a reciclar uma parte do material, a Prológica
vai criar uma unidade de negócio destinada
à reciclagem. Essa área terá
como objectivos a reciclagem de equipamentos para
aproveitamento da empresa e sempre que possível
a reciclagem de equipamentos para comercialização.
Esta unidade prestará serviços internamente,
uma vez que pode ser um serviço de valor
acrescentado que a empresa preste aquando da venda
dos equipamentos. Luís Cabrita explica que,
mais uma vez, «o conceito em si é novo
mas a empresa já possui um armazém,
um ripper center e uma logística, portanto,
trata-se de pegar no que existe, mantê-lo,
optimizá-lo e prestar um novo serviço».
Do ponto de vista do mercado, a empresa acredita
que existem companhias que mesmo que sejam concorrentes
não vão querer entrar neste negócio
e que para a Prológica podem ser parceiros
ou clientes nesta área específica.
Internacionalização garantida
O presidente do conselho de administração
desta empresa refere ainda que a internacionalização
está nos planos da companhia. Luís
Cabrita explica que o anterior accionista da Prológica,
o grupo belga Systemat, «gostou tanto do projecto
apresentado que decidiu ficar com 33 por cento da
operação». Esta posição
significa uma oportunidade de negócio que
será explorada mutuamente, uma vez que a
Systemat possui um ERP desenvolvido internamente
chamado Popsi, e que possui cerca de 15 mil clientes
entre a Bélgica e o Luxemburgo. Durante as
conversações realizadas para a conclusão
da aquisição do capital da Prológica,
uma das hipóteses avançadas foi a
de a Systemat comercializar a solução
de facturação electrónica da
Prológica como um módulo do seu ERP
junto da sua base instalada.
Desta forma, a empresa de capitais maioritariamente
portugueses pode iniciar a comercialização
de uma das suas soluções sem ter de
recorrer à abertura de uma operação
nestes dois países. A operação
pode ainda ser alargada ao mercado francês,
uma vez que, quando ocorreu o management buy out
em França, a nova administração
contactou a Prológica para demonstrar o seu
interesse em representar este produto no mercado
francês. |
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