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Semana Informática > Estratégia > Novo paradigma muda CRM
 
 
Novo paradigma muda CRM
De
Semana nº 784 de 7 a 13 de Abril de 2006

 
   

As empresas procuram soluções que lhes permitam gerir proactivamente o seu negócio

Mudam-se os tempos mudam-se as necessidades e as software houses têm de saber adaptar as suas soluções aos clientes. De acordo com o sénior consultant da Compuquali GFI International, Rui Magalhães, a resposta à mudança de comportamento dos clientes deve ser visível na estratégia de negócio das empresas e o software de CRM deverá reagir à mudança, através duma reprogramação/customização eficaz, eficiente e com baixos custos.

No entender deste responsável, o paradigma do CRM está a mudar. Inicialmente, «procurava-se conhecer o cliente e fidelizá-lo, o que levava as empresas a actuar de forma reactiva, mas, nos últimos anos, as aplicações começaram a disponibilizar funcionalidades para criar novas oportunidades de negócio junto dos clientes, fazendo emergir um novo paradigma baseado na proactividade», explica Rui Magalhães.


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Esta evolução é justificada pelos avanços tecnológicos, que permitiram o encurtamento dos ciclos de produção e do time to market, bem como pela mudança de atitude dos consumidores, que são cada vez mais exigentes e informados, mas também mais abertos a utilizar novos serviços e novos produtos.

A abertura das aplicações à Web tem sido outro factor de inovação e mudança. De acordo com o director de aplicações da Sage Adonix Portugal, Rui Nogueira, esta possibilidade tem «deslocado» vários sectores operacionais das empresas para processos baseados na Internet, integrando vários canais de comunicação.

O mercado «começou a perceber que soluções de CRM genéricas não dão grandes resultados mas que devem ser implementadas focando-se em processos chave do seu negócio e estratégia», acrescenta a coordenadora da área de CRM da Quidgest, Annabelle Le Rohellec.

O group manager da Microsoft Business Solutions Portugal, Francisco Chaves, anuncia a chegada de uma nova geração de aplicações de CRM, em que «foi dado um grande ênfase à facilidade de utilização, recorrendo a ambientes familiares como o Microsoft Outlook e o Microsoft Office, e à flexibilidade».

Integração é fundamental
Por outro lado, a mobilidade tem também ditado a evolução desta área aplicacional. Na opinião da directora de marketing da PHC software, Eduarda Azevedo, as empresas «passaram a utilizar tecnologias móveis para enviar a informação para o sistema central e para lhe aceder em tempo real, o que oferece ganhos significativos».

No seguimento desta tendência de evolução, o CRM colaborativo tende a ganhar terreno ao operacional e ao analítico. Nas implementações existentes, principalmente nas mais antigas, a base instalada assenta no CRM operacional, no entanto, neste momento, o CRM analítico é o mais procurado. Este tipo de aplicação «permite um melhor acompanhamento dos clientes por qualquer colaborador da empresa, de modo a satisfazer as necessidades desses clientes, e desenvolve as forças de vendas», explica o director-geral da Logiciel, Rui Beirão.

No entanto, no entender da directora adjunta das áreas de marketing, educação e parceiros da IBS Ibéria, Adelaide Leitão, a actividade, a estratégia e a cultura de cada organização «determinarão a procura das diferentes componentes de CRM».

Enquanto o objectivo do CRM operacional é racionalizar e optimizar os processos internos das empresas, o da vertente analítica visa ajustar estratégias de diferenciação, acompanhar os hábitos dos clientes e identificar necessidades e potenciais mudanças. Por último, a vertente colaborativa das soluções de CRM engloba todos os pontos de contacto com o cliente, permitindo a interacção e a gestão do fluxo de dados de toda a organização.

«De uma forma lógica, não se implementam todos os tipos de CRM ao mesmo tempo; deveria começar-se pelo CRM operacional, seguido pelo colaborativo e pelo analítico – mas não é o que acontece muitas vezes», revela o group manager da Microsoft Business Solutions Portugal.

Globalmente, as soluções de CRM têm tirado partido das novas tecnologias disponíveis, quer através da integração com sistemas ERP, SCM e voz sobre IP, quer mediante a combinação de análises de informação com técnicas de benchmarking. Adelaide Leitão considera que estes avanços têm permitido que as soluções CRM tenham ainda mais impacto nas empresas.

«A questão da integração é crucial na maioria dos projectos de CRM», confirma o CRM principal sales consultant da Oracle Portugal.

Por sua vez, a CRM business developer da SAP Portugal destaca ainda o aparecimento do conceito de “software-as-a-service”, associado à área de CRM, que, segundo ela, está a ter uma «forte aceitação por parte do mercado em virtude da rapidez de implementação e de obtenção de time-to-value, associados aos reduzidos custos de exploração».

Envolvimento de toda a organização
Antes de seleccionarem uma solução de CRM, as empresas devem ter alguns cuidados, nomeadamente, definir uma estratégia de CRM alinhada com a estratégia de negócio e que defina o posicionamento face a cada mercado-alvo. «A estratégia de CRM deve ter em atenção quatro objectivos: a fidelização, o conhecimento, a rentabilização e a comunicação», alerta o sénior consultant da Compuquali GFI International. Este responsável refere ainda que, sempre que possível, deve ser quantificada a meta a atingir por cada objectivo.

No entender do director-geral da Logiciel, um programa de CRM deverá «dar prioridade à relação com o cliente e à sua satisfação, manter informação sobre os relacionamentos, incluindo os dados sobre os clientes, e preparar a organização para a criação do relacionamento com o cliente através de incentivos das equipas de vendas». A estabilidade garantida pelo fornecer, quer no suporte, quer na evolução das aplicações, é, no entender da CRM business developer da SAP Portugal outro factor de peso a ter em conta no processo de avaliação da ferramenta. A este, o responsável de marketing e parcerias da Cycos, Nuno Venâncio, acrescenta ainda a necessidade de as empresas implementarem soluções que se adaptem às suas necessidades, aconselhando também a implementação faseada, a integração com outras aplicações de negócio e a definição clara de objectivos.

Por sua vez, a coordenadora da área de CRM da Quidgest diz que é necessário alertar as empresas para as diferenças entre um bom investimento, que se traduz numa vantagem competitiva, de um mau investimento, que se traduz num custo sem resultados.

As características do produto são muito importantes. «Deve evitar comprar-se um “Formula 1” para depois o pôr a andar sobre um caminho de pedras, ou evitar transformar um automóvel utilitário num carro de competição», exemplifica o manager responsável das unidades de serviço de Tecnologia da DMR Consulting, Manuel Mendez.

Independentemente de tudo isto, a responsável da IBS Ibéria aconselha o envolvimento de todos os departamentos da organização. Muitos dos projectos de CRM falham «porque os colaboradores não foram devidamente envolvidos no processo, ou porque os processos foram definidos sem a directa intervenção desses mesmos colaboradores», justifica o CRM principal sales consultant da Oracle Portugal.
 
 
 
 
 
     
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