Criar um Portugal Maior De João Paulo Girbal,
General manager, strategic alliances team, da Mobility
& Embedded Division & Communication Sector
da Microsoft Corporation
Como já foi amplamente divulgado,
decidi abraçar um novo desafio e juntar-me
aos outros portugueses, que nesta ou noutras indústrias,
dão o seu contributo fora do país.
Tomar esta decisão não foi fácil
porque gosto de viver em Portugal e tenho orgulho
em ser Português. Para além do facto
de ir desempenhar funções que do meu
ponto de vista são extremamente interessantes
numa área de impressionante crescimento como
é a das tecnologias móveis e onde
a Microsoft pode desempenhar um papel de cada vez
maior impacto, houve outros factores que facilitaram
a minha escolha. Talvez o principal seja que sou
um defensor convicto e entusiasta de que, no futuro
próximo, é muito mais realista e vantajoso
ter portugueses nos centros de decisão no
exterior do que tentar trazer estes centros de decisão
para Portugal.
Consideremos um exemplo para nos ajudar a pôr
em perspectiva esta questão: Qual é
a probabilidade de trazer o centro de decisão
de uma multinacional como a Volkswagen para Portugal
nos próximos dez anos? Seguramente que a
probabilidade de ter um Português bem colocado
no actual centro de decisão é muitas
vezes superior. O mesmo se aplica para a esmagadora
maioria das empresas de dimensão mundial.
O
nosso País encontra-se hoje reduzido à
dimensão física que tinha antes de
nos lançarmos na aventura dos Descobrimentos.
Ao invés de nos desanimar, este facto deve
estimular-nos a pensar em formas alternativas de
criar um Portugal Maior, que ultrapasse as limitações
físicas impostas pela nossa fronteira geográfica.
Neste cenário, torna-se óbvia a vantagem
para Portugal de ter portugueses espalhados pelo
mundo, colocados em pontos e funções
chave e que possam influenciar na raiz e contribuírem
para atrair para Portugal os investimentos e o reconhecimento
de que tanto necessitamos.
Esta vontade de criar um Portugal Maior não
é de agora. A diáspora portuguesa
que se expandiu distinguiu-nos no passado, permitiu
séculos de prosperidade e granjeou admiração,
trazendo para Portugal um enorme bem-estar para
a época. Porque é que desistimos desta
diáspora? Provavelmente não desistimos,
apenas nos esquecemos de que são gente interessada
em ver Portugal crescer como sociedade.
Uma forma possível é criar uma rede
virtual que ligue todos os, mais ou menos ilustres,
que residam fora de Portugal - e as novas tecnologias
já tornam possíveis colaborações
eficazes e não necessariamente presenciais.
Temos que criar uma comunidade que fale a mesma
voz, passe as mesmas mensagens sobre Portugal, seja
qual for o ramo de actividade: alta tecnologia,
I & D, desporto, medicina, gestão, turismo,
cultura, etc.
Temos que
capitalizar os sucessos tecnológicos
empresariais portugueses, divulgando-os até
à exaustão para que possam servir
de exemplo!
Se hoje pedirmos a vários
Portugueses a residir e trabalhar em funções
de relevo no estrangeiro para sucintamente (elevator
pitch) explicar a um grande investidor mundial com
quem se cruzem ao exercerem a sua actividade, porque
é vale a pena investir em Portugal, ou alternativamente
a quem está ponderar uma viagem, porque é
que deve optar por visitar o nosso País,
seguramente não conseguiríamos encontrar
duas linhas de pensamento idênticas.
A meu ver, seria muito útil uma voz comum,
naturalmente expressa com variantes pessoais, sobre
Portugal. Isto porque provavelmente muitos destes
grandes investidores ou líderes de opinião
contactam com diversos portugueses no exterior -
não seria muito mais eficaz se as mensagens
que passamos fossem em grande medida comuns e construíssem
umas sobre as outras?
Mas enquanto recuperamos a extraordinária
mais-valia que representam os portugueses que estão
no estrangeiro, qualquer que seja a área
em que actuam, temos que capitalizar localmente
os sucessos tecnológicos empresariais portugueses,
divulgando-os até à exaustão
para que possam servir de exemplo!
Replicar estes sucessos significa encontrar empresários
com espírito empreendedor, bons gestores,
visionários, com paixão pela tecnologia
e que prezem acima de tudo o que de mais crítico
existe para assegurar a competitividade futura de
uma empresa num mundo global: o direito de reserva
da sua propriedade intelectual.
Esta procura acompanhada da divulgação
sistemática de casos de sucesso nacionais
reforça a autoconfiança colectiva
e permite encarar o futuro de Portugal com mais
optimismo. Beneficiamos todos!