As remunerações
no sector da TI tiveram um aumento de 2,5%
Comparativamente
a 2004, os níveis salariais no sector das
tecnologias de informação e das telecomunicações
registaram um aumento de 2,5 por cento a um nível
global. Os dados são do «Estudo Salarial»,
realizado pela Hays, que dá ainda conta de
um crescimento específico para a área
das TI na casa dos 3,7%, enquanto nas telecomunicações
o aumento não foi além dos 0,8%.
Os
valores espelham um «recomeço do investimento
das empresas em tecnologia», segundo se pode
ler no trabalho da Hays, isto apesar da «fraca
performance da economia portuguesa e da estagnação
salarial dos últimos dois a três anos»
neste sector. O Governo despendeu cerca de 50% do
investimento nas TI em Portugal e, «apesar
dos cortes no sector público, muitas empresas
foram capazes de expandir os seus serviços
no decorrer de 2005», acredita a Hays. Uma
outra situação que trouxe efeitos
positivos para o mercado laboral, segundo se pode
ler neste estudo, foi o facto de existirem algumas
empresas portuguesas «extremamente activas
no mercado nacional» e um número limitado
das mesmas que «expandiu os seus negócios
a nível internacional».
Por outro lado, verificou-se também o aumento
substancial de empresas multinacionais a actuar
em Portugal.
Entre os perfis mais requeridos ao longo do ano
de 2005 contaram-se os consultores técnicos
e os engenheiros, «pelo que estes não
sentiram grandes problemas em conseguir aumentar
o seu pacote salarial». Segundo revelou ainda
a Hays, durante 2005, as empresas apostaram «nos
melhores recém-licenciados», razão
pela qual os profissionais com capacidades ultrapassadas
e os recém-licenciados «de segunda
categoria» ou com notas baixas «ainda
consideram este mercado um "osso duro de roer"»,
conforme se pode ler no estudo da Hays.
Uma análise pormenorizada por regiões
do País deixa perceber uma clara diferença
entre Norte e Sul. Revela a Hays que, de acordo
com a informação apurada, os salários
no Sul «foram cerca de 22% mais altos do que
as ofertas do Norte». Esta «enorme diferença
salarial» pode ser explicada em parte pelos
valores que são efectivamente declarados,
diz a Hays, embora seja «indubitavelmente
verdade que as diferenças continuam a ser
substanciais».
Relativamente aos motivos apontados como possíveis
para uma mudança de emprego, contam-se a
satisfação profissional, com 40% das
respostas em Lisboa, e 35% no Porto, seguida da
remuneração, que acolheu 30% das respostas
em Lisboa e 25% no Porto. Os benefícios sociais
são o que menos convence os profissionais
a mudarem de emprego (0% de respostas em Lisboa
e 5% no Porto).
Quanto a valores concretos, o estudo da Hays dá
conta que um director informático com 5 a
10 anos de experiência ganha uma média
de 45 mil euros/ano em Lisboa e 42 mil no Porto,
enquanto um systems manager com 5 a 10 anos de trabalho
aufere 43 mil euros/ano em Lisboa e 39 mil euros/ano
no Porto. Com valores naturalmente inferiores, contam-se
os programadores com menor experiência (21
mil euros/ano em Lisboa e 17 500 euros/ano se estiverem
no Porto) e os web designers com 2 a 5 anos de experiência
(auferem 17 mil euros/ano em Lisboa e 14 mil euros/ano
no Porto).
Por seu lado, no sector das telecomunicações,
um responsável de rede com mais de 10 anos
de experiência ganha em Lisboa 48 mil euros/ano
(no Porto não há dados disponíveis),
ao passo que um comercial de telecoms com cinco
a 10 anos de experiência aufere uma média
de 35 mil euros/ano em Lisboa e de 28 mil euros/ano
no Porto.
Em relação a perspectivas para 2006,
a Hays acredita que a tendência de «crescente
e contínua melhoria é para manter».
Assim sendo, os investimentos em tecnologia por
parte das empresas do sector privado «vão
continuar muito activos», após dois
anos de restrições neste sector. Por
outro lado, a internacionalização
de algumas empresas irá conduzir «a
um processo rápido de expansão».
O estudo da Hays prevê que, em 2006, os melhores
licenciados em universidades com cursos mais reconhecidos
«serão bastante requisitados pelos
empregadores», o que significa que os licenciados
com notas superiores a 14 valores «irão
considerar a procura de emprego relativamente fácil»,
enquanto que os indivíduos com notas mais
baixas e/ou que tenham frequentado uma universidade
menos prestigiada «podem sentir dificuldades
em encontrar a sua primeira oportunidade de emprego».