As opiniões
face ao negócio ao longo de 2006 dividem-se
entre o optimismo de alguns players e o cepticismo
de outros
O mercado da gestão documental
está longe de gerar consensos, pelo menos
entre os fornecedores ouvidos pelo Semana. E se
alguns fazem um balanço positivo da primeira
metade do ano, outros há que o consideram
muito negativo e deixam fortes reservas para os
meses que se aproximam.
Entre os mais optimistas está Luís
Estrela, consultor e coordenador da área
de Gestão Documental da Quidgest.
De acordo com este responsável, o primeiro
semestre de 2006 tem «um balanço bastante
positivo já que o mercado tem vindo a dar
sinais de estar a acordar para esta realidade».
Assim sendo, existe um número crescente «de
empresas e organismos públicos à procura
de soluções de gestão documental
adequadas à sua estratégia de negócio».
Por seu lado, na segunda metade do ano, é
a altura em que «as empresas de software realizam
a maior parte das suas receitas». Luís
Estrela acredita que a gestão documental
a par com o balanced scorecard «vão
ser os produtos com maior crescimento no próximo
semestre e no ano que vem».
Também
a CSC Espanha e Portugal teve uns primeiros seis
meses «bastante positivos», conforme
refere Paulo Braz, senior consultant da companhia.
Durante esse período, a empresa «iniciou
projectos em novos clientes e, na sua base instalada,
alargou as funcionalidades de captura e gestão
documental a direcções e departamentos
que anteriormente não disponham delas».
Por seu lado, os objectivos da CSC Portugal para
o resto do ano são «bastante ambiciosos».
A companhia pretende «organizar eventos próprios»
ao mesmo tempo que se deverá associar aos
«de outras entidades», sempre tendo
em conta a temática da gestão documental.
Paulo Braz acredita que esta será uma forma
de contribuir para «dar a conhecer a importância
dos investimentos neste domínio e os benefícios
dos mesmos».
No caso da Link Consulting, o primeiro semestre
representou uma mudança na abordagem ao mercado
já que a empresa «desenvolveu e iniciou
a comercialização de um produto próprio
para gestão documental», diz o director
responsável pela oferta de IT Engineering
da Link, José Afonso Pires. Com esta mudança,
«aumentou a oferta e, consequentemente, o
número de oportunidades» da própria
companhia numa área que o director da Link
diz parecer ter «cada vez maior procura».
Face a esta realidade, José Afonso Pires
prevê que os últimos seis meses de
2006 sejam «um período no qual o número
de projectos de gestão documental continuará
a aumentar, atingindo um conjunto cada vez mais
alargado de empresas».
Menos optimistas relativamente ao mercado da gestão
documental estão companhias como a Advantis
Solutions. Para o seu director, João Vila
Luz, «Portugal não está numa
fase de grandes negócios, continuando com
um mercado adiado/estagnado». Assim sendo,
a empresa tem vindo a assegurar, desde o início
do ano, «a ocupação total da
sua equipa com a continuação de projectos
que já vinham do passado, em detrimento dos
novos projectos que os clientes adiam». Apesar
de tudo, João Vila Luz acredita que o segundo
semestre deverá ser sinónimo «de
alguma recuperação», já
que se nota, desde o final de 2005, «o reinício
do estudo de vários projectos de investimento».
Para a Bull Portuguesa, os primeiros meses do ano
foram marcados «por factores diversos que
o afectaram negativamente». De acordo com
Anquetil Neves, responsável pela área
de Gestão Documental naquela companhia, entre
estes factores contam-se «a contenção
generalizada da economia portuguesa que tem sempre
um impacte negativo a nível do investimento».
Por outro lado, será igualmente importante
ter em conta «a reestruturação
da administração pública»,
o que levou a um «adiar das decisões
em curso governamental».
De qualquer forma, o período que se avizinha
será, no entender de Anquetil Neves, mais
positivo. Para tanto, deverão contribuir
factores como «as orientações
do Governo português quanto à necessidade
de desmaterialização dos documentos
e de simplificação dos processos ou
da melhoria generalizada do clima económico».
Do lado da Datinfor, a opinião do seu director,
Curado Gomes, é que «não será
ainda este ano que vai marcar a diferença
nesta área» da gestão documental.
Diz este responsável que «se a tendência
se mantiver» será possível assistir
a um final do ano «que acaba por não
ser muito diferente dos anos anteriores».
Apesar de tudo, os primeiros meses mereceram boa
nota por parte da Datinfor, com «um balanço
positivo».
Este responsável acredita que o mercado de
gestão documental valerá «menos
de 20% em relação às aquisições
de outras áreas». Já Paulo Braz
refere que esta área vale «demasiado
pouco».