Um
ano pautado pela convergência e alianças
Semana nº 809 de 27
de Outubro a 2 de Novembro de 2006
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Alfredo Sousa
Gestor/analista de mercado |
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As tendências são um factor que cada vez mais influencia os
diversos sectores de actividade e o mundo das Tecnologias de Informação
(TI). O ano de 2005 serviu para marcar algumas tendências que afectaram
directa ou indirectamente a actividade das empresas de TI em Portugal. Por
um lado, há a realçar a quebra dos preços do hardware,
como nunca se tinha visto até agora, e a consolidação
do modelo de outsourcing junto das grandes grupos económicos nacionais.
Apesar dos aumentos consecutivos do preço da energia, é de
louvar os esforços e a forma incrível como o sector consegue
combater essa dificuldade, essencialmente graças aos consecutivos
aumentos da competitividade e produtividade. É um exemplo para todos
os outros e um estímulo para os governos que consecutivamente recorrem
a um discurso público baseado numa inflação artificial
para justificar o baixo crescimento das economias.
Em Portugal, a OPA da Sonae.com sobre a Portugal Telecom é um
exemplo. Na eventualidade desta operação ser bem sucedida,
pode criar um gigante com mais de 60 por cento de quota de mercado de comunicações
móveis no nosso país e com mais de 90% de quota de mercado
nas redes fixa e de cabo. Esta situação poderá fazer
com que a empresa resultante desta fusão perca o interesse em inovar
visto a sua concorrência vir a ser muito pequena. Só o interesse
de outras grandes empresas estrangeiras no nosso mercado poderá forçar
esta empresa Sonae.com+PT a continuar o caminho da inovação
que tem sido seguido pelas duas empresas separadas.
A inovação tem sido a salvação de muitas empresas
portuguesas de TI, que forçadas a competir num mercado global, em
que de um lado têm os gigantes americanos e europeus, com o seu poderio
financeiro, e de outro os emergentes asiáticos e indianos, que com
o seu baixo custo de mão-de-obra facilmente se apoderam do negócio
cost-intensive.
Por outro lado, as iniciativas do governo também têm ajudado
a que este sector se sinta vivo porque acha que o país necessita
da tecnologia por si comercializada. Algumas das áreas de mercado
que registaram taxas positivas no mercado nacional foram as relacionadas
com o enterprise resource planning, o business inteligence, os contact
centers, os integradores, a gestão documental e a segurança.
Estas áreas de negócio contribuíram para uma confiança
acrescida num sector até há alguns anos limitado ao binómio
simplificado hardware/software.
Cada vez mais se tenta criar valor acrescentado por meio da prestação
de serviços diferenciados, como foi antes referido, e a dependência
no hardware tenderá a ser cada
vez menor. Empresas como a AITEC, Altitude Software, Chipidea, Critical
Software, Microfil, Mobicomp. Movensis, Novabase, OpenSoft, WeDo Consulting,
Ydreams permitiram uma crescente renovação do parque empresarial
do sector das TI, onde a inovação e rapidez de resposta às
solicitações dos clientes se tornou a chave do sucesso.
O ano transacto serviu ainda para constatar uma forte redução
no preço dos equipamentos de hardware. Se em 2004 era praticamente
impossível encontrar um PC portátil por menos de mil euros,
um ano depois, constava-se que já algumas marcas tinham equipamentos
disponíveis por 800 euros, sendo neste momento possível encontrar
um portátil por 599 euros.
Nos PC desktop essa tendência é levada ao extremo havendo
já marcas a comercializar equipamentos completos com LCD por 499
euros. Por este andar não demorará muito tempo até que
o sonho de alguns visionários se torne realidade; ter um PC por
100 euros, possibilitando que metade da população mundial
tenha acesso a este tipo de tecnologia.
Não será de estranhar que um dia sejam os fornecedores de
software ou de serviços como os Internet Service Provider a subsidiar
os equipamentos como já acontece no estrangeiro com os telemóveis,
em que o consumidor paga o equipamento em prestações juntamente
com o serviço que contratou.
Naturalmente que Portugal, ao ser um país em que os consumidores
rapidamente assimilam novas modas, pode vir a tornar-se um caso em estudo
deste tipo de estratégia comercial.
Ganham os consumidores e acima de tudo ganham os fornecedores, tanto de
hardware como de software. Os primeiros porque conseguem combater a pirataria
de uma forma hábil vendendo os seus pacotes agarrados ao hardware
e os segundos porque libertam mais rapidamente stocks.
É neste panorama em que as alianças entre fornecedores de software/serviços
e os fornecedores de hardware melhor se irão sentir, visto poderem contribuir
para o sucesso de ambos.
Este é o lado positivo das
alianças, mas também há um
lado negativo. Ao combinar o software e o hardware, o consumidor perde poder
de escolha, porque naturalmente as grandes software houses conseguirão
colocar os seus produtos num maior número de computadores do que as
empresas pequenas. Este tipo de monopólio poderá contribuir
para uma diminuição da concorrência, que, a longo prazo,
poderá provocar uma diminuição na criatividade das empresas,
visto haver cada vez menos interesse em inovar porque não há com
quem competir. É com naturalidade que observamos aquisições
contínuas no sector das TI, tanto no hardware como no software ou
nos serviços.
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