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Semana Informática > Actualidade > Geoglobal cobre o País através de ortofotomapas
 
 
Geoglobal cobre o País através de ortofotomapas
De
Semana nº 817 de 22 a 28 de Dezembro de 2006


 
 
Miguel Mendes, sócio fundador
e director técnico da Geoglobal
A companhia prepara o lançamento de um serviço tipo Google Earth para Portugal, mas com imagens de elevada resolução

Dentro em breve poderá ser possível visualizar qualquer ponto do País através da Internet, com imagens de elevada resolução e recorrendo a cartografia produzida em Portugal. A Geoglobal está a preparar o lançamento de um serviço tipo Google Earth para o nosso país, disponibilizando uma resolução de 25 centímetros, o que significa que se conseguirá «identificar objectos pequenos e chegar, praticamente, a visualizar pessoas», explicou ao Semana, Miguel Mendes, sócio fundador e director técnico da companhia.


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O novo serviço surge suportado na aplicação Localiza, desenvolvida pela própria Geoglobal, «e que permite fazer georreferenciação de forma muito exacta e a partir de endereços». De acordo com Miguel Mendes, esta oferta deverá estar disponível ao público em geral «mas contará com serviços específicos desenvolvidos a pensar nas necessidades das empresas». Diz este responsável que «quem pretende ter um cadastro de redes ou fazer ordenamento e trabalhar com planos directores municipais, tem de ter acesso a outro tipo de informação».

Mas este projecto está longe de ser a única novidade da companhia que, nos últimos tempos, tem vindo a desenvolver um conjunto de trabalhos para outras entidades, como câmaras municipais, «através da criação de cartografia oficial», e para entidades dos sectores das telecomunicações, farmacêutico, bancário, logística e distribuição, turismo, lazer e mesmo para a Navetec. Neste caso, a Geoglobal começou por fazer a recolha de dados de toda a rede viária nacional, com informação referente a nomes de ruas, números de porta, tipo de piso e número de sentidos e de faixas. O trabalho, que demorou três anos até ficar concluído, «foi feito com tecnologia desenvolvida internamente pela Geoglobal e também com recurso a PDAs e a GPS». O projecto, num total de 600 megabites de informação de estradas, teve depois como cliente a Navetec que o integrou nos seus sistemas de navegação para automóveis. A empresa conta, entre os seus clientes, com fabricantes como a Honda, a BMW, a Mercedes ou a Porsche.

Tracking de produtos
No âmbito das telecomunicações, um dos trabalhos desenvolvidos teve como destinatário final a Vodafone e o seu serviço Vodafone Casa. Neste caso, foi implementada a solução Localiza, que não é mais do que um software «que trabalha stand-alone e pode ser acedido a partir de outras aplicações». A solução «garante vários níveis de detalhe e de resposta, sempre de acordo com a informação existente na base de dados». Miguel Mendes acredita que este tipo de produto «poderá vir a ser implementado em outras áreas, como call-centers no serviço do INEM». Neste último caso, «as vantagens seriam consideráveis», lembrou este responsável.

De resto, para o sector farmacêutico, a Geoglobal apresentou muito recentemente um trabalho de informatização completa da rede de distribuição da Udifar. Neste caso específico, o utilizador passa agora a ter a possibilidade de aceder a informações como a localização de determinada encomenda, a hora de entrega, o nome do funcionário que a entregou e todo o percurso que essa encomenda fez até chegar ao seu destino.  

«É igualmente possível fazer o rastreio de tudo o que foi devolvido, sendo esses produtos catalogados e repostos no sistema uma vez chegados ao armazém», disse o director técnico da Geoglobal. Uma outra funcionalidade «bastante importante» está ligada à possibilidade de se efectuarem consultas através de questionários, do género «saber que rotas têm menos encomendas, quais as que são mais curtas e quais as mais ou menos eficazes». Desta forma, a companhia «pode avançar com uma optimização do serviço» e até mesmo permitir às farmácias que alertem o cliente «para a hora de chegada do medicamento, evitando deslocações escusadas».

Um outro trabalho igualmente importante, e no qual a Geoglobal «gostava de participar com as suas equipas de cartografia e desenvolvimento», é o do cadastro predial. O projecto é da responsabilidade do Instituto Geográfico Português «e terá um grande impacte no País», já que vai permitir «que os impostos passem a ser cobrados sobre a propriedade». Para que isso possa acontecer, a propriedade deve estar toda «catalogada e cadastrada», algo que está apenas parcialmente feito para o Alentejo e algumas zonas da Beira Baixa.

Negócio evolui de forma constante
A Geoglobal encontra-se dividida em duas unidades de negócio: a de geodados, que integra toda a componente de cartografia, e a de geossoluções. Esta segunda área suporta-se na existência de conteúdos geográficos para a criação de soluções ligadas a esta área. Por outro lado, e segundo explicou Rodrigo Silva, senior business manager da Geoglobal, «tudo o que é informação geográfica ao serviço dos negócios encontra-se ligado a esta área de geossoluções que se pretende potenciar».

A Geoglobal é uma empresa de capitais portugueses que conta actualmente com cerca de 60 elementos, 30 dos quais no escritório, em funções como o desenvolvimento de produto, o trabalho comercial e a gestão de projectos ou a efectuarem trabalho de operadores. Os restantes 30 «são essencialmente elementos de campo», sendo que o número «varia de acordo com os projectos em desenvolvimento a cada momento». Questionado relativamente à possibilidade de fazer crescer a equipa, Miguel Mendes explicou que prefere «primeiro apostar no crescimento das pessoas em termos de responsabilidade e dar-lhes controlo sobre os projectos».

A facturação da Geoglobal tem vindo «a aumentar de uma forma constante» atingindo, em 2005, «o valor de um milhão e 600 mil euros». Segundo o director técnico da companhia, tem-se registado um crescimento «em torno dos 20 a 30%», uma média que se deverá «manter ao longo deste ano e também em 2007 e 2008».

Este responsável explicou ao Semana que a empresa se encontra posicionada «numa área em que a realidade evolui muito depressa e em que surgem novas funcionalidades a um ritmo bastante acelerado». De resto, Miguel Mendes considerou que um dos principais problemas a ultrapassar nos próximos tempos passa pelas «limitações que ainda se verificam em termos dos equipamentos móveis e da sua velocidade» tornando-os «demasiado limitados». Neste âmbito, o futuro passará, certamente, pela existência de equipamentos móveis que disponibilizam não só acesso à informação cartográfica com fotografia aérea mas também «a possibilidade de visualizar tudo em três dimensões, tendo ainda funcionalidades ligadas a sistemas de navegação».

 
 
 
 
 
     
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