Websites
desactualizados comprometem negócio
De
Semana nº 832 de 5 a 12 de Abril de 2007
Ao colocar em segundo plano a actualização
das suas páginas Web, as empresas estão a passar uma imagem
menos positiva aos clientes
No mercado concorrencial vale tudo para não se ser ultrapassado pela
concorrência, muitas vezes, sob pena de se perder muito com decisões
precipitadas, para as quais não foi estruturada uma estratégia
coerente. A presença na Net pode muito bem ser uma das situações
flagrantes. A proliferação de sites institucionais e a pressão
do mercado para a existência de uma presença virtual levou nos últimos
anos muitas empresas a investir em websites, que hoje não são
mais do que páginas fantasma, nas quais, além da data e do
relógio, nada muda.
A biografia da organização é estável,
como estável são os restantes conteúdos. Resta perguntar
o que perdem as organizações com esta presença inerte?
E, por que não aproveitam minimamente as potencialidades desta tecnologia,
descurando questões tão fundamentais, nesse mesmo mercado
concorrencial, como são a imagem e a notoriedade?
De acordo com o responsável de Imagem e Comunicação
da Quidgest, André Ancião, actualmente, as empresas «apenas
raspam a superfície daquilo que poderiam fazer nos seus websites».
Regra geral, as empresas vêem o seu sítio Internet como um
meio estático, importante apenas para disponibilizar informação
institucional. «Somente as empresas que desejam utilizar este meio
para obter visibilidade de mercado através dum canal adicional aos
convencionais, apostam em conteúdos mais dinâmicos»,
avança o director de Marketing e arquitecto de soluções
da Roff, Pedro Gil.
É verdade que a Internet é um canal privilegiado de comunicação
com os clientes e a única forma de conseguir transmitir grandes volumes
de informação interactiva, tornando-a facilmente acessível
e pesquisável em diferentes formatos. Embora reconheça que as
empresas se apercebem desta mais-valia, o CEO da Prodigentia, Luís Domingues,
afirma que muitas vezes «esquecem-se que para manter um site actualizado
são precisas pessoas, sem as quais o site acaba por se tornar uma ferramenta
negativa para a imagem da empresa, apresentando-se desactualizado e incoerente».
Cultura
de desconfiança
O facto é que, independentemente das vantagens que possa proporcionar,
a presença na Internet com um site actualizado, formatado ou agilizado
em consonância com as estratégias comerciais «ainda
não é uma prioridade ou uma preocupação sistemática
para as empresas», alerta o gestor de comunicação e
projectos Web da Goweb, António Castro. De acordo com este especialista,
a colocação do canal Web em segundo plano é reflexo
de uma mentalidade que ainda «negligencia um canal vendedor por excelência,
com informação esclarecedora e eficaz, com mecanismos de
resposta rápidos e concisos, como é uma página de
Internet bem pensada, planeada e gerida de forma eficaz, com objectivos
claros».
O responsável de imagem e comunicação da Quidgest
aponta ainda outra condicionante: a cultura de desconfiança. «A
máxima ‘O segredo é a alma do negócio’ ainda
impera entre as nossas empresas», afirma André Ancião.
Segundo ele, a publicação de conteúdos nos sites das
empresas é encarada como a «explanação dos mais
secretos segredos do negócio perante todos», sendo poucos
os que encaram a publicação e manutenção de
conteúdos informativos como forma de interacção com
parceiros, clientes e funcionários.
«Esta situação sucede porque o cliente se envolve somente
na criação do site, não dando a necessária continuidade
através da colocação de um responsável de comunicação
para a elaboração e actualização de conteúdos»,
acrescenta o CEO da DRI, Diogo Rebelo.
Por não terem uma gestão correcta de conteúdos e
das actualizações do site, as empresas deparam-se com algumas
dificuldades em contabilizar os custos de ter um site desactualizado e sem
qualquer dinâmica. No mercado nacional «ainda não existe
uma aposta consistente na área Web, é frequente encontrar sites
de grandes empresas com conteúdo e imagem pouco elaborados», esclarece
Diogo Rebelo.
No entender do responsável de Imagem e Comunicação
da Quidgest, os gestores portugueses, na sua maioria, ainda não
tomaram consciência que um site não é um custo mas
um investimento e que ao ser correctamente administrado, pode ser um pólo
gerador de negócios. «Os utilizadores em geral reconhecem
qualidade quando a vêm, e um site bem gerido é, sem dúvida,
um sinal de qualidade», alerta André Ancião.
A
web não é um buraco
de fechadura
Uma empresa de comércio electrónico que venda
milhares de produtos on-line e que dependa estruturalmente desse canal
para a consolidação
das suas vendas e objectivos comerciais terá forçosamente
mais percepção da gravidade da desactualização
de um produto, preço ou stock existente. Contrariamente, uma empresa
que considere, embora que erradamente, a sua página de Internet
complementar aos serviços ou produtos que disponibiliza, terá menor
percepção da sua importância e da gravidade da situação.
No entender do gestor de Comunicação e Projectos Web da Goweb,
um pormenor mínimo «pode significar bastante, ou seja uma
empresa que tenha no seu site a notícia mais recente com data de
publicação de há dois anos, poderá significar
inércia, falta de dinamismo e acomodação, passando
uma imagem danosa, apesar da pequena dimensão do erro».
Um dos problemas também apontados diz respeito às expectativas
dos visitantes dos sites das empresas nacionais, que ainda são baixas
e, na generalidade, procuram conteúdos estáticos. «A
evolução mudará as expectativas, e, nessa fase, os
custos da falta de actualização começarão a
ser mais visíveis», prevê o director de Marketing e
arquitecto de soluções da Roff.
Por sua vez, o director-geral da Alencastre.net, Ricardo Alencastre, reconhece
que nos últimos anos os seus clientes despertaram para esta situação,
revelando uma maior preocupação pelos conteúdos desactualizados. «Por
vezes solicitam um refrescamento de imagem para tornar o site mais aliciante»,
revela este responsável.
Estes especialistas acreditam que para mudar a mentalidade das empresas/organizações
nacionais é preciso continuar a consciencializar as empresas de
que a construção de marcas fortes é uma mais-valia
e é preciso direccionar os empresários para uma cultura de
inovação e comunicação com o exterior. «A
Web não é um buraco de fechadura na organização,
através da qual nos podem espiar, mas sim uma montra daquilo que
somos capazes», lembra André Ancião.
O CEO da DRI aconselha as empresas a encarar a Web como uma forma económica
de vender a imagem, produtos e serviços a potenciais clientes nacionais
e internacionais.
Soluções acessíveis a todas
as bolsas
O fantasma do investimento é outro dos pontos
que os empresários
devem ultrapassar, embora para muitos, o valor associado a uma solução
avançada de Internet possa parecer absurdo. «Obviamente que
a aquisição de uma plataforma de conteúdos na criação
de um website irá encarecer o seu custo, no entanto, esse investimento é rapidamente
recuperado após alguns meses», explica o director-geral da
Alencastre.net. De acordo com este responsável, actualmente, existem
inúmeras ofertas no mercado português para as mais variadas
bolsas.
O investimento nestas soluções «poderá trazer
de forma clara mais negócio e visibilidade à empresa»,
acrescenta o CEO da DRI.
Hoje em dia, o custo das soluções é irrisório
para uma PME e mesmo para as empresas que recorrem ao outsourcing para
o alojamento de sites, os preços praticados são de tal forma
baixos que no entender do responsável de Imagem e Comunicação
da Quidgest «não servem de desculpa para o não investimento
num website». O maior custo de implementação de um
website assenta nos recursos humanos necessários à produção
e gestão de conteúdos. No entanto, se considerarmos que as
pessoas já existem na organização, assim como os conteúdos,
muitas vezes sob a forma de documentos normais de trabalho, exposições,
apresentações, catálogos, constata-se que apenas é necessário
organizá-los e rentabilizá-los.
«Quando uma solução Web é bem estruturada e
serve o propósito de uma empresa e do seu modelo de negócio,
o Total Cost of Ownership nunca poderá ser considerado justificação
para não investir», refere o gestor de comunicação
e projectos Web da Goweb.
«A implementação de um sistema destes é rápida,
barata e a sua utilização, do ponto de vista do utilizador, bastante
fácil», garante o CEO da Prodigentia.
Quanto ao retorno, a generalidade dos responsáveis inquiridos pelo
Semana afirma que é bastante rápido, podendo mesmo ser elevado
face ao investimento exigido. «Os investimentos são tão
reduzidos que bastam apenas algumas leads comerciais para rapidamente justificar
e recuperar os valores dispendidos», avança o responsável
de imagem e comunicação da Quidgest.
O segredo está na
escolha da solução
Por sua vez, o director-geral da Alencastre.net
considera que o retorno de investimento de uma plataforma não só é relativo
como é muitas vezes indirecto. As entidades que utilizam este tipo
de software para gestão de comércio electrónico e
reservas podem ver o seu investimento ter um retorno rápido, por
outro lado, em sites ou portais em que isso não aconteça,
o retorno poder-se-á realizar de forma indirecta.
«Algumas destas soluções têm um ROI difícil
de calcular por depender de múltiplos factores, alguns deles pouco objectivos
e não numeráveis», confirma o director comercial da Partner
Solutions, Júlio Malheiro.
O preço de um website pode variar consideravelmente, dependendo
do que a organização pretende, das funcionalidade que deseja
ver implementadas e, na realidade, de quem o constrói. Actualmente
um site tem uma amplitude em termos orçamentais muito grande. O
gestor de Comunicação e Projectos Web da Goweb explica que
um site com catálogo e e-commerce altamente personalizado, integrado
com sistemas de facturação e gestão de stocks, pode «custar
facilmente dezenas de milhares de euros, sendo o preço final fruto
das variáveis do projecto».
De acordo com o responsável de Imagem e Comunicação
da Quidgest, os valores podem oscilar entre os 1000, os 7000 ou os 10 000
euros. Existem no outro extremo as soluções open source que
podem custar “0” ao cliente. No entender do CEO da Prodigentia,
o importante é «saber escolher o sapato do tamanho do pé».
Os componentes essenciais de uma solução desta natureza «deverão
ser a plataforma de arquivo electrónico, a plataforma de workflow
e a plataforma de pesquisa empresarial totalmente integradas», generaliza
o director comercial da Partner Solutions. Por exemplo, num site de e-commerce,
a gestão de conteúdos não tem um papel primordial. «O
essencial é gerir os processos de negócio – artigos,
encomendas, pagamentos», esclarece o CEO da Prodigentia.
Por
sua vez, o director-geral da Alencastre.net garante que uma plataforma
deverá ser acima de tudo «simples e intuitiva», para
que qualquer indivíduo com conhecimentos mínimos de informática
a possa utilizar. A versatilidade é igualmente referida por este responsável,
que a considera essencial no processo de actualização tecnológica
dos websites, intranets e/ou extranets, sem a necessidade de readquirir outra
plataforma para o efeito. «Outro factor crucial é a capacidade
de fornecer relatórios estatísticos pormenorizados e ferramentas
de interacção com o utilizador final», acrescenta ainda
Ricardo Alencastre.
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