SAP confiante no futuro De
, em Viena Semana nº 839 de 25 a 31 de Maio de 2007
As grandes novidades do SAPPHIRE 2007 centraram-se nas duas aquisições, nas novas parcerias estratégicas e no A1S
Henning Kagermann, CEO da SAP, no keynote de abertura do SAPPHIRE 2007
A SAP reuniu em Viena, na Áustria, cerca de oito mil pessoas para divulgar o posicionamento da empresa relativamente ao mercado das aplicações empresariais.
A abertura do evento esteve entregue a Henning Kagermann, CEO da SAP, que aproveitou o seu keynote para defender a visão que a companhia possui do mercado global de TI, em especial no campo das aplicações, e divulgar os contornos da sua estratégia para os próximos anos.
Na análise que Kagermann realizou ao estado actual das ferramentas de negócio nas TI e às oportunidades de negócio existentes acabou por traçar um cenário semelhante ao que o sector das TI viveu na década de 90, com a reengenharia de processos nas empresas e a introdução dos Web Services. Segundo ele, estes factores foram os pilares que serviram para impulsionar de forma determinante a produtividade das empresas na década de 90, nomeadamente, a das companhias norte-americanas que, no seu entender, «foram as primeiras a adoptar estas infra-estruturas, o que possibilitou inovar em matéria de novos e melhores processos de negócio».
A nova vaga tecnológica que a SAP identificou está relacionada com a disponibilização de informação e serviços através da Web 2.0. Segundo Henning Kagermann, «os processos de colaboração vão acabar por estar disponíveis dentro de todo o ecossistema empresarial». Este processo, que a SAP denomina de business network transformation, possibilita ligar o back office de uma empresa a todos os intervenientes no processo de criação de um produto ou de um serviço, entre os quais se incluem clientes, parceiros de negócio e fornecedores, ou seja, todo o ecossistema empresarial, de forma a levar os processos de negócio de uma forma mais eficiente para lá das normais e tradicionais fronteiras de uma empresa.
«Está-se a registar uma nova vaga de processos de negócio que resulta da interacção entre o sistemas de informação das várias empresas; esta só é possível graças à consolidação e implementação da Serviced Oriented Architecutre (SOA) nas empresas».
O responsável máximo da SAP salientou ainda que, com esta nova vaga tecnológica, não se pretende estandardizar processos dentro da empresa mas sim «aproveitar a actual flexibilidade dos sistemas de informação para criar novos processos de negócio diferenciadores em toda a rede de valor acrescentado».
Aquisições para melhorar aplicações
O evento também serviu para anunciar a aquisição de duas empresas europeias, a Wicom Communication e a MaXware, de forma a poder melhorar as funcionalidades das soluções SAP.
A compra da Wicom, empresa especializada em aplicações para contact centers e comunicações empresariais, deverá permitir à SAP melhorar a sua oferta de CRM ao disponibilizar a integração da comunicação com os serviços prestados aos clientes. Desta forma, o CRM vai poder ser disponibilizado através de um contact center multicanal sobre IP, permitindo melhorar a resposta ao cliente independentemente da forma como este interage e comunica com a empresa.
«Para poder aproveitar a flexibilidade dos novos sistemas de informação, as empresas devem ter a capacidade de criar e gerir pessoas e processos de negócio virtuais tirando proveito dos novos canais de conhecimento como as redes sociais», referiu em conferência de imprensa Henning Kagermann.
A segunda aquisição anunciada foi a da MaXware. Trata-se de uma software house com soluções na área da gestão de identidades. A tecnologia da MaXware será integrada na plataforma SAP NetWeaver. Assim, será possível criar uma plataforma integrada que funcione com diferentes sistemas e processos de negócio, ao mesmo tempo que gere a identidade do utilizador, proporcionando segurança em tempo real em toda a infra-estrutura aplicacional da empresa.
A companhia anunciou ainda um conjunto de novas parcerias, entre as quais se destaca a realizada com a SunGard, empresa com software e soluções de processamento para serviços financeiros que factura 2,9 mil milhões de euros anuais.
Com esta parceria, as duas empresas acreditam que vão oferecer ao sector bancário uma plataforma totalmente integrada na qual constam as aplicações da SAP com a suite BancWare da Sungard, suite que é utilizada por mais de 500 entidades financeiras em 40 países.
Outro dos anúncios revelados nesta edição do SAPPHIRE prende-se com a ampliação do acordo existente com a Novell, de forma a garantir um novo suporte aos clientes que utilizem as ferramentas da companhia alemã no sistema SUSE Linux Enterprise Server. Ao abrigo deste novo acordo, ficou definido que os utilizadores vão poder usufruir de uma linha de suporte ao sistema operativo e às aplicações através de um único canal: o SUSE Linux Enterprise Server Priority Support para aplicações SAP.
Novo produto e novo modelo de negócio
O CEO da SAP reforçou ainda nesta edição do SAPPHIRE a intenção de disponibilizar, no primeiro trimestre de 2008, uma nova oferta de soluções destinadas para as médias empresas baseadas no modelo de hosting. O novo software, cujo nome de código é A1S, destina-se a empresas com necessidades convencionais de gestão e que não possuam grandes orçamentos para investir em TI. O A1S inclui funcionalidades básicas de enterprise resource planning (ERP), customer relationship management (CRM) e supply chain management (SCM).
Com esta oferta, a SAP espera reduzir os tempos e a complexidade de implementação das suas ferramentas junto deste segmento de empresas. Na conferência de imprensa, o CEO reconheceu que «existem alguns problemas no desenvolvimento do A1S mas são problemas que estão dentro das expectativas da empresa». Este responsável deixou bem patente que não há nenhuma razão para atrasar o lançamento do produto e que a empresa está «muito satisfeita com a equipa de desenvolvimento».
Hening Kagermann acredita que continuarão «a existir problemas de desenvolvimento» e, no seu entender, só se dissiparão quando o produto estiver finalizado e disponível no mercado. Na realidade, a SAP ainda se encontra na fase de teste, definição de funcionalidades e reajustamentos. Ao mesmo tempo, está a criar um novo modelo de negócio para comercializar o produto, que tem que estar preparado no prazo máximo de dez meses – se o objectivo de o disponibilizar no primeiro trimestre de 2008 for cumprido à risca.
Por seu lado, Leo Apotheker, deputy CEO e membro do Conselho Executivo da SAP, salientou que «o A1S não é só um novo produto; é outra filosofia de abordar o mercado através de um novo modelo de negócio».
Participação e a análise portugueses
A comitiva portuguesa nesta edição do SAPPHIRE esteve constituída por cerca de 100 pessoas, entre parceiros, clientes e responsáveis da SAP Portugal.
Bruno Marques, sócio-gerente da HYFAS, referiu ao Semana que esta edição do SAPPHIRE foi melhor do que a do ano passado, em Paris, uma vez que foi um evento «com mais certezas e com a consolidação de algumas decisões empresariais». O sócio-gerente da HYFAS disse que voltou a sentir nesta edição «uma aproximação das chefias ibéricas aos participantes portugueses».
João Fazendeiro, director comercial da Consiste, é um parceiro estreante no SAPPHIRE. Em declarações ao Semana afirmou que estes eventos são «um excelente local para troca de know-how e networking entre SAP, parceiros e clientes».
Por outro lado, Francisco Febrebro, administrador da Roff, referiu que mais do que os anúncios de novas soluções – e que no entender deste responsável existiram em bom número –, o encontro provou «a importância que a arquitectura SOA está a evidenciar na plataforma SAP». Depois do foco dado à integração entre sistemas dentro das organizações, salientou-se agora a integração entre parceiros de negócio.
Francisco Febrero adianta ainda que a plataforma NetWeaver está, neste momento, completamente alinhada na Arquitectura Orientada a Serviços (SOA) e a sua aplicação na integração, em tempo real, dos processos entre parceiros de negócio foi altamente simplificada. Outro ponto salientado pelo administrador da Roff diz respeito à questão da interface humana com o sistema; diferentes perfis de utilizador possuem diferentes interfaces. «No sistema SAP existem actualmente várias formas de interagir com o sistema, desde o frontend tradicional até ao portal, passando pelas interfaces embebidas noutras aplicações, como o Duet, que utiliza o Office da Microsoft», concluiu este responsável.
Para Bruno Marques, as novidades mais importantes estão relacionadas com «a consolidação da estratégia All-in-One, com a aposta nas soluções SAP Baseline, com o desenvolvimento do novo GUI (front end mais ligeiro e melhor adaptado à metodologia ASAP Focus) e com a consolidação do SOA como standard de gestão empresarial».
Segundo João Fazendeiro, os pontos altos desta edição foram o anúncio da consolidação da plataforma NetWeaver, da arquitectura de serviços empresarias e as best practices que irão permitir «facilitar a integração com novas aplicações, acelerar a inovação e uma adaptação mais rápida às novas necessidades de negócio». O director comercial da Consiste destacou ainda as novidades relativas à interface com o utilizador final, nomeadamente, a aposta no projecto Duet, e a nova interface para SAP All-in-one para o mercado PME, que irá estar disponível no final do ano.
Por último, quando questionado sobre as implicações que estes anúncios poderão ter no mercado nacional, Bruno Marques referiu que o “aligeirar” das implementações SAP, bem como uma nova interface mais dinâmica e moderna, «pode ser a resposta da SAP para alcançar ainda mais PME nacionais». O sócio-gerente da HYFAS salientou ainda que com menores tempos de implementação, que resultam em soluções mais baratas e com menos necessidade de investimento, «aumenta o número de empresas com capacidades para adquirir as melhores soluções de gestão de informação».
Francisco Febrero acredita que os anúncios realizados neste SAPPhire são soluções que na realidade «só terão impacto dentro de um a três anos». Para este administrador, o mercado nacional vai notar em 2007 a influência das soluções apresentadas em anos anteriores, «como o RFID, os sistemas de planeamento financeiro e logístico ou o business intelligence».
Apresentações portuguesas
A nona edição do SAPPHIRE contou com a apresentação de três casos de sucesso nacionais. António Cruz, responsável pelos projectos SAP na Imprensa Nacional Casa da Moeda (IMCM), explicou como a IMCM implementou o SAP ERP, SAP Supply Chain Management e SAP NetWeaver.
A segunda apresentação foi a de Maria Conceição Mota, directora da Fidelidade Mundial, e versou sobre as soluções SAP ERP, SAP Supplier Relationship Management, SAP NetWeaver, Business Intelligence e Strategic Enterprise Management.
O último dos casos nacionais foi apresentado por Ana Paula Miranda
Chefe de Projecto da REFER, que explicou como esta empresa está a trabalhar com o SAP ERP e o SAP NetWeaver.