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As OPAs nas telecomunicações e serviços
bancários marcaram os primeiros seis meses do ano. A timidez do crescimento
económico pode marcar os outros seis
Apesar de um primeiro semestre de crescimento, o mercado ligado à integração
foi agitado por um conjunto de situações que marcaram a actividade
das empresas, desde logo, «as OPAs que ocorreram em dois dos sectores
mais relevantes para o mercado nacional de integradores», adiantou
Manuel Mira Godinho, para acrescentar «os sectores das telecomunicações
e dos serviços bancários». Ainda assim, o administrador
da Accenture, responsável pelas áreas de consultoria em System
Integration & Technology, revelou que acabou por se registar «um
ligeiro crescimento, fruto de algum optimismo no sector privado e de iniciativas
no sector público, associadas ao Plano Tecnológico».
Por seu lado, Luís Paulo Salvado, administrador da Novabase
SGPS, considerou que, em termos globais, «a chamada economia digital
tem apresentado um crescimento acima da média da economia».
Em Portugal, espera-se que o primeiro semestre «confirme esta tendência
com um crescimento de cerca de 5%». O responsável da empresa
lusa referiu que o sector tem sido estimulado «por um maior investimento
em segurança, business intelligence e adequação a
regulamentações».
De acordo com a IDC, a área de integração em Portugal – que
inclui os serviços de integração e implementação – deverá valer
qualquer coisa como 277 milhões de euros (381 milhões de
dólares), prevendo-se crescimentos de 5,1 por cento até 2010
(com 5,3% concretizados em 2006). Por seu lado, para 2007, e segundo dados
da IDC divulgados pela Capgemini Portugal, o mercado total de serviços
de TI ascende a cerca de 1,65 mil milhões de euros. Os valores representam
um crescimento de 4,7%. No entanto, João Carlos Almeida, executive
principal da Capgemini Portugal, referiu que as previsões da sua
empresa, feitas com base no primeiro semestre deste ano, apontam para um
crescimento do mercado «a um ritmo mais acelerado do que aquele previsto
pela IDC». Ritmo este «que deverá manter-se nos próximos
meses».
A Capgemini acredita que, parte da actividade na área de integração «advém
da exportação de serviços de TI», sobretudo «para
o mercado angolano». Por outro lado, o crescimento do mercado também
se prende com o facto de «os sectores da economia mais dependentes
de inovação tecnológica», como é o caso
da banca, das telecomunicações e das utilities continuarem «a
investir fortemente em projectos de TI e a apresentarem bons resultados»,
disse João Carlos Almeida.
Estimativas geram controvérsia
Do lado da Novabase, Luís Paulo
Salvado preferiu chamar a atenção
para o facto de «estimativas sobre o mercado de serviços e
consultoria em sistemas de informação» serem «sempre
controversas, dadas as particularidades desse mercado». Entre estas,
destaca-se «a dificuldade de segregar vendas de serviços,
software e hardware».
Ainda assim, este responsável adiantou que a estimativa de várias
entidades e organismos de research aponta «para valores próximos
de mil milhões de euros», integrando-se aqui cinco linhas
de negócio diferentes: hardware maintenance and support; software
support; consulting, development and integration; management services e
process management.
Já Manuel Mira Godinho explicou que «o mercado nacional de
integradores representa cerca de um terço do mercado de serviços
de consultoria em sistemas de informação», ou seja,
perto de «400 milhões de euros em 2007».
Para os últimos seis meses, o responsável da Novabase não
antecipa «alterações significativas» face às «tendências
observadas no primeiro semestre». Disse este responsável que «a
ainda relativa timidez do crescimento económico está a condicionar
um maior investimento em projectos de renovação tecnológica
e inovação, na maior parte das organizações».
Ainda assim, existem empresas que «estão a aproveitar esta
janela de oportunidade para realizar investimentos estratégicos
nesta área». De acordo com Luís Paulo Salvado, os líderes
dos negócios «sabem que investindo em projectos inovadores,
particularmente através da inovação de processos de
negócio obtida com a aplicação “inteligente” da
tecnologia, criam vantagens competitivas significativas para o seu negócio».
Já o
administrador da Accenture preferiu apontar alguns sinais evidentes «de
retoma da economia», assim como as «iniciativas governamentais,
tais como a procura de simplificação de processos administrativos
recorrendo a soluções informáticas e o novo Cartão
de Cidadão», para perspectivar um segundo semestre «relativamente
positivo». A «clarificação das OPAs» e a «preocupação
dos gestores de negócio em recorrer, cada vez mais, aos sistemas de
informação como elemento diferenciador» são outras
situações que podem dar uma ajuda. Manuel Mira Godinho fala
mesmo na possibilidade de um «crescimento superior à inflação,
da ordem dos 4 a 6%».
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