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Segurança
De
As diversas análises realizadas à segurança
empresarial apontam num único sentido: as ameaças são
cada vez mais críticas e acontecem com maior assiduidade. Entre as
mais comuns destacam-se o aumento das vulnerabilidades de alto risco, o crescimento
dos incidentes relacionados com pirataria direccionada e roubos de identidade
A convergência tecnológica e a introdução de
novas plataformas nas empresas originaram novas necessidades de segurança.
No estudo «Segurança de TI e Continuidade de Negócios.
Sondagem e Previsões 2005-2008», realizado pela IDC Portugal,
apresenta-se como principal motivo para a implementação de
medidas de segurança a crescente utilização da Internet
e uma maior abertura dos sistemas aos parceiros de negócio, com 58,2%
e cerca de 47,3% de respostas, respectivamente.
A empresa analista de mercado estima que em 2006 o mercado nacional de software
de segurança mais appliances tenha rondado os 50 milhões de euros,
o que corresponde a um crescimento de 14%. A mesma empresa prevê um crescimento
médio anual de 13% por cento para o período compreendido entre
2005 e 2010, data em que este sector deverá representar mais de 80 milhões
de euros.
Neste estudo, a IDC concluiu que mais de 70% das empresas
nacionais têm
intenções de aumentar o seu investimento em segurança
da informação, apesar das barreiras ao investimento em segurança.
Presentemente, o principal obstáculo ao investimento está associado à dificuldade
que as organizações têm em determinar o risco real
que corre, factor apontado por 76,4% das empresas. O segundo factor apontado
como barreira à segurança é a dificuldade em justificar
internamente o investimento em segurança, referido por cerca de
40% dos inquiridos.
O lucro é o que move a criminalidade informática. Num ambiente
de ameaças em constante mudança, os decisores devem encarar
a segurança como uma obrigação.
Perante este cenário, é legítimo questionar se os
principais players de segurança em Portugal partilham e confirma
esta visão.
Antivírus não é suficiente para
proteger um sistema empresarial
João Caires, business director da Panda
Software Portugal, refere que no primeiro semestre de 2007 verificou-se
um aumento da venda de software no mercado de retalho e no das appliances,
tanto na tradicional oferta de secure content management como nos equipamentos
de unified threat management. Em relação ao mercado empresarial,
a percepção
deste responsável da Panda é que «existem algumas barreiras
ao crescimento em volume, dada a maior competitividade, originada pela
multiplicidade de novas ofertas, que acaba por ter como consequência
final o decréscimo do valor do mercado». Segundo este interlocutor,
o antivírus está a tornar-se num produto de comodity do ponto
de vista das empresas, que deixam de pesquisar e validar as propostas perante
indicadores de qualidade, serviço ou capacidade de gestão.
Miguel Brown, account manager enterprise da McAfee Portugal, salienta,
por seu lado, que neste primeiro semestre se observa que as empresas estão
a valorizar a segurança dos seus equipamentos, «devido ao
crescente número de ameaças». O responsável
da McAfee refere que cada vez mais os utilizadores estão cientes
de que «um antivírus poderá não ser suficiente
para proteger um sistema ou uma empresa». Os hackers mudaram o seu
modo de actuação, passando de uma fase de reconhecimento
e de prestígio técnico, para a fase das organizações
criminosas que visam um único objectivo – os lucros. Para
combater esta tendência torna-se necessário «enveredar
por um tipo de produtos e soluções diferentes e mais completas
do que as utilizadas hoje em dia pela maioria das organizações».
O responsável de Vendas da Trend Micro em Portugal, Filipe Rolo,
defende também que face ao aparecimento constante de novas ameaças
maliciosas, o mercado nacional de segurança tem apresentado um constante
crescimento. Neste primeiro semestre foi visível não só «na
forte aposta de clientes em novas tecnologias e soluções
anti-malware, como também nos elevados investimentos dos fabricantes
em laboratórios de pesquisa».
Pedro Sottomayor, customer solution architect da CA Ibéria, não
partilha a visão da maioria dos responsáveis consultados,
referindo o mercado nacional de segurança é «lento
e imaturo». Para este responsável, é normal que isto
aconteça uma vez que se trata «de uma matéria complexa
e para a qual as soluções estão, também elas,
em fase de grande evolução».
André Ribeiro, director-geral da RealSoft, empresa que em Portugal
representa a BitDefender, acredita que a aparição de um novo
sistema operativo da Microsoft «veio dinamizar bastante o mercado
de segurança informática, como acontece sempre que há uma
novidade deste tipo». O director-geral da RealSoft salienta que,
cada vez mais, «há uma maior consciencialização
da importância da segurança informática em si como
um conjunto de políticas a seguir».
Por seu lado, Júlio Rodrigues, responsável pela Unidade de
Negócio de Servidores e Ferramentas na Microsoft Portugal, menciona
que nos primeiros seis meses de 2007 o mercado teve um desempenho muito
positivo na área das infra-estruturas de segurança. «O
desafio que se coloca hoje às empresas ao nível da segurança é enorme,
dada a necessidade de protecção dum número crescente
de ameaças com níveis de sofisticação superiores»,
explica Júlio Rodrigues, salientando ainda que a procura de novas
funcionalidades e serviços a partir de múltiplos pontos de
acesso, bem como a crescente importância das soluções
de colaboração, dos sistemas de e-mail e dos portais internos
e externos à organização, «tem vindo a alargar
a superfície potencial das ameaças». Por estes motivos,
gerir soluções de segurança tornou-se num dos maiores
compromissos para muitas empresas, verificando-se «um aumento claro
de soluções nesta área».
Proteger todos
os activos
Em relação às perspectivas às tendências
que vão pautar os últimos seis meses de 2007, Mário
Machado, director business unit da Symantec Portugal, advoga que as soluções
de segurança tradicionais por si só, «não conseguem
resolver na totalidade os problemas de gestão de segurança
e informação». Por este motivo, é notória
uma procura crescente de soluções que circunscrevam toda
a empresa, que lhes proporcionem uma visão global centralizada,
gestão fácil e optimizada de toda a infra-estrutura de TI. «A
segurança dos sistemas de informação e da informação,
propriamente dita, não pode continuar a ser pensada nem executada
sem ter em conta a conformidade com políticas e regulamentações,
o armazenamento e a disponibilidade da informação»,
diz Mário Machado.
O segundo semestre é a altura do ano em que os produtores de soluções
de software de segurança actualizam as suas ofertas para o retalho.
Nesse aspecto, Raul Oliveira, director-geral da iPortalMais, empresa que
comercializa soluções da Kaspersky, espera «um bom
comportamento do mercado», quer ao nível do software quer
ao nível das appliances.
O responsável da
Microsoft, Júlio Rodrigues, acredita que a
gestão de segurança de conteúdos e a gestão pró-activa
de ameaças serão as principais áreas de investimento,
uma vez que são aquelas que apresentam uma forte taxa de crescimento.
Pedro Sottomayor, customer solution architect da CA Ibéria, acredita,
baseado nas estimativas dos analistas, que o mercado cresça acima
dos dois dígitos.
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