| |
ESTADO
DA NAÇÃO |
SECTORES
EM ANÁLISE |
|
Armazenamento
De
O mercado de storage está a
crescer a um ritmo relativamente lento. A procura
de soluções está centrada
na virtualização, segurança
e gestão dos dados
O armazenamento em Portugal tem vindo a registar crescimentos sustentados,
devendo valer entre os 50 e os 80 milhões de euros, conforme asseguraram
os especialistas contactados pelo Semana. Os dados da IDC revelam que em
2006, neste segmento de mercado, o hardware representou cerca de 58 milhões
de euros, registando um crescimento de 0,2%, A tendência de médio
prazo apresentada pelos analistas da IDC é de uma diminuição
de 0,6% até 2010.
No ano passado, o valor do mercado de software para armazenamento foi aproximadamente
de 13,2 milhões de euros, registando uma taxa de crescimento 10% até 2010.
Anabela Temes, marketing coordinator da EMC Portugal,
refere que o mercado de soluções de armazenamento «manteve
no primeiro semestre de 2007 a mesma tendência do ano anterior»,
no qual se verificou «um
amplo número de projectos associados a consolidação».
Outro aspecto relevante está ligado ao aumento da procura de soluções
de armazenamento em disco para arquivo de informação. Anabela
Temes afirma que há «uma maior sensibilidade dos utilizadores
em realizar abordagens mais estruturadas na construção das
soluções», dando como exemplos a análise do
perfil da informação e a utilização desse conhecimento
para o desenho de soluções de armazenamento estratificado.
Luís Guimarães, director de Marketing da Sun Microsystems
Portugal, salienta a existência de uma «tendência clara
do mercado em adoptar e implementar as melhores soluções
de storage existentes no mercado». Este factor está associado à correcta
gestão e armazenamento de dados, que se assume, cada vez mais, «como
um factor diferenciador e determinante para o sucesso e competitividade
das empresas«, explica o interlocutor da Sun.
No entanto, Luís Ló, country manager da Dell Portugal, constata
que, apesar do se tratar de um mercado que está em fase de crescimento
e consolidação, «o crescimento deste segmento de mercado
face ao ano anterior não foi propriamente espectacular».
Banca e serviços estão a investir
Por seu lado, a directora
da Systems & Technology Group da IBM Portugal,
Cristina Semião, destaca «a existência de vários
projectos em sectores como a banca ou os serviços» nos primeiros
seis meses de 2007, enquanto Vítor Duarte, StorageWorks Product
manager da HP Portugal, salienta que o crescimento neste sector se deveu
ao aumento da procura de soluções de consolidação
de armazenamento assim como das ferramentas de gestão do ciclo de
vida de dados (ILM) «de forma a que as organizações
possam classificar os dados activos dos não activos (informação
de referência), e adoptar diferentes políticas de acordo com
o valor da informação para o negócio». Este
responsável adianta ainda que as aplicações de gestão
de storage multivendor baseadas no standard SNIA e as soluções
de replicação de dados também registaram um aumento
da procura.
O director business unit da Symantec Portugal, Mário Machado, evidencia
uma crescente preocupação com a disponibilidade da informação
armazenada, sendo uma preocupação cada vez maior com a integração
de segurança e as regras de conformidade, armazenamento e disponiblidade
dos activos de informação corporativos. Por isso, este responsável
prevê que «este crescimento seja sustentado pela necessidade
de corresponder à regulamentação e às políticas
de conformidade presentes e que, tendencialmente, serão cada vez
mais restritivas».
Pedro Fidalgo, storage & mobility sales manager da Cesce SI, empresa
que em Portugal representa as soluções de armazenamento da
Hitachi Data Systems, diz que o comportamento do mercado nos primeiros
seis meses deste ano foi semelhante ao período homólogo de
2006, sendo que «as expectativas para a segunda fase do ano são
manifestamente interessantes».
Este responsável espera que nos últimos seis meses de 2007,
o mercado de storage em Portugal continue a evoluir em áreas como
o arquivo de dados, virtualização das infra-estruturas de
armazenamento, aplicações de gestão de sistemas e
infra-estruturas, replicação de dados e em projectos de DR,
devido à grande receptividade e consciência «que algumas
das novas abordagens tecnológicas têm nas melhorias do serviço
das organizações».
Tendência de mercado
no último semestre
O country manager da Dell Portugal entende que
há boas perspectivas
de negócio para o segundo semestre de 2007. «O mercado high
end está estável e detecta-se um crescimento das oportunidades
nas PME, as quais são o grupo empresarial mais representativo do
universo português de empresas». Em relação às
tendências que marcarão o mercado de armazenamento na recta
final do ano, Luís Ló destaca a tecnologia iSCSI, a qual
permite «construir redes de armazenamento a um menor custo e protegendo
o investimento nas redes existentes».
Por outro lado, o homem forte da Dell no nosso país dá especial ênfase
a «tudo o que gravita em torno do arquivo de dados», motivado
pelos requisitos da legislação que está em curso.
Luís Ló refere ainda «a necessidade da protecção
dos dados, a economia de escala nos recursos humanos e os processos de
virtualização dentro da soluções de armazenamento» como
factores que estimulam e favorecem o crescimento do desenho e implementação
de soluções deste tipo.
Por seu lado, Mário Machado comenta que a disponibilidade de soluções
conjuntas de hardware e de software continua a revelar-se «uma tendência
emergente», sobretudo através de appliances para o mercado
empresarial e com versões mais acessíveis e orientadas para
as PME. No entanto, o responsável da Symantec salienta que questões
como o armazenamento e a segurança «são frequentemente
relegadas para um segundo plano nas empresas de pequena e média
dimensão». No seu entender, estas organizações
optam por soluções tradicionais de armazenamento e segurança,
sem considerarem a conformidade, a disponibilidade e o armazenamento como
um todo.
Em relação ao desempenho deste mercado na segunda metade
de 2007, Luís Guimarães fala de continuidade da procura em
soluções de armazenamento em disco, armazenamento de ficheiros
(NAS), soluções de back-up e virtualização.
Anabela Temes, por seu lado, acredita que neste período poderão
ser decididos «projectos significativos e estruturantes que tiveram
início durante os primeiros meses do ano», nomeadamente, no
sector da administração pública.
Idêntica
posição tem a responsável da IBM, que
acredita que no segundo semestre «vão concretizar-se diversos
projectos já iniciados, que não se concretizaram durante o
primeiro semestre fruto do contexto económico que tem vindo a dilatar
em excesso o tempo de decisão nesta área tecnológica».
Este optimismo deve-se ao facto de as empresas preferirem cada vez mais soluções
de armazenamento que ofereçam potencialidades de «virtualização,
de segurança de acessos e uma gestão eficaz da informação
orientada para a continuidade de operações em detrimento de
caixas isoladas», conclui Cristina Semião.
|