Simplificar as TI para vencer no negócio
De José Pedro Carvalho*
Na Estratégia de Lisboa de Março de 2000,
o Conselho Europeu fixou um objectivo claro para a Europa: transformar a União
Europeia na «economia baseada em conhecimento mais competitiva e dinâmica
do mundo». Para que esta intenção se torne numa realidade,
as tecnologias de informação, pilar importante no cumprimento deste
objectivo, devem tornar-se mais simples e facilitadoras da forma como pessoas
e empresas comunicam ou negoceiam entre si.
Contudo, este não é o cenário que se encontra na maioria
das empresas em Portugal ou Espanha, ou mesmo um pouco por toda a Europa. Em
contactos com directores de TI de diferentes organizações e em
países tão distintos como França ou Grécia repetem-se
os mesmos comentários e áreas de preocupação. Entre
os problemas mais frequentes, onde a segurança também ocupa um
lugar de destaque, está invariavelmente um “monstro” consumidor
de recursos, que advém de anos de acumulada “evolução” e
que denominaria simplesmente por complexidade.
A maioria das empresas utiliza tecnologias de diferentes
gerações,
com versões nem sempre actuais e raramente homogéneas entre
si, muitas vezes de fabricantes distintos, para gerir bases de dados, redes,
aplicações de todo o tipo (batch, cliente-servidor ou web)
ou dispositivos sem fios, num constante aumento de complexidade que coloca
uma enorme pressão sobre a gestão das TI. Segundo dados recolhidos
por uma consultora especializada no sector, calcula-se que em cada dez
dólares gastos em TI, oito sejam empregues a resolver este problema,
sobrando muito pouco para investir em inovação e na criação
de uma vantagem competitiva que impulsione o crescimento do negócio.
Se a estes números juntarmos budgets cada vez mais limitados e o
número de horas dispendidas por técnicos e utilizadores na
resolução deste problema, obtemos um cenário verdadeiramente
assustador.
As TI deixaram de ter um mero papel de suporte para se transformarem num
dos reais motores do negócio. São elas que agilizam o funcionamento,
o desenvolvimento de novas iniciativas, o lançamento de produtos
no mercado e o aumento da produtividade dos empregados nas organizações;
por isso devem garantir o acesso seguro à informação
mais relevante e aos serviços que os utilizadores necessitam para
executar as tarefas que conduzem o negócio.
Gerir e assegurar o funcionamento deste complexo conjunto de tecnologias é por
isso um dos maiores desafios que se colocam actualmente aos CIO. Considero
que, na maioria dos casos, a solução não reside unicamente
em soluções tácticas como o aumento de pessoal qualificado
(actualmente encapotada através da subcontratação
a entidades externas) ou o incremento de capacidade tecnológica
instalada (mais e maiores servidores) mas sim em olhar para a questão
de uma forma mais estratégica que permita alterar o rumo e a tendência
em curso para algo que verdadeiramente seja uma evolução
em relação à situação actual. É necessário
garantir que os investimentos realizados com novas tecnologias respondem
aos objectivos da empresa, que os serviços prestados pelas TI tenham
a qualidade exigida, que se minimizam os riscos e se cumprem as normas
vigentes, em suma, que as TI aportam à empresa um valor que possa
ser quantificado em euros.
Colocar as TI a favor do negócio
Actualmente, assistimos a movimentações
no mercado que indiciam um futuro menos complexo, onde as TI estão
verdadeiramente alinhadas com o negócio. Embora este caminho já tenha
começado
a ser percorrido, os CIO e outros responsáveis de informática
devem continuar a lutar para conhecer cada vez melhor os objectivos e a
estratégia de negócio da empresa, de forma a desenvolverem
um plano de TI consonante com esses objectivos. É necessário
que analisem o portfolio de TI e estabeleçam prioridades para o
investimento que irá orientar a compra de novos serviços,
modificar os existentes ou inclusive suspender os investimentos que se
revelem pouco produtivos.
Sobretudo, é necessário que o CIO transforme a gestão
das TI, pensando e agindo de forma global, desde a estratégia e
planeamento, à prestação do serviço de TI e à segurança,
acabando com os silos de tecnologia e apostando na integração
como forma de simplificar a gestão das TI. É preciso reconsiderar
a forma de governo, gestão e segurança das TI nas empresas.
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VP & Area Manager, Southern EMEA na CA
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