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Semana Informática > Especial > Portugal longe da média europeia em investimentos em TI
 
 
ÍNDICE:
 Análise de mercado TI
Sector cresce muito acima do PIB nacional
Portugal longe da média europeia em investimentos em TI

 Sectores em análise
Um ano de crescimento comedido
Bases de dados
Business intelligence
Contact Centers
Enterprise resource planning
Formação
Gestão documental
Infraestruturas
Integradores
Outsourcing
Networking
Segurança
Servidores
Sistemas de Informação geográfica
Armazenamento
Telecomunicações
 Opinião
Simplificar as TI para vencer no negócio

 Internacionalização
Tecnológicas aumentam capacidade de internacionalização

 Modernização Empresarial
QREN fomenta investimento nacional

 Mercado de trabalho
Recrutamento de profissionais de TI no bom caminho

 Estudo Salários/Opinião
Salários de mãos dadas com currículos
SI do really matter!

 VOXPOP
Empresários pedem redefinição de objectivos do Governo
  ESTADO DA NAÇÃO ANÁLISE DE MERCADO EM TI

Portugal longe da média europeia em investimentos em TI
De

 
 

Jorge Coimbra, director-geral da IDC Portugal

O ano passado, o valor do mercado das tecnologias de informação cresceu sete pontos percentuais, totalizando 2,72 mil milhões de euros. A maioria do investimento foi canalizada para o hardware, o que significa que as empresas ainda estão a criar a infra-estrutura. Para 2007, a IDC estima um crescimento de 8,1%

Obter dados actualizados sobre o mercado nacional de tecnologias de informação e comunicação (TIC) é uma tarefa complicada e para alguns nichos é quase impossível.

A IDC é uma das poucas empresas que nos últimos dez anos se dedicou a acompanhar a evolução das TIC em Portugal, através de análises, estudos e seminários sobre o valor do mercado nacional, o seu desempenho e a forma como as diferentes tendências em tecnologias se reflectem nas opções dos decisores tecnológicos e na administrações de grandes empresas.


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Jorge Coimbra, general manager da IDC Portugal, e Gabriel Coimbra, research e consulting manager da IDC, explicam o desempenho do mercado nacional de TI, em 2006, e as estimativas de crescimento para 2007 (8,1%).

Em conversa com o Semana para esta edição especial do Estado da Nação, os dois responsáveis da IDC falam do mercado e da forma como os decisores e as nossas empresas se estão a preparar para enfrentar um mercado em constante transformação. Portugal continua atrasado em relação à média europeia e até 2010 não existem sinais de mudança. A este facto acresce ainda que o papel do CIO ainda é muito redutor na maioria das organizações nacionais.

Semana Informática – Quais as previsões da IDC para o desempenho do mercado nacional de TI em 2007?
Gabriel Coimbra – Normalmente, olhamos para o mercado das tecnologias de informação e comunicação através de dois grandes grupos. Um é composto pelas tecnologias de informação e outro diz respeito aos serviços de telecomunicações.
Faz mais sentido abordar só o mercado das tecnologias de informação, porque os serviços de telecomunicações são um valor muito elevado e distorcem a realidade do mercado. Portanto, em relação às TI, e aqui estamos a falar no mercado de hardware, software e serviços de tecnologias de informação, estimamos um crescimento de 8,1%.

S.I. – Esse crescimento assenta em que factores?
Jorge Coimbra – Este valor, relativamente superior ao que verificámos em 2006, é influenciado pela lenta recuperação económica. Não só em termos do crescimento do produto interno bruto como também pela criação de algumas novas empresas que se pretendam instalar em Portugal. Outro factor importante para este crescimento está associado a alguns dos novos investimentos que se têm vindo a fazer nalguns sectores-chave no mercado.

S.I. – Quais são as vossas previsões?
G.C. – As nossas previsões são feitas a médio prazo e, neste caso, estamos a falar de uma projecção até 2010. As estimativas apontam para uma taxa de crescimento média anual de 8,1% até 2010 em termos globais de hardware, software e serviços de TI.

S.I. – Como viram o desempenho deste sector em 2006?
G.C. – O ano passado houve um crescimento face a 2005 de 7%, o que corresponde a que no ano passado o valor desta indústria se situou nos 2,72 mil milhões de euros.

 

Gabriel Coimbra, senior research da IDC Portugal

Hardware representa a maior fatia do mercado
S.I. – Qual destas três áreas canaliza mais investimento?
G.C. – A maior fatia de mercado corresponde ao equipamento, ao hardware. Concretamente em relação ao hardware, o mercado registou receitas de 1,46 mil milhões de euros em 2006, o que corresponde a um crescimento de 8,4 face aos resultados de 2005. Para além de ser a área que corresponde a maior fatia de investimento, foi também a que registou um maior crescimento face a 2005, superando o software e os serviços.

S.I. – Existe alguma razão especial para se verificar esta situação?
G.C. – Cada vez mais incorporam-se novas soluções ao mercado de hardware, novos produtos que acabam também por, de certa forma, incluir algum software. Por exemplo, qualquer equipamento que compre já tem integrado software, quer os equipamentos de rede, os PC com o sistema operativo e um conjunto de outras aplicações. Depois, temos uma série de outros componentes que acabaram por entrar no mercado das TI e que antes não faziam parte deste grupo. É o caso das centrais telefónicas que hoje já contam para analisar as comunicações IP. Uma vez que passaram a integrar esta análise influenciaram o segmento do mercado de hardware fazendo com que ele cresça de forma mais significativa do que o mercado de software e serviços em Portugal. Outro exemplo idêntico é o caso dos smartphones.

S.I. – Pode exemplificar essa diferença?
G.C. – Antes, estes equipamentos não eram contabilizados como hardware e agora passaram a integrar as análises também, uma vez que estes dispositivos, em muitos casos, acabam por substituir os PDA tradicionais. A grande diferença é que os smarts phones possuem números de venda em Portugal muito superiores ao dos PDA. Estamos a falar de um valor próximo das 400 mil unidades para os smartphones, quando a média de equipamentos vendidos de PDA está entre as 20 e 25 mil unidades.

Atraso em relação à Europa
S.I. – O investimento em hardware está em consonância com a média europeia?
J.C. – Portugal tem algum atraso em relação ao desenvolvimento das tecnologias de informação face à média da Europa. Enquanto na Europa o software é o mercado que cresce a um ritmo mais acelerado, no nosso caso, apesar de o software estar a crescer a uma taxa bastante significativa, o hardware é quem canaliza a grande maioria dos investimentos realizados em Portugal.

S.I. – Como justifica esta situação?
J.C. – Os investimentos em hardware crescem mais porque ainda existem muitas empresas, quer de média, grande e principalmente de pequena dimensão, que ainda estão a implementar as suas infra-estruturas. É o caso dos equipamentos de redes ou dos PC e servidores. Portanto, todos estes factores contribuem para que o mercado de hardware em Portugal apresente uma taxa de crescimento bastante superior à dos restantes países da Europa Ocidental.

S.I. – Que leitura se pode fazer do nosso mercado com a predominância de investimentos em hardware?
G.C. – Tem uma leitura infelizmente negativa. Este facto significa que enquanto existia o esforço por parte das empresas para fazer o update das infra-estruturas ainda não houve nem o dinheiro nem o tempo disponível para investir nas aplicações ou no valor acrescentado associado à área de serviços. A tendência de investimento europeia aponta para maiores investimentos nos serviços e no software. Por isso, não podemos ver estes números com grande euforia.

S.I. – Quando poderá Portugal estar em linha com a média europeia em investimentos em TI?
G.C. – Não temos nenhuma indicação em relação ao mercado nacional de TI estar a dar sinais de uma mudança de comportamento nos investimentos. Continuamos a ver nos próximos anos um investimento superior em hardware face aos serviços e ao software.

 
  Os CIO ainda são vistos como o interlocutor
com os revendedores
de informática, o que
é uma visão muito redutora das verdadeiras atribuições de um administrador de TI

PC e servidores representam mais de 50% do mercado
S.I. ­– Qual é o produto ou a área que recebe a maior fatia do investimento em hardware?
G.C. – Actualmente são os PCs como um todo. Os desktop e os portáteis representam cerca de 40% do mercado. Acrescentando o valor dos servidores, estes equipamentos passam a representar mais de 50% do mercado.

S.I. – É uma tendência para continuar?
G.C. – Em função do que estivemos a falar sobre a introdução dos smartphones e dos sistemas de comunicação em IP nas análises de mercado associadas ao hardware, prevemos que nos próximos anos o crescimento venha desses componentes.

S.I. – O mercado de software correspondeu a quanto em 2006?
G.C. – No ano passado, este mercado representou cerca de 460 milhões de euros, registando uma taxa de crescimento de 5,9%.

S.I. – Como é analisado o software pela IDC?
G.C. – A IDC divide este segmento em três grandes grupos. O software aplicacional, e neste caso fala de ERP, CRM e ferramentas tipo Office. Segue-se o software de infra-estrutura, onde se incluem os sistemas operativos, sistemas de gestão de redes e o próprio software de segurança. Por último, estão as ferramentas de desenvolvimento que contêm bases de dados e outro software para o próprio desenvolvimento de aplicações de integração.

S.I. – Qual destas três áreas é a mais importante em termos de valor?
G.C. – A maior é sem dúvida o software aplicacional. Os ERP, CRM e as aplicações ofimáticas pesam cerca de 50% do mercado.
Mas em termos de crescimento o software de infra-estrutura, que representa cerca de 30% do mercado, é aquele que apresenta o maior potencial de crescimento nos próximos anos.

S.I. – Falta saber quanto representou o mercado de serviços em 2006?
G.C. – No passado ano, este mercado atingiu 813 milhões de euros, reflectindo um crescimento de 5,3 % face a 2005. Contudo, prevemos que até 2010 se verifique um crescimento deste sector mas a uma taxa inferior à verificada este ano.

S.I. – O que é contabilizado pela IDC como serviço?
G.C. – A IDC divide o mercado em cinco grandes grupos de consultoria. A consultoria estritamente relacionada com as tecnologias de informação, os serviços de implementação e integração de sistemas e os serviços relacionados com o suporte, onde se inclui o suporte ao hardware e ao software. Segue-se o suporte adicional ao software e ao hardware e à formação e, por último surge o outsourcing, que acaba por em alguns contratos incorporar os serviços de suporte ou os próprios serviços de desenvolvimento de aplicações do outsourcing que assume várias formas.

S.I . – A IDC inclui o BPO como serviço?
J.C. – Não. É muito difícil separar o outsourcing de processo de negócio relacionado com as TI do BPO de serviços tradicionais como os serviços de contact center ou o processamento de salários. É extremamente complexo fazer essa diferenciação, por isso, o valor referenciado dos 813 milhões exclui os serviços de BPO.

Prestação de serviços com demasiados intervenientes
S.I. – A cadeia de valor associada aos serviços está bem estruturada?
J.C. – É importante mencionar que no mercado dos serviços, à semelhança do que acontece com o hardware ou software, há uma diferença entre os gastos que as empresas ou os consumidores fazem em tecnologias de informação e as receitas das empresas. Existe uma cadeia de valor associado ao mercado de TI. Por exemplo, temos as empresas que fabricam os equipamentos, depois existem os distribuidores, os revendedores, os retalhistas e o consumidor final.
No caso do mercado de serviços, esta situação pode não parecer tão linear nem tão clara de identificar, mas também existe uma cadeia de valor bastante complexa e longa associada aos serviços.

S.I. – Isso quer dizer que existe muita subcontratação nos serviços em Portugal?
J.C. – Correcto. Os principais fornecedores de serviços são as empresas que realmente ganham os principais contratos mas depois constata-se que há muita subcontratação no mercado. Isto significa que a facturação das empresas que trabalham no mercado de serviços tem crescido de forma bastante mais significativa do que o próprio mercado, a uma taxa de 8%, quando o crescimento real do mercado de serviços ronda os 5%.

S.I. – Portanto, as empresas estão com margens cada vez mais reduzidas?
J.C. – Não só demonstra que a margem das empresas que actuam no mercado é cada vez menor devido à subcontratação. Esta subcontratação só aparece porque o mercado está cada vez mais competitivo e com margens cada vez mais apertadas. Se o mercado de serviços não crescer acima dos 4 a 5% significa que haverá várias empresas que actuam neste mercado numa situação bastante complicada.
Não há empresa de serviços que não reclame da consequência desta situação que está a provocar uma redução de preços que em alguns casos atinge valores incomportáveis para concorrer. Se o mercado está a pagar 100 e os custos da prestação de serviço são superiores devido ao excesso de subcontratação, então não é difícil constatar que num mercado com taxas de crescimento relativamente baixas, algumas empresas tenham a vida bastante complicada.  

 

CIO com pouca margem de intervenção
S.I. – O trabalho do CIO em Portugal está facilitado no futuro?
G.C. – Os Chief Information Officers no nosso país ainda se encontram num estágio muito verde. A maioria das vezes, a culpa é das empresas que ainda não entendeu qual é o papel que essa figura deve desempenhar no seio da organização. Os CIO ainda são vistos como o interlocutor com os revendedores de informática, quando na realidade deveria ser a interface junto das administrações e decisores entre o departamento de TI e o alinhamento com o negócio. Ainda existe uma visão muito redutora das atribuições do CIO.

S.I. – Qual deve ser o papel do CIO?
G.C. – Quando se fala de um responsável de sistemas de informação, normalmente, fica-se muito preso às questões operacionais estritamente relacionadas com as TI. Um dos pontos que gostaria de enfatizar no papel do CIO é saber traduzir as necessidades de negócio em função do desenvolvimento da área tecnológica.
Os CIO estão a concentrar a sua preocupação no IT Governance e nas questões do retorno do investimento. Isto implica associar todo o investimento que se faz em TI com o retorno concreto operacional de um negócio. Desta forma, a ligação do investimento em tecnologias de informação está intrinsecamente relacionado com negócio.

S.I. – Nicholas Carr esteve em Portugal e voltou a defender que o importante no sucesso de uma empresa é a boa gestão e não as TI. Concordam com esta teoria?
J.C. – Não há dúvida de que a gestão é a parte mais importante no sucesso de uma empresa. Por outro lado, tal como referenciámos, o papel do CIO é comparável ao de um gestor.
Entendemos que as TI poderão ser uma commodity e deixar de ser um factor diferenciador para as empresas nos próximos vinte anos. Em Portugal, e no resto do mundo, as grandes empresas ainda estão numa fase de estruturação e de entender o que realmente as TI podem fazer nas organizações. A partilha e modificação da gestão é um desses casos, porque os modelos de negócios estão a mudar muito rapidamente, devido à globalização, devido aos novos desafios que estão a chegar com novas empresas. Quem é que há cinco anos atrás ouvia falar do Google? Actualmente esta empresa possui um valor accionista superior ao da IBM. É uma situação absurda para muitos mas é uma realidade.

Internacionalizar é uma opção para muitas empresas
S.I. – Como analisam o número de empresas portuguesas que estão a internacionalizar-se?
G.C. – É um facto que nos últimos anos temos assistido a um número cada vez maior de empresas portuguesas de base tecnológica a internacionalizar-se. Mas é importante salientar que esta situação é uma tendência mundial. Vemos cada vez mais um número maior de empresas de base tecnológica trabalhando de forma global em todos os países, quer na Europa, quer na América e na Ásia.

S.I. – Estamos perante uma situação semelhante à vivida no final da década de 90 e início de 2000?
G.C. – Nessa altura assistiu-se a uma corrida à internacionalização que falhou. As empresas portuguesas de base tecnológica começaram a abrir escritórios, a fazer parcerias com o resto do mundo – voltamos à questão da gestão das empresas – com uma gestão muito mal feita. Estrategicamente, as empresas achavam que podiam globalizar-se e rapidamente entenderam que não tinham nem produtos nem serviços globalizáveis. As empresas perceberam que não tinham a menor hipótese de sucesso no mercado internacional.

S.I. – O mercado aprendeu com estes erros?
G.C. – Diria que sim. Estes exemplos serviram para que os gestores das nossas empresas tecnológicas, principalmente as de menor dimensão, começassem a ter uma gestão mais positiva e mais coerente para evitar este género de acontecimentos.

Num processo de internacionalização as empresas têm que ser muito bem geridas porque os negócios e as mudanças de mercado acontecem a uma velocidade muito grande e o tempo resposta é cada vez mais limitado. Se estas empresas não forem bem geridas de nada serve ter o melhor produto do mundo.

 Previsões de investimento para o mercado português
 
Peso em 2006
Crescimento 2005 - 2010
Sector Financeiro
24%
6,9%
Indústria
16%
6,9%
Transportes, Telecom, Utilities e Energia
13%
10,7%
Comércio
9%
6,0%
AP Central
9%
5,7%
AP Local
4%
6,4%
Saúde
2%
9,4%
Educação
4%
7,2%
Outros
21%
8,1%
Total
100%
7,5%
 
 
 
 
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