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Semana Informática > Especial > Tecnológicas aumentam capacidade de internacionalização
 
 
ÍNDICE:
 Análise de mercado TI
Sector cresce muito acima do PIB nacional
Portugal longe da média europeia em investimentos em TI

 Sectores em análise
Um ano de crescimento comedido
Bases de dados
Business intelligence
Contact Centers
Enterprise resource planning
Formação
Gestão documental
Infraestruturas
Integradores
Outsourcing
Networking
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Servidores
Sistemas de Informação geográfica
Armazenamento
Telecomunicações
 Opinião
Simplificar as TI para vencer no negócio

 Internacionalização
Tecnológicas aumentam capacidade de internacionalização

 Modernização Empresarial
QREN fomenta investimento nacional

 Mercado de trabalho
Recrutamento de profissionais de TI no bom caminho

 Estudo Salários/Opinião
Salários de mãos dadas com currículos
SI do really matter!

 VOXPOP
Empresários pedem redefinição de objectivos do Governo
  ESTADO DA NAÇÃO INTERNACIONALIZAÇÃO

Tecnológicas aumentam capacidade de internacionalização
De Fátima Caçador/Casa dos Bits

 
A estratégia empresarial virada para o mercado interno, que muitas empresas portuguesas cultivavam, está a ser gradualmente substituída por uma vontade crescente de competir a nível global

Definida pelos gurus da economia como um factor crítico para ganhar escala, a capacidade de internacionalização das tecnológicas portuguesas parece estar a aumentar e a dar resultados com números promissores. Os sinais de mudança da estratégia das empresas, com maior atenção ao mercado global, revelam-se nos números de crescimento das exportações, de forma geral, e mais especificamente, nos produtos de alta e média/alta tecnologia e trazem esperanças de uma alteração de ciclo da economia.


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Os valores divulgados na semana passada pelo Instituto Nacional de Estatística e a sua análise realizada pelo Gabinete de Estudos e Estratégia do Ministério da Economia confirmam a inversão da tendência de exportação de produtos de baixa tecnologia, que o coordenador do Plano Tecnológico, Carlos Zorrinho, reconhece como positiva. «A economia portuguesa voltou a crescer tendo como motor as empresas, as exportações e competitividade. É um crescimento saudável que não é originado no factor custo mas tecnológico, com as exportações a incorporarem cada vez mais tecnologia e os produtos a dirigirem-se a mercados mais sofisticados», adianta.
Nos primeiros meses deste ano uma tecnológica assumiu pela primeira vez a liderança nas exportações. O lugar de topo foi alcançado pela Qimonda (ex-Infineon) que tem actualmente a maior fábrica europeia de montagem e teste de produtos de semicondutores localizada em Vila do Conde. A empresa contribuiu em 10,7 por cento para a exportação de produtos portugueses, um facto reforçado pelo maior enfoque em produtos de maior valor acrescentado.

Carlos Zorrinho reconhece que a tendência de aumento das exportações com mais tecnologia é significativa mas que as mudanças serão progressivas. «À medida que as empresas evoluem para o desenvolvimento de produtos mais tecnológicos é preciso apostar na formação e nas competências da população para dar resposta a esta mudança de ciclo».

O Plano Tecnológico, uma das bandeiras do governo de José Sócrates, tinha definido como meta atingir os 11,4% de exportações de alta tecnologia até 2010. «Em dois anos já ultrapassámos essa meta, com o contributo das empresas […] O nosso objectivo agora é aproximar os valores da média europeia que se situa nos 17,8%», sublinha o coordenador do Plano Tecnológico».

Ventos favoráveis
O contributo das tecnologias da informação e comunicação para o crescimento das exportações de alta tecnologia é reconhecido pelo primeiro-ministro José Sócrates e por Carlos Zorrinho, que destacam a capacidade do sector e a confiança que tem mostrado na internacionalização. Mas, apesar do optimismo geral quanto à capacidade de mostrar competências fora das fronteiras, os líderes das tecnológicas portuguesas que avançaram para a internacionalização mostram-se cautelosos e atentos aos obstáculos que é preciso enfrentar.

Rogério Carapuça, presidente da Novabase, tem uma experiência de internacionalização relevante em todas as áreas de negócio da tecnológica, e partilha do optimismo revelado pelo primeiro-ministro. «De facto, a natureza das nossas exportações está a mudar significativamente para áreas de maior valor acrescentado. A intensidade tecnológica também está a aumentar. Esta tendência deverá ser confirmada no futuro e é muito positiva», afirma.

A empresa que lidera vendeu «81 milhões de euros fora de Portugal o que faz de nós, por larga margem, a empresa portuguesa que mais vende no estrangeiro no nosso sector», adianta o presidente da Novabase. A TV Digital assume o maior peso das receitas fora de Portugal (58,1% com 47,1 milhões de euros), seguindo-se a área de mobilidade (com 22,9%) e consulting (com 12,8%).

Também no topo das exportações de TI está a Altitude Software, reconhecida como uma das empresas portuguesas de TI com maior presença internacional já que garante 80% das suas receitas fora de Portugal, mantendo clientes em 58 países. A empresa de software está directamente em dez países, onde tem subsidiárias (Espanha, França, Bélgica, Reino Unido, Brasil, México, Estados Unidos, Canadá, Dubai e Israel), para além de escritórios de representação na República Popular da China e nas Filipinas.

Gastão Borges Taveira, presidente do Conselho de Administração e CEO da Altitude Software, mostra-se porém cauteloso quanto à tendência de Portugal se afirmar como um país de exportação de tecnologia. «Portugal ainda está numa fase incipiente de afirmação nessa dimensão. Existe claramente falta de massa crítica que permita afirmar o país nos mercados tecnológicos». No entanto, ressalva que «também é possível afirmar que se tem vindo a adquirir dimensão e se vão multiplicando os exemplos positivos nesta área».

Da mesma forma Rogério Paiva, da WeDo Consulting, considera que «apesar de Portugal ter todas as condições para tal, ainda é muito cedo para afirmar que somos um país de exportação de tecnologia». A WeDo Consulting anunciou recentemente o reforço da sua capacidade de prestação de serviços no Brasil com a aquisição de uma companhia local, a Tecnológica, que se dedica ao desenvolvimento e fornecimento de soluções de tratamento de dados para a indústria das telecomunicações e mantém representações no Rio de Janeiro, em São Paulo, Brasília e Salvador.

Para além desta compra, a empresa liderada por Rui Paiva tem apostado na área das telecoms, em especial com a oferta de revenue assurance, «tendo por base os hubs Ásia-Malásia, África e Médio Oriente-Egipto, América Latina-Brasil e México, Europa do Sul-Portugal e Espanha, CEE-Polónia e Holanda e Reino Unido».

Falta de dimensão e formação acentuam dificuldades
A par dos bons sinais de internacionalização que se espelham em muitos casos, as dificuldades também existem e centram-se sobretudo na falta de dimensão e na dificuldade de encontrar quadros com capacidade para dar resposta à necessidade de maior qualificação que diferencia os projectos.
«Ainda temos algum caminho a percorrer no sentido de consolidarmos a afirmação de sermos um país exportador de tecnologia» defende Luís Dias, administrador da Vantyx Systems, uma empresa que está presente em Espanha, Europa de Leste e Angola.  No entender deste responsável, «Portugal tem que actuar em dois vectores fundamentais: alargar de forma decisiva os seus mercados de exportação, variável procura, e criar condições internas, ao nível da formação de quadros, variável oferta, que sustentem o seu go to market; se não actuarmos nestas duas vertentes não passaremos, a médio prazo, de fornecedores de mercados de nicho».

Paulo Rosado, CEO da OutSystems, acrescenta ainda que embora o factor localização tenda a perder importância, as particularidades de cada mercado implicam um esforço e um investimento adicionais. «Os primeiros passos em cada mercado são difíceis, particularmente para as empresas nacionais. Tem havido passos positivos no apoio dado à internacionalização pelas entidades competentes mas há ainda um conjunto de medidas a tomar para nos colocar a par de outras estruturas existentes nos restantes países europeus».

Desde que a OutSystems foi criada em 2001 tem seguido uma estratégia de internacionalização e dois dos primeiros clientes da empresa são internacionais, um holandês e outro espanhol. Actualmente a empresa opera em Portugal, Espanha, Reino Unido, Holanda e Estados Unidos, tendo sido estabelecidas parcerias para outras regiões, por exemplo no Brasil.

A América Latina e os países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP), a par dos parceiros da União Europeia, continuam a assumir um peso significativo nas experiências de internacionalização das tecnológicas portuguesas, mas outros mercados não tradicionais, com os Estados Unidos, o Norte da Europa e o Extremo Oriente, começam a ganhar dimensão, oferecendo desafios de maior competitividade e mais especialização a que as empresas tentam responder.

Somando as oportunidades globais, multiplicando os factores positivos e deduzindo as dificuldades, a verdade é que ano após ano o número de empresas de TIC que assegura negócios internacionais está a crescer e os casos de sucesso se acumulam, até porque normalmente «dos fracos não reza a história» e é fácil esquecer os insucessos e as empresas que ficam pelo caminho.

 TIC como motor de crescimento da economia

«No último ano e meio, Portugal está a exportar mais e melhor, com mais valor acrescentado, e as empresas de tecnologias são das que contribuem mais para este crescimento», afirmou na semana passada o primeiro-ministro, José Sócrates, na abertura oficial da POR TI, a mostra de tecnologias da informação dinamizada pelo Ministério da Economia.

O chefe do Executivo reconhece que este é um sector dinâmico que quer competir no mercado global e que tem um contributo muito importante como motor da economia portuguesa. «Não há economia com futuro se não concentrar na inovação, no conhecimento e na modernização tecnológica o essencial do seu percurso. […] Se há uma área económica que bem representa o casamento entre a inovação, a tecnologia e o conhecimento é a das tecnologias da informação. E o país precisa de saber que tem um sector com capacidade, com talento, com energia e vontade sólida de trabalhar, no qual podemos confiar e apostar», sublinha José Sócrates.



 Produtos com alta intensidade tecnológica ganham peso

«Nas últimas duas décadas a estrutura das exportações portuguesas tem vindo a mudar, com a redução progressiva do peso de produtos de baixa tecnologia nas exportações – entre os quais se incluem os têxteis, pasta de papel e produtos reciclados – e o crescimento de vendas para o exterior de produtos de média/alta e alta tecnologia. Entre 1989 e 2001, o peso dos produtos com alta intensidade tecnológica triplicou e fixou-se nos 11,5 por cento, tendo subido para 12,5 por cento neste trimestre.

Os dados são os números de exportações declarados ao INE no primeiro trimestre de 2007, que revelam uma variação positiva face ao período homólogo de 2006 na alta e média/alta tecnologia, nas exportações de produtos industriais transformados, o que sustenta e reforça a tendência anterior.

Nas categorias de alta intensidade tecnológica são considerados produtos relacionados com equipamentos de escritório e computação, de rádio, TV e comunicações, a par com a aeronáutica, produtos farmacêuticos e instrumentos médicos. Já na média/alta tecnologia integram-se as máquinas e aparelhos eléctricos, assim como veículos a motor e produtos químicos.

A propensão para a redução de exportações de baixa e média baixa intensidade tecnológica (como têxteis, pasta de papel e produtos reciclados) é cimentada nos últimos trimestres. Ainda assim, o seu peso relativo é superior ao das restantes categorias, somando nos primeiros três meses do ano de 2007 mais de 56% do total das exportações – 35,1% para a baixa tecnologia e 21,6% para a média baixa – enquanto a alta tecnologia assume um peso de 12,3% e a média/alta de 31%.


 
 
 
 
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