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Recrutamento de profissionais de TI no bom caminho
De S.I./eWeek
Apesar de o desemprego atormentar a economia do País,
o mercado de trabalho para profissionais da área tecnológica
continua a evoluir positivamente
O mercado de tecnologias de informação constitui actualmente
um dos sectores mais dinâmicos em Portugal, continuando a ser extremamente
apelativo e recompensador para os profissionais deste sector. «É um
sector que tem tido um crescimento ainda moderado, mas bem visível,
no qual se registou um aumento progressivo do número de processos
de recrutamento e selecção desenvolvidos ao longo dos últimos
trimestres», afirma o responsável da Michael Page, Nuno Troni.
Algumas empresas a actuar no mercado de recrutamento afirmam que, com o fim da
OPA da Sonaecom sobre a Portugal Telecom, o mercado de recrutamento para as TI
sofreu uma ligeira aceleração, nomeadamente, no sector das telecomunicações.
De acordo com a Michael Page, durante o ano de 2006 e
o 1º trimestre
de 2007, a função de account manager foi a mais procurada,
tanto por empresas de hardware, como de software, serviços ou consultoria.
Os processos de account manager representaram cerca de 55% do número
total de processos desenvolvidos para empresas de TI, sendo que em metade
destes processos o nível de experiência requerido para a função
era já elevado – entre 5 a 9 anos de experiência. O
account manager tende a evoluir para duas funções distintas – business
development manager ou sales manager.
«Trata-se de uma posição extremamente exigente, em que é fundamental
uma licenciatura em engenharias ou gestão, experiência alargada
na venda de uma determinada solução/produto, aliado a um conhecimento
profundo de uma área de negócio específica, como banca
e seguros ou telecomunicações, entre outras», explica o
mesmo responsável.
O segundo perfil mais procurado (cerca de 20% do total) foi o de channel
manager, sendo que a designação da posição
pode variar de empresa para empresa. Trata-se de uma posição
que tem sofrido uma evolução bastante significativa, passando
de um profissional que anteriormente lidava apenas com o canal, descurando
muitas vezes o cliente final, para um perfil de um profissional que para
além de manter uma ligação bastante estreita com o
canal, o apoia na identificação, negociação
e conclusão de novas oportunidades de negócio junto do cliente
final. O perfil de pre-sales é também um dos mais requisitados
por parte das empresas, sendo exigido um forte background técnico
aliado a uma apetência comercial consistente.
A par dos account manager e channel manager, realçam-se ainda as
funções de business development manager, sales manager e
technical account manager, embora com uma menor procura.
Relativamente ao core business das empresas que mais têm recrutado
em Portugal, a Michael Page revela que as da área de software, com
destaque para as que actuam nas áreas de business intelligence,
hardware e integradores, são os maiores contratadores.
No campo das oportunidades nas telecomunicações, a Grafton
Technologies revela que os engenheiros nas áreas de ADSL, optical
e IP foram os mais procurados.
O anúncio de imprensa continua a ser o principal canal de recrutamento,
No entanto o division manager da Grafton Technologies, Marco Gomes, afirma
começar a notar-se uma sensibilização das empresas
para recorrer a consultoras na área de recrutamento especializado. «Estas
empresas não só têm profissionais identificados com
as competências pretendidas, como também têm mecanismos
que permitem, de uma forma rápida e eficaz, encontrar o profissional
certo», explica este responsável.
Os portais corporativos, os portais de emprego online são outros
dos canais destacados pela section manager da Hays Information Technology,
Anabela Silva.
Quando se trata de perfis juniores, esta responsável refere que
são muito valorizadas as parcerias com universidades de referência.
As faculdades são um dos grandes fornecedores de recursos e é lá que
muitas empresas vão buscar profissionais qualificados, ou procurar
juniores para moldar à imagem do seu negócio. A Faculdade
de Ciências da Universidade Nova é um desses pólos.
Por exemplo, o quinto ano de formação do curso de Engenharia
Informática do Departamento de Informática da FCUL, ou o
segundo ano do mestrado em Engenharia Informática (com a adaptação
do processo de Bolonha) é, no entender da faculdade, «um veículo
privilegiado para a colocação no mercado de licenciados em
engenharia».
As feiras de emprego organizadas pelas universidades são outro dos
canais que permitem o contacto com o mercado empregador. A FCUL organiza
anualmente um jobshop de informática - Informania – com o
objectivo de promover o primeiro contacto entre os alunos e o mundo empresarial. «A
Informania é o espaço por excelência para as empresas
conhecerem os finalistas da FCUL e divulgarem as condições
que oferecem para a realização de projecto em engenharia
informática», assume a professora do DI-FCUL, Ana Afonso.
De acordo com esta docente, nos últimos anos, a oferta tem excedido
o número de alunos finalistas. No ano lectivo de 2005/2006 foram
registadas 124 ofertas de emprego para um universo de 50 alunos e no último
ano 2006/2007 foram feitas 212 ofertas para cerca de 80 alunos.
Quando o mercado procura profissionais com requisitos específicos,
encontra-se já bastante generalizado o recurso aos chamados head
hunters, ou ao executive search. «Enquanto que na última década,
as empresas recorriam a executive search para perfis de top management,
hoje, esta metodologia é empregue para várias posições,
independentemente da senoridade dos candidatos», esclarece o responsável
da Michael Page.
Geralmente, na área das TI, quem recorre aos serviços de
executive search são empresas multinacionais ou nacionais de dimensão.
De acordo com o director-geral da Hire&Trust, Nuno Fraga, «os
perfis mais procurados agrupam-se em duas grandes áreas: comercial
e gestão de projectos».
Quanto aos critérios mais privilegiados pelos contratadores, a partner
responsável pela área de executive search do Eurogroup, Dalila
Almeida, destaca o «bom conhecimento técnico actualizado e
os excelentes skills relacionais». Segundo ele, as competências
de comunicação, relação interpessoal e liderança
são alvo de uma ponderação, cada vez mais, elevada
durante a avaliação de perfis.
Portugal é reconhecido pelos especialistas em executive search
como um mercado de talentos na área das TI. «Ao nível
do top management existe um número relativamente interessante de
talentos, alguns inclusive com reconhecimento internacional», confirma
o managing partner da Boyden, Luís Melo.
De acordo com este responsável, existem empresas estrangeiras, nomeadamente
nas áreas SAP, que procuram recursos portugueses pelo facto de
os considerarem não apenas bons tecnicamente e com potencial de
crescimento, mas também por estes poderem ser «atraídos
por packages salariais mais baixos do que os profissionais dos países
de origem dessas empresas».
Em relação aos estrangeiros que enviam CVs para trabalhar
em Portugal ao nível do top management, Luís Melo diz que
são maioritariamente americanos.
| Empresas
de mãos dadas com universitários |
O recrutamento nas faculdades é uma opção
para muitas empresas tecnológicas que actuam no mercado
nacional. Actualmente, as grandes empresas criaram programas
específicos para executar esta estratégia. A Novabase
institucionalizou o Novabase Academy e através dela recruta
anualmente o «melhor talento existente à saída
das principais universidades portuguesas», refere a directora
de recursos humanos da empresa, Ana Maçarico.
O HP University é outra das iniciativas nesta área. Promovido pela
HP em todo o mundo, este programa visa acolher candidatos recém-formados
para participarem num programa de 10 semanas de formação, antes
de integrarem a HP Portugal. «A HP gosta de atrair novos talentos com vontade
de experimentar o mundo empresarial na área das tecnologias», justifica
a directora de recursos humanos da HP Portugal, Ilda Ventura.
As vantagens são muitas, mas a que mais salta à vista é a
facilidade de formar alguém à medida das empresas. «Desta
forma consegue-se ter a certeza de que vai desempenhar as tarefas de acordo com
a linha definida pela empresa», afirma o director-geral da PHC, Ricardo
Parreira. |
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