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Semana Informática > Especial > Empresários pedem redefinição de objectivos do Governo
 
 
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Empresários pedem redefinição de objectivos do Governo
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Empresários pedem redefinição de objectivos do Governo
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Sensivelmente a meio do mandato governamental, o movimento Compromisso Portugal defende que existem metas difíceis de atingir

Concluída a primeira metade da legislatura (2005-2007), o movimento Compromisso Portugal – que integra uma série de empresários lusos – avança com um balanço do trabalho entretanto feito e aproveita para pedir ao Governo uma redefinição dos objectivos a concretizar até 2009. No entender de um dos porta-vozes do movimento, António Carrapatoso, esta alteração de objectivos deverá ser feita não só «tendo em conta o que ainda falta cumprir», mas também porque «o mundo mudou e as condições são agora outras».


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O também presidente da Vodafone Portugal considera que se deverão, «eventualmente, reajustar metas que seriam demasiado ambiciosas» e, ao mesmo tempo, «confirmar outras que se pretende ainda alcançar, bem como detalhar as medidas concretas que vão ser tomadas até ao final da legislatura». Este responsável aproveita para sublinhar que o facto de Portugal ter assumido a presidência da União Europeia «não deverá servir de pretexto para se abrandarem as reformas que têm vindo a ser feitas em Portugal».

Apesar de considerar que este «tem sido um dos Governos com maior ímpeto reformista nos últimos tempos», o movimento sublinha que a equipa liderada por José Sócrates «manteve um distanciamento grande em relação à sociedade civil». Face a esta realidade, torna-se urgente «uma aproximação», encontrando-se, nomeadamente, «meios de explicar eficazmente as medidas que vão sendo tomadas», referiu Rui Ramos, também membro do movimento Compromisso Portugal.

Por seu turno, Carrapatoso aproveitou para sublinhar que o investimento feito em Portugal se tem mantido «muito baixo», tornando-se necessário tomar medidas de apoio, nomeadamente através «da flexibilidade laboral e pela criação de vantagens fiscais». Este empresário sublinhou que a qualificação de recursos humanos não será, a curto prazo, «um factor diferenciador para o nosso país, pelo que se torna necessário apostar em opções alternativas».

O Compromisso Portugal analisou quatro dos cinco eixos estruturantes do Programa do Governo: a necessidade de retomar o crescimento da economia de forma sustentada; de reforçar a coesão social; de melhorar a qualidade de vida dos portugueses e de fazer da Justiça um instrumento ao serviço da plena cidadania.

No caso do primeiro vector, a probabilidade de conclusão das principais medidas está longe do óptimo, diz o movimento. Na verdade, a meta de crescimento potencial de 3 por cento na legislatura deverá atingir 2009 a menos de metade do caminho. Por seu lado, a recuperação de 150 mil postos de trabalho «perdidos na legislatura anterior» deverá ter uma concretização a rondar os 50% até 2009. Para já, foram criados 41 mil postos de trabalho. Também a promessa de desburocratizar e manter um bom ambiente de negócio não tem conhecido grandes desenvolvimentos, uma vez que o movimento, recorrendo a dados do «Business Competitiveness Índex», refere que Portugal manteve em 2005 e 2006 o 28º lugar no ranking do Índice de Qualidade do Ambiente de Negócios.

No que diz directamente respeito às tecnologias de informação e comunicação (TIC), o Governo propunha-se transformar o País «numa moderna sociedade do conhecimento, melhorando o ranking de uso das TIC». O movimento Compromisso Portugal entende que chegaremos a 2009 muito longe dessa realidade e deixa como exemplo os mais recentes dados do Fórum Económico Mundial (WEF), segundo os quais o nosso país perdeu um lugar no uso das TIC entre 2005 e 2006, caindo da 27ª para a 28ª posição.

Outra meta importante estava relacionada com o reforço do investimento em I&D para 0,78% do PIB no sector privado e 1% no sector público. Feitas as contas, diz o movimento que seria o mesmo que «triplicar o investimento dos privados e duplicar o das instituições públicas». Mas, mais uma vez, «a realidade está longe do que foi prometido», sublinhou um dos membros do Compromisso Portugal, Joaquim Goes. De acordo com os dados mais recentes do Eurostat, utilizados aqui pelo movimento, e referentes a 2005, o sector privado «investiu apenas 0,29% e o público 0,43%».

Destaca-se, pela positiva, a medida relativa à redução do deficit público. Diz Joaquim Goes que até 2009 «as perspectivas são boas», mesmo porque «a estimativa para 2007 é que o deficit atinja os 3,3%».
No caso do segundo eixo, o aumento da formação profissional e aprendizagem ao longo da vida «está no bom caminho», ao passo que para a «convergência ambiental com a Europa», – correspondente ao terceiro eixo – as perspectivas de concretização efectiva «são menos boas».

Em matéria de Justiça, são vários os cenários que se mantêm inalterados, como «o congestionamento processual e as medidas no âmbito da acção executiva» mas o movimento dá sinal positivo ao trabalho feito «em prol da eliminação da burocracia, com a criação do cartão único do cidadão, da empresa na hora e com a simplificação de controlos de natureza administrativa».

 
 
 
 
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