| |
ESTADO
DA NAÇÃO |
SECTORES
EM ANÁLISE |
|
Business Intelligence
De
O status actual do mercado não engana. As ferramentas
de BI continuam a ser maioritariamente adoptadas pelas grandes empresas.
O grosso do tecido empresarial português continua a ter outro tipo
de prioridades
À margem de prognósticos do crescimento acelerado e do boom
que os analistas anunciavam para 2006 e da consolidação de
alguns players, o mercado nacional de BI continua a ser apontado como emergente.
De acordo com o director-geral do SAS Portugal, Álvaro de Faria, em
Portugal existem «assimetrias evidentes na maturidade do BI».
Esta realidade é muitas vezes justificada com a dimensão do tecido
empresarial, com a falta de visão estratégica dos gestores ou com
a pouca margem para investir. «Os movimentos de consolidação empresarial
a que se assiste nesta área, a alteração de prioridades
dos clientes a par das transformações nas propostas de
valor das empresas conduzem-nos a uma situação bastante difusa»,
justifica o account manager da Information Builders, António Mendes.
O certo é que algumas empresas que actuam neste mercado
no nosso país pouco têm feito para motivar o interesse dos
clientes e, em muitos casos deixam que a sua incoerência estratégica
e a dança de cadeiras interna comprometa a sua imagem e o próprio
desenvolvimento do mercado. Até que ponto este clima de aparente
instabilidade afectará o desenvolvimento do mercado nacional e a
credibilidade dos fornecedores? As opiniões divergem e esta questão
pode facilmente ser relegada para segundo plano, ultrapassada por outras
que se levantam e que são igualmente pertinentes, nomeadamente,
a da qualidade das soluções ou da especialização
de quem implementa. Mas estas não anulam o problema.
Os especialistas consideram que a penetração do BI nas empresas,
inclusive nas de maior dimensão, é baixa, chegando estas
ferramentas apenas a 20% dos funcionários. De acordo com diferentes
analistas o valor nacional do mercado de BI em 2006 foi de aproximadamente
27 milhões de euros. No entanto, este valor diz respeito apenas à tecnologia
de infra-estrutura (exclui as soluções), ou seja, o conjunto
do mercado de data integration, BI, intelligent storage e analytics.
Algumas das empresas que abordam este mercado em Portugal, como o SAS,
a Microstrategy e a Information Builders, acreditam que 2007 será um
ano de surpresas no sector. Segundo Álvaro de Faria, o primeiro
semestre do ano foi um bom indicador de recuperação, com
a procura de soluções globais de BI a crescer em três
vectores. «Notou-se o crescimento e desenvolvimento de soluções
e tecnologias por parte de clientes já existentes, bem como a conquista
de novos clientes em diferentes indústrias. Por fim, foi clara a
adopção crescente dos serviços profissionais e metodologias
de implementação (IEM, BICC, ITIL), por parte dos clientes»,
explicou este responsável.
Neste pseudo-ambiente de crescimento, os analistas apontam uma tendência
de procura de tecnologia global e integrada e não de ofertas restritas
e parcelares, o que talvez justifique a o desnorteamento de alguns fornecedores.
«Verifica-se que existem oportunidades de melhoria em diversas áreas
como seja a integração de BI com processos e sistemas numa perspectiva
SOA, a articulação entre planeamento estratégico e planeamento
financeiro e que existem iniciativas relevantes na área da monitorização
operacional dos processos de negócio», revela o account manager
da Information Builders.
Para as organizações que já investiram em BI, este
responsável prevê a consolidação dos seus investimentos
anteriores, que «não podem ser questionados de ânimo
leve e por isso as evoluções tendem a ser lentas».
Quanto a tendências, o SAS assume claramente que o crescimento do
negócio será concretizado em quatro frentes, que são
as de customer management, de performance management, de risk management
e de information management, com enfoque nas indústrias e nas práticas
e metodologias de serviços, como o Business Intelligence Competency
Center (BICC). «Responde-se de forma inequívoca, a quatro
grandes necessidades das organizações: gestão da performance,
potenciação de receitas, redução e controlo
de custos e gestão de risco», afirma Álvaro de Faria.
O sales director para Portugal da Microstrategy Ibérica, Nuno Esculcas,
estima que o valor de mercado de Business Intelligence em Portugal (OLAP
e DM) em novas licenças, atinja os 9 milhões de euros. «Em
geral, o ano de 2007 será um bom ano para este tipo de tecnologia
e a tendência é para maior procura nesta área»,
prevê este responsável.
Mais cauteloso, o account manager da Information Builders calcula que
o valor de investimentos em novas licenças deverá situar-se
nos 5 milhões de euros em 2007, mas considera que a grande
revelação será a componente de serviços com
um total de investimentos a ultrapassar 20 milhões de euros em 2007.
O
SAS Portugal espera que o negócio no segundo semestre de 2007 assente
no aumento do investimento dos clientes já existentes, o que segundo Álvaro
de Faria representa «um claro indicador de fidelização».
Depois do crescimento de 28% em 2006 e do volume de negócios na ordem
dos 9,12 milhões de euros, espera-se, no final deste ano, «ultrapassar
a barreira dos 10 milhões de euros de volume de negócio com
uma taxa de crescimento de dois dígitos face a 2006».
|