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Semana Informática > Actualidade > Portugal decide formato para documentos Office
 
 
Portugal decide formato para documentos Office
De Cristina A. Ferreira/Casa dos Bits
Semana nº 848 de 27 de Julho a 2 de Agosto de 2007


 
 
Steve Ballmer, CEO da Microsoft
A análise do formato proposto pela Microsoft para os documentos Office tem gerado polémica nos 104 países afectos à ISSO

É conhecido na próxima terça-feira o sentido de voto português à proposta de norma da Microsoft para os documentos estruturados. O formato (OpenXML) foi colocado à consideração da Organização Internacional de Estandardização (ISO) e tem vindo a ser analisados nos 104 países afectos à organização.

Em Portugal, a tarefa cabe ao Instituto Português de Qualidade (IPQ) que, por se tratar de uma questão relacionada com a área de tecnologias de informação, a delega no Instituto de Informática, organismo afecto ao Ministério das Finanças. Tal como na maioria dos restantes países envolvidos, o processo também tem gerado polémica no nosso país.


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A comunidade open source é a principal opositora à aprovação da norma proposta pela Microsoft para os documentos Office, já usada pela empresa no Windows Vista. Um pouco por todo o mundo têm circulado petições e sido alinhadas estratégias de pressão às representações nacionais do organismo de normalização. O objectivo é sensibilizar a indústria para o facto de já existir uma norma para o mesmo fim, validada pela ISO e em adopção pela indústria.  

Os apoiantes do OpenDocumentFormat, aprovado pela ISO em 2005, garantem que o OpenXML não reúne os critérios necessários para se transformar numa norma ISO e acusam a empresa de usar todo o seu poder de persuasão para impor ao mercado um formato proprietário, não totalmente aberto e que poderá vir a gerar problemas de patentes às empresas que o tentem implementar.

Na petição portuguesa – com cerca de 1300 assinaturas até à altura de fecho desta edição – são sintetizados os principais argumentos contra OpenXML. A principal questão refere-se ao facto de a norma não estar completamente documentada, o que alegadamente impedirá a sua implementação sem recurso a terceiros.

Numa perspectiva menos técnica, os opositores à normalização do OpenXML acreditam que a luz verde da ISO, combinada com a penetração dos produtos Microsoft irá acelerar fortemente a sua adopção e tornar o formato dominante. Este “Sim” terá eco nas decisões dos governos e em última análise do mercado, quando decidir que norma adoptar para os documentos Office.

A Microsoft contra-argumenta referindo que o OpenXML é um formato completamente aberto, não apenas seu mas de uma comunidade que tem promovido o seu desenvolvimento segundo critérios que cumprem todos os requisitos para a normalização. A empresa recorda que o OpenXML já foi normalizado pela ECMA e acrescenta que noutras áreas da indústria também coabitam mais do que uma norma (Blu-ray/HD-DVD, por exemplo).

Em última instância, para a Microsoft não devem existir barreiras artificiais à entrada do que considera ser um contributo positivo para o desenvolvimento do mercado. A decisão deve ser do mercado que perante os dois formatos optará pelo que melhor satisfizer as suas necessidades.

O parecer português será conhecido no próximo dia 31 de Julho e resultará da votação da Comissão Técnica (CT) – fortemente criticada pela comunidade open source por alegada proximidade à Microsoft – formada pelo Instituto de Informática. Inicialmente formada por oito membros votantes, a composição da CT foi alargada para 18 vogais representantes de empresas e instituições ligadas às TIC na reunião decorrida a 16 de Julho.

De fora ficaram seis entidades interessadas em garantir voto no processo onde se incluem a IBM e a Sun, que criticam a decisão, alegadamente tomada por falta de espaço na sala e posteriormente confirmada por uma votação da CT que decidiu estabilizar no número actual os membros da comissão responsável pela votação, explica Miguel Sales Dias, presidente da CT.

Nesta última reunião foi também votado o adiamento da votação para uma próxima data, de forma a garantir um período de reflexão. O Instituto de Informática – a quem compete propor membros para a comissão – remete para o presidente da CT esclarecimentos sobre uma possível nova alteração do número de votantes na proposta. Este explica que legalmente é possível essa alteração mas não revela se o tema será novamente votado.

 
 
 
 
 
     
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