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Assembleia da República adopta software livre
De Fátima Caçador / Casa dos Bits
Semana nº 854 de 12 a 18 de Outubro de 2007


 
O projecto de resolução, da autoria do Partido Comunista Português, vai baixar à comissão respectiva onde recebe nova redacção

Foi aprovada a proposta do Partido Comunista Português para a disponibilização de open source na AR. A par desta, o PC apresentou também um Projecto de Lei que pretendia a criação de uma Comissão Nacional de Tecnologias da Informação e Comunicação, o qual acabou por ser rejeitado com os votos negativos do Partido Socialista (PS) e a abstenção do Partido Social Democrata (PSD).

O projecto de resolução da autoria do Partido Comunista Português parte da ideia de que o Parlamento pode e deve dar o exemplo na implementação das medidas aprovadas na Resolução 66/2004, onde se recomendava a adopção do software livre pela administração pública. No documento que o PCP propôs eram definidos prazos para as várias medidas propostas, sendo que a instalação do software aberto, a formação aos funcionários e o desenvolvimento do plano de migração, assim como a adopção de documentos de formato aberto deveriam acontecer ainda nesta sessão legislativa (que decorre até Julho de 2008).


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As propostas de alteração apresentadas acabaram por modificar muitos dos princípios definidos no projecto inicial, embora garantindo a possibilidade de os deputados optarem por instalar software livre em vez de software proprietário se assim o desejarem, seja em sistema operativo, seja em ferramentas de produtividade. Ficou ainda definida a facilitação do acesso aos documentos disponibilizados pela AR para quem utiliza software livre, mas não é ainda conhecida a formulação final deste artigo nem qual o formato a utilizar.

Durante a discussão do projecto de resolução todos os partidos se mostraram sintonizados com a ideia de liberdade de escolha do software. Bruno Dias, deputado do PCP e um dos signatários da proposta, defendeu a importância de garantir dentro da Assembleia da República a possibilidade de opção entre software proprietário e software livre. Lembrou ainda que as opções propostas seguem recomendações aprovadas pela Assembleia da República para a administração pública nesta matéria em 2004.

Apesar das emendas introduzidas, o deputado congratulou-se com a aprovação, sublinhando que a possibilidade de uso de um formato aberto e a liberdade de escolha do software ficam garantidas, embora nos termos «mais tímidos e mais cerimoniosos» que foram propostos pelos outros partidos.
Falando «da submissão e do medo dos deputados em enfrentar os interesses das grandes corporações», o deputado afirma ainda que o texto final não tem «o alcance e as medidas que deveria ter», porque «o PS e a direita se entenderam e impuseram alterações» que, segundo Bruno Dias, desvirtuaram o que o PC pretendia ver aprovado.

Também depois da votação, o deputado Afonso Candal, do PS, sublinhou que no documento aprovado foram realizadas «diversas e inúmeras propostas de alteração», o que transformou «aquilo que era uma iniciativa enviesada numa proposta global».

Já anteriormente, Vítor Hugo Rodrigues, deputado do PS, tinha defendido um «mix favorável» com o princípio da liberdade de opção do utilizador e da neutralidade tecnológica, lembrando as várias iniciativas desenvolvidas pelos Governos do Partido Socialista onde estes princípios estavam implícitos, explicando que a bancada se «revê na filosofia do processo que está em análise».

Comissão para TIC chumbada
Ao contrário da resolução para o software livre, a proposta de lei para a criação de uma comissão nacional de TIC acabaria por ser chumbada com o voto negativo do PS e a abstenção do PSD, apesar de reunir os votos favoráveis dos restantes partidos políticos.

Vítor Hugo Rodrigues, deputado do PS, opôs-se à criação de uma nova comissão que, na perspectiva dos socialistas, só viria criar mais burocracia e seria redundante em relação a outras estruturas já existentes, como o Gabinete do Plano Tecnológico, o Conselho Económico e Social e o conselho consultivo do Plano Tecnológico.

Alda Macedo, do Bloco de Esquerda, e João Rebelo, do CDS/PP, opuseram-se porém a esta ideia, já que nestas estruturas é o Governo quem decide quem deve participar.

 
 
 
 
 
     
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