Governos devem procurar tecnologias abertas
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Semana nº 864 de 21 de Dezembro 2007 a 10 de Janeiro de 2008
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Hellmuth Broda director e european chief technology officer, Strategic Insight Office da Sun Microsystems |
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Necessidade de avançar com projectos de identidade federada, de simplificar as aplicações e tornar as TI mais verdes são outras das temáticas fundamentais para a Sun Microsystems
«Nós estamos em perigo de repetir o grande incêndio da biblioteca de Alexandria, já que insistimos em armazenar informação de forma a que possa ser lida apenas pela aplicação que a escreveu». O exemplo extremo é referido ao Semana por Hellmuth Broda, director e european chief technology officer, Strategic Insight Office da Sun Microsystems, para defender a necessidade de os governos avançaram com a adopção de standards abertos.
Broda lembra que as aplicações proprietárias estão por todo o lado, «e isso torna-se extremamente perigoso». Ao contrário, se se optar por adquirir uma aplicação de standard aberto, qualquer governo sabe, à partida, «que a pode vir a substituir, em qualquer momento, por outra que seja totalmente compatível», ao mesmo tempo que se garante «uma efectiva interoperabilidade entre aplicações de diferentes instituições».
O responsável da Sun aproveita para aludir às vantagens da utilização de tecnologia open source. Na verdade, diz Hellmuth Broda, «o open source permite que terceiros olhem para o código da aplicação e saibam como é que esta foi escrita», o que é visto por este responsável «como uma enorme vantagem».
O director da Sun sublinha que «os governos têm a obrigação de dispor de aplicações que tornem a informação disponível a todos e no longo prazo» e isso só será possível se estivermos a falar «de tecnologias e standards abertos».
Mas Hellmuth Broda fala ainda em outros três pontos que devem, necessariamente, ser tidos em conta pelos governantes dos dias de hoje: gestão de identidades e identidade federada, simplificação das aplicações, e green IT.
No caso do primeiro, trata-se «da capacidade de gerir as identidades dos diferentes cidadãos tendo em conta a indispensável privacidade dos dados». Diz Hellmuth Broda que «a capacidade de garantir a efectiva identificação de quem está do outro lado do site» é fulcral, sendo que aqui «a federação de identidades pode ser uma resposta eficaz». E o responsável da Sun deixa a explicação: «Se eu estiver num dado país e não tiver comigo um eventual cartão de acesso aos serviços governamentais locais, poderia optar por aceder ao site do meu banco e, através daí, validar a minha identidade para todos os outros sites a que então acederia.» Desta forma, seria possível tirar partido «das vantagens da identidade federada».
No que toca à simplificação das aplicações, Hellmuth Broda sublinha que o segredo está em tornar tudo «mais simples e também mais fácil de utilizar». Hoje em dia, existem «demasiadas aplicações, igualmente demasiado complexas sendo, por vezes, difícil entender os seus interfaces». O segredo que o responsável da Sun tenta transmitir aos diferentes governos com os quais vai contactando é «conseguir retirar toda a complexidade da parte visível da aplicação e colocá-la no back-office facilitando, deste modo, a vida ao utilizador».
É exactamente isso que a Sun tem vindo a fazer através da sua tecnologia Sun Re, que permite aceder à sessão pessoal de trabalho a partir de qualquer parte do mundo. «O segredo está em ir buscar essa sessão, a um servidor da empresa, que se pode situar num qualquer continente», mas esse é um processo «totalmente transparente para o utilizador».
Finalmente, a Sun, «provavelmente uma das empresas mais verdes do planeta», aconselha ainda os governos e, neste caso muito específico também as empresas, «a terem preocupações ambientais». No centro do problema, estão situações como o elevado consumo energético, «que em toda a indústria das TI é quase igual ao das companhias aéreas».
Para minimizar este tipo de situações, a empresa dirigida por Jonathan Schwartz está a trabalhar no sentido de «tornar os equipamentos ainda mais compactos, consumindo menos energia». Nesse sentido, a Sun disponibiliza actualmente um chip «que trabalha mais e consome menos energia e também menos espaço». Por outro lado, está também disponível uma opção de criação do datacenter dentro de um contentor.
Na verdade, explica Hellmuth Broda, «trata-se de um datacenter que fica em funcionamento em apenas três dias», sendo possível «deslocá-lo para qualquer parte do mundo» e colocá-lo «em qualquer ponto da empresa, mesmo no telhado ou no parque de estacionamento». Para já, a Sun conta com 20 clientes para esta sua oferta, «quase todos nos Estados Unidos da América». A grande novidade «é que existem empresas portuguesas já a estudar a possibilidade de avançarem com um projecto deste género».
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