Vortal atenta às oportunidades na Administração Pública
De
Semana nº 867 de 25 a 31 de Janeiro de 2008
| |
 |
|
Paulo Bengala, administrador e Chief Information and Operations Officer da Vortal |
|
A empresa de B2B vai ter um ano pautado por uma maior dedicação ao mercado das compras públicas
A Vortal é uma empresa incontornável no panorama do comércio electrónico nacional, visto ser uma das mais importantes plataformas de B2B existentes no nosso país. Esta empresa, que agrega no seu grupo accionista a Mota-Engil, a PT, o Grupo Espírito Santo, e 15 outras grandes empresas, conta com um total acumulado de volume de negócios transaccionados na plataforma desde 2004, data da sua criação, próximo dos 2,4 mil milhões de euros.
Só no ano transacto, a Vortal registou um volume de negócios transaccionados pelos clientes da plataforma de 536,4 milhões de euros, num total de 49 571 concursos, dos quais resultaram 153 151 propostas realizadas pelas 6347 empresas acreditadas na plataforma. Estas propostas deram origem a 26 884 contratos e encomendas realizadas nas diferentes plataformas verticais da Vortal.
Não é por um mero acaso que esta empresa de comércio B2B foi considerada uma das PME europeias com maior crescimento, conforme se constata no relatório anual «Technology Fast 500 EMEA», realizado pelo Global Technology, Media & Telecommunications Practice da Deloitte. O estudo é relativo a Outubro de 2007 e a Deloitte posiciona a Vortal no 210º lugar deste ranking, no qual se incluem empresas tecnológicas públicas e privadas de 21 países da zona da Europa, Médio Oriente e África com receitas superiores a 50 mil euros no primeiro ano de actividade.
Aliás, a empresa reportou um volume de negócios, em 2007, originados pela prestação de serviços B2B, de 5,2 milhões de euros, mais 10,6 por cento do que os 4,7 milhões de euros registados em 2006. Os objectivos para o corrente ano passam por manter esta taxa de crescimento de dois dígitos.
Quando analisados os dados relativos a 2007 pelas diferentes ofertas verticais existentes na plataforma da empresa, Paulo Bengala, administrador e Chief Information and Operations Officer da Vortal, refere que o eConstroi, plataforma destinada à construção civil e obras públicas, representa 85 por cento do negócio realizado pela empresa.
O gestor menciona que o mercado da construção foi a primeira área de negócio da Vortal sendo, por isso, o segmento de mercado que está maduro e mais avançado em termos de compras electrónicas. No entanto, este executivo explica que outros segmentos de mercado abrangidos pela plataforma da Vortal se encontram ainda numa fase ascendente de maturação.
Por esse motivo, a vortalGOV, plataforma electrónica dedicada ao Estado e aos fornecedores para a Administração Pública, contribui apenas com 10% do volume de negócios total da Vortal, enquanto os restantes 5% dizem respeito aos outros mercados nos quais actua, concretamente, com as plataformas vocacionadas para a indústria, energia e utilities e com um portal dedicado ao fornecimento de material de economato, escritório e informática para empresas.
Conforme refere ao Semana Paulo Bengala, para o corrente exercício fiscal não está previsto o alargamento da plataforma a novas indústrias, uma vez que a aposta «será feita no alargamento dos serviços a outras áreas para que a Vortal possua um ciclo de aprovisionamentos mais correcto com a provável introdução da factura electrónica», diz Paulo Bengala.
Preparar o mercado para a contratação pública
O ano que findou serviu para a empresa se posicionar como um importante parceiro para o sector público. No decorrer de todo o ano, esteve em laboração o novo código da Contratação Pública, tendo a Vortal «desempenhado um papel bastante activo na preparação do mercado para as alterações legais que vão acontecer», explica ao Semana Paulo Bengala.
O novo Código dos Contratos Públicos aprovado em Conselho de Ministros deverá entrar em vigor em meados do corrente ano, motivo pelo qual o administrador da Vortal refere que «2008 perspectiva-se como o ano da consolidação dos mercados electrónicos no sector público». Nesse sentido, a empresa vai continuar a preparar o mercado para aderir a esta nova forma de realizar consultas e propostas de participação nos concursos públicos para a administração central e local. É o caso das autarquias e de empresas públicas e organismos autónomos, que estão a começar a trabalhar com as plataformas de compras electrónicas.
Dentro desta lógica, Paulo Bengala afirma que «o ano de 2008 vai ser dedicado à promoção e formação junto destas entidades da plataforma». De acordo com este executivo, «o objectivo é chegar ao fim do ano e contar com cerca de 30 câmaras municipais a utilizar a plataforma vortalGOV».
Uma das câmaras que já utiliza a vortalGOV é a Câmara Municipal de Sintra, que, em Novembro do ano passado, foi responsável pela primeira abertura de propostas de um concurso público, totalmente electrónico, promovido por uma autarquia portuguesa. O concurso público para aquisição de mobiliário para a Casa da Cultura de Mira Sintra foi lançado pela autarquia, em conjunto com mais 15 procedimentos da mesma natureza, de uma forma completamente desmaterializada, ou seja, em que os elementos do concurso e as propostas dos concorrentes são documentos informatizados, não sendo permitida a utilização do formato papel.
No que diz respeito à administração central, a plataforma vortalGOV já trabalha com dois ministérios, Obras Públicas, Transportes e Comunicações e o da Justiça. No entanto, Paulo Bengala admite ser expectável que, até ao fim do ano, «a plataforma conte com mais dois ou três ministérios».
Segundo o nosso interlocutor, o modelo utilizado pela Vortal é bastante inclusivo para as empresas fornecedoras e prestadores de serviços, uma vez que todas têm acesso às consultas públicas, existindo diferentes tipos de adesão à plataforma.
Procurar parcerias para internacionalizar
O que está nos planos da companhia é a realização de mais parcerias internacionais, à semelhança das que foram rubricadas em 2007 com a espanhola Construdata 21 e com a alemã Etis.
A parceria estabelecida com a espanhola Construdata 21 permite o acesso a uma base de dados mais alargada de obras em curso na Península Ibérica, uma vez que a empresa espanhola mantém uma base de dados dinâmica de obras em curso privadas e públicas no mercado espanhol e que serve mais de 12 mil utilizadores registados para aceder aos seus serviços em todo o território do país vizinho.
Em relação à empresa germânica, o acordo é mais extensivo, dado que esta empresa possui na sua plataforma os concursos públicos e privados de toda a Europa. «A Vortal vai passar a disponibilizar aos nossos clientes os concursos do resto da Europa», refere Paulo Bengala.
Primeira fase do SOA finalizada
Do ponto de vista tecnológico, a Vortal está a proceder a uma renovação total da plataforma, que teve início em 2007, com a construção de uma arquitectura totalmente orientada a serviços. Essa primeira fase está concluída; a segunda fase, que vai decorrer em 2008, «passa por colocar as aplicações e os serviços em cima dessa arquitectura», diz Paulo Bengala.
|