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Semana Informática > Actualidade > Marketing e vendas nas TIC com défice formativo
 
 
Marketing e vendas nas TIC com défice formativo
De
Semana nº 868 de 1 a 7 de Fevereiro de 2008


 
Uma observação atenta ao mercado de TIC em Portugal, deixa perceber que as soft skills estão no topo das preocupações, embora as hard skills sejam igualmente importantes

Embora o ensino das tecnologias de informação em Portugal seja geralmente bom, existe um conjunto de competências que devem ser reforçadas no âmbito da formação de profissionais. A conclusão é de um estudo realizado pela Associação Nacional das Empresas das Tecnologias de Informação e Electrónica (ANETIE) junto dos seus associados e no qual se propunha analisar a questão das competências dos recursos humanos em três carreiras típicas: o engenheiro de software que trabalha na produção de sistemas de informação, o engenheiro de sistemas, que trabalha na disponibilização de infra-estruturas, sejam elas de hardware, software ou comunicações, e o consultor comercial que trabalha no marketing e vendas.


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Feita uma observação imediata, poder-se-á dizer que as soft skills ou competências não técnicas «estão no topo das preocupações dos associados da ANETIE». No entanto, o grupo de trabalho que levou a cabo o estudo considera que «não será correcto concluir que as soft skills sejam mais importantes do que as hard skills».

Na verdade, a leitura correcta dos resultados deverá indicar para o facto de existirem «competências que estão a necessitar de urgente atenção também pelo sistema de ensino, sendo que há outras cuja aprendizagem estará a correr melhor». Assim sendo, a ANETIE indica ser notória a existência de um grande deficit formativo nos profissionais da carreira de marketing ou vendas das TIC, sendo necessário «desmistificar e valorizar as carreiras comerciais junto das escolas e dos seus alunos».

Esforço de estandardização
Por outro lado, observa-se que a competência denominada Normalização e Processos é transversal aos três perfis e é considerada «altamente necessária, estando colocada na segunda posição em todos eles».

A ANETIE acredita que esta situação demonstra «uma forte preocupação das empresas em não “reinventar a roda”, aproveitando o esforço de estandardização que vem sendo feito nos últimos anos pela indústria para aumentar a sua eficiência».

À cabeça do ranking global estão quatro soft skills cuja necessidade, segundo o estudo da ANETIE, deriva claramente, da forma como a indústria funciona: Gestão por Objectivos, Gestão de Equipas e Liderança, Comunicação Escrita e Comunicação Presencial. Qualquer uma delas se afigura essencial «para o bom funcionamento de equipas pluridisciplinares que se configuram e reconfiguram a grande velocidade, sempre bem focadas no projecto em mãos no momento», diz o documento da associação.

O ranking global também permite observar que os inquiridos consideram haver mais lacunas na formação em soft skills do que em hard skills, o que quererá dizer, no entender da ANETIE, «que há que procurar um maior equilíbrio entre os dois tipos de competências».

Em relação ao perfil de engenheiro de software, o trabalho agora divulgado diz ser «preocupante observar que duas competências básicas – Desenho de Interfaces e Produção de Informação – estão praticamente juntas no topo da tabela». A situação demonstra «a insatisfação dos empregadores em relação a competências que deveriam ser já bem dominadas por quem inicia uma carreira de produção de Sistemas de Informação», defende a ANETIE.  

Feed-back é indispensável
Face a esta situação, a associação deixou um conjunto de recomendações quer às empresas quer também às entidades ligadas ao ensino.

No caso das empresas do sector, entende a ANETIE que estas «podem e devem fazer mais para apoiar o sistema de ensino a formar os futuros profissionais das TIC». Nesse sentido, deveriam ser criados «mecanismos de feed-back para o sistema de ensino de modo a transmitir as suas sugestões sobre a estrutura e prática do ensino, possivelmente aproveitando as mais-valias das associações empresariais».

Por outro lado, era importante que as empresas partilhassem «com mais frequência» experiência e conhecimento com o sistema de ensino, «quer apoiando na selecção das matérias a leccionar, quer disponibilizando formadores que levem a experiência de projectos comerciais às escolas».

No caso das instituições do Ensino Superior, a ANETIE aconselha a criação de sistemas de avaliação regular de satisfação das partes interessadas e de mecanismos de discussão com empregadores sobre os curricula académicos. Deverá ainda avançar-se com a realização de mais visitas às empresas e com a obrigatoriedade de estágios em empresas, «com projectos realistas e úteis».

A associação considera ser igualmente útil a inclusão de cadeiras orientadas para as soft skills e o incentivo para que alunos e investigadores participem mais frequentemente em projectos internacionais «que lhes dêem contacto com os problemas de desenvolvimento de grandes projectos em equipas multiculturais e geograficamente dispersas».

No caso do Ensino Profissional, é importante que estas instituições procurem «uma melhor adequação às necessidades imediatas do mercado de trabalho», diz a ANETIE. Dado que a formação de base que ministram «é necessariamente mais limitada», torna-se essencial que haja uma ligação «excepcionalmente forte ao mundo empresarial das TIC, de modo a facilitar a integração dos seus alunos nas empresas».

Por outro lado, as escolas profissionais deverão apostar num reforço da exigência de resultados aos seus alunos, «combatendo o estigma que associa o ensino profissional à imagem de “profissionais de segunda”», diz a ANETIE.

O trabalho da Associação Nacional das Empresas das Tecnologias de Informação e Electrónica deixa ainda uma chamada de atenção para o Ensino Básico e Secundário que deverá aumentar «o seu grau de exigência com os resultados em competências fundamentais como Português, Matemática, Ciências e Línguas Estrangeiras, utilizando os melhores países como benchmark dos níveis que queremos atingir».

 Hard skills – Inventário das competências técnicas com lacunas
 na formação escolar e académica

Normalização e processos  
Normas de qualidade, Normas de segurança, Normas de gestão do serviço, Normas de gestão de competências e maturidade

Segurança     Integridade da informação, Confidencialidade, Gestão de identidade, Controlo de acessos, Continuidade do negócio, Garantia de não repúdio, Gestão do risco

Arquitecturas e sistemas distribuídos       
Application servers, Web services, SOA, Business Process Management, Messaging, Transacções, Replicação de BD

Desenho de interfaces
Organização da informação, Navegação, Impacto na produtividade, Ergonomia, Tratamento de erros, Tempos de resposta, Reutilização de padrões

Optimização de recursos    
Gestão de discos, memória e CPU, Virtualização, Clustering

Propriedade intelectual       
Copyright e patentes, Gestão da inovação, Modelos de negócio do software

Produção de informação
Reports, Data warehousing, Business intelligence, Data mining

Mercado das TI
História das tecnologias de informação, Case-studies de empresas, produtos e soluções

Infra-estruturas e data centers   
Mecanismos de backup, Bastidores, Gestão da Energia, Controlo Ambiental, Prevenção contra Incêndios

Linguagens e algoritmia      
Linguagens de alto nível, Debugging interactivo, Testes, Algoritmos complexos

(Fonte: ANETIE)


 Soft skills – Inventário das competências técnicas com lacunas
 na formação escolar e académica

Gestão por objectivos   
Objectivos, Estratégia, SWOT, Planeamento e Gestão de Projectos

Gestão de equipas e liderança   
Comportamento, Motivação, Estrutura da Liderança, Multiculturalidade

Comunicação escrita     
Gramática, Ortografia, Interpretação, Organização e síntese da informação, estruturação de ideias, elaboração de relatórios

Comunicação presencial      
Comunicação verbal, linguagem corporal, imagem pessoal

Melhoria contínua e inovação    
Gestão da Qualidade, Gestão da Inovação

Pensamento crítico 
Argumentação, avaliação crítica, fontes de informação, decisão, raciocínio científico

Gestão de conflitos e inteligência emocional
Conflitos Profissionais, Cognitivos e Afectivos, Razão e Emoção

Empreendedorismo e gestão da carreira 
Da Ideia ao Negócio, Fracasso e Recomeço, Desenvolvimento Pessoal e Profissional

Gestão do conhecimento     
Gestão de competências, Formação, Técnicas Pedagógicas

Línguas      
Destaque para o Inglês corrente e técnico, sem descurar outras importantes como o Alemão

Negociação
Expectativas, Objecções, Fecho

(Fonte: ANETIE)


 
 
 
 
 
     
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