Dell a caminho do consumo
De
Semana nº 869 de 8 a 14 de Fevereiro de 2008
O que vai mudar com a entrada do gigante norte-americano no mercado de consumo em Portugal? O Semana pediu a opinião de fabricantes concorrentes e constatou que o respeito pela marca se confunde com o optimismo
A Dell decidiu rever a sua estratégia e prepara-se para atacar o mercado de consumo através da venda directa e indirecta. É um facto, um dado adquirido que, só por si, faz com que todos os players no meio das novas tecnologias repensem as alterações que se irão sentir a curto prazo no mercado.
Em Portugal, a Dell congratula-se por finalmente poder endereçar um segmento que tinha sido colocado de lado. Luis Ló, director-geral da empresa, afirma mesmo que, até agora, a companhia estava a perder terreno face a outras marcas que já têm presença num mercado residencial cada vez mais competitivo. Mas as mudanças estão para breve: além de apostar já em 2008 num modelo de negócio directo que vem complementar o canal de venda indirecta que tem sido utilizado, vai existir, nas palavras de Luís Ló, «uma segunda Dell» em Portugal, que irá basear-se numa estrutura virtual «à semelhança do que existe nos Estados Unidos». Além disso, «equaciona-se a abertura de algumas lojas Dell, onde os consumidores possam mexer e experimentar os produtos».
O que é sabido é que o acordo europeu com o Carrefour não será posto em prática no nosso mercado, dado o desaparecimento da empresa em Portugal com a venda de 99,8648 por cento da Carrefour Portugal à Sonae Distribuição, motivo pelo qual este acordo não terá reflexo no nosso país, assim como os acordos assinados com a Wallmarkt e com a Stapples Office Center – duas parcerias válidas para os Estados Unidos da América. Em Portugal, os primeiros pontos de venda poderão ser as lojas Fnac e o El Corte Inglés, mas ainda estão a ser discutidos os ajustes.
Palavra aos outros fabricantes
O Semana perguntou aos principais players no mercado nacional de PCs como encaram a entrada da Dell no mercado de consumo e que reflexo pode ter nas estratégias das empresas na área de consumo. Marcos Sousa, director-geral da Fujitsu Siemens Computers Portugal, considera que «a entrada de uma nova marca (...) com a qual o mercado está familiarizado é um factor benéfico enquanto elemento dinamizador deste segmento», mas garante que a estratégia da sua empresa não se irá alterar com a entrada da Dell no mercado de consumo.
Também Alexandre Silveira, director de Marketing do Grupo de Sistemas Pessoais da HP Portugal, considera que «o grande beneficiário será o cliente», e chama a atenção para o facto de «a concorrência aumentar num segmento em que já se fazia sentir com grande agressividade». Salientando que a HP não irá alterar de alguma forma a estratégia neste segmento com a incursão da Dell, Alexandre Silveira sublinha, no entanto, que «as marcas com menos presença poderão ser afectadas», já que estamos a falar de «um segmento que apresenta um maior dinamismo em termos de vendas e de crescimento».
Jorge Sá Couto, administrador da JP Sá Couto, explica que «é bom, por questões de equilíbrio, que um player como a Dell ganhe a sua própria expressão em Portugal», um país onde «o market share do número um no ranking é demasiado elevado». Testemunho de uma posição optimista é o comentário que tece à possibilidade de haver impacte no volume de vendas da companhia portuense. O responsável máximo da empresa garante que «existe ainda [para a JP] muita margem de progressão, pelo que não se prevê qualquer impacte em 2008».
Em nome da LG, Luís Lameiras, director de divisão de Negócio de Produtos Informáticos, explica que «a entrada de um novo player representa que este segmento é apetecível e que tem potencial de crescimento», e garante que a LG irá «continuar a trabalhar para superar as expectativas dos clientes (...) e para lhe trazer mais-valias diferenciadoras». Quando indagado sobre a possível mudança de estratégia da LG face ao futuro que se vislumbra no horizonte, prefere não responder.
Carlos Maia Nogueira, gerente da City Desk, avisa que a Dell «é apenas mais um [player] neste mercado já saturado de marcas estrangeiras». O homem forte da marca nacional assume que poderá haver diminuição no volume de vendas, «quanto mais não seja pela novidade», mas garante que não vai haver lugar a ajustes na estratégia da City Desk, já que «não há margem para mais mexidas». Carlos Maia Nogueira mostra-se particularmente crítico na avaliação do Estado, que considera ser um elemento numa «luta desigual» entre marcas nacionais e estrangeiras, uma vez que «compra apenas as marcas estrangeiras e não permite que as portuguesas cresçam e ganhem dimensão suficiente para enfrentar estes desafios».
Empresas como a Toshiba, Acer, Asus, Micromáquinas ou Introduxi não quiseram comentar esta matéria.
| Top 10 marcas em Portugal (em unidades vendidas) – Notebooks |
| Marca |
2006 |
Quota de mercado |
2007 |
Quota de mercado |
| HP |
100.706 |
22.8% |
172.010 |
24.6% |
| Toshiba |
76.528 |
17.3% |
147.910 |
21.2% |
| Acer |
57.975 |
13.1% |
81.745 |
11.7% |
| Asus |
69.040 |
15.6% |
78.816 |
11.3% |
| Fujitsu Siemens |
17.042 |
3.9% |
72.709 |
10.4% |
| Sony |
23.126 |
5.2% |
39.901 |
5.7% |
| LG |
11.857 |
2.7% |
21.818 |
3.1% |
| Dell |
16.620 |
3.8% |
15.650 |
2.2% |
| JP Sá Couto |
5.758 |
1.3% |
11.461 |
1.6% |
| Apple |
5.860 |
1.3% |
9.539 |
1.4% |
| Outros |
57.909 |
13.1% |
47.192 |
6.8% |
| Total |
442.511 |
100% |
698.751 |
100% |
| Fonte: IDC EMEA PC Tracker – Full Year 2007 Resultados preliminares |
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| Top 10 marcas em Portugal (em unidades vendidas) – Desktops |
| Marca |
2006 |
Quota de Mercado |
2007 |
Quota de mercado |
| HP |
95.305 |
29.7% |
105.599 |
33.8% |
| Dell |
32.500 |
10.1% |
36.000 |
11.5% |
| JP Sá Couto |
26.035 |
8.1% |
24.363 |
7.8% |
| Solbi |
21.103 |
6.6% |
17.993 |
5.8% |
| Introduxi |
18.938 |
5.9% |
17.485 |
5.6% |
| Micro Máquinas |
9.536 |
3.0% |
15.793 |
5.1% |
| Fujitsu Siemens |
13.255 |
4.1% |
11.368 |
3.6% |
| Acer |
10.107 |
3.2% |
10.534 |
3.4% |
| Lenovo |
4.963 |
1.5% |
6.370 |
2.0% |
| Apple |
4.310 |
1.3% |
5.946 |
1.9% |
| Outros |
84.729 |
26.4% |
61.105 |
19.6% |
| Total |
320.781 |
100% |
312.556 |
100% |
| Fonte: IDC EMEA PC Tracker – Full Year 2007 Resultados preliminares |
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