Começou a contagem final para o Open XML
De
Semana nº 874 de 14 a 20 de Março de 2008
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Marcos Santos, responsável pela estratégia de plataformas da Microsoft Portugal |
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É no final deste mês que se decide se o formato proposto pela Microsoft é aceite como norma ISO
O formato de documentos Office Open XML, que a Microsoft introduziu na versão Office 2007, não foi aceite como uma norma pela International Organization for Standardization (ISO). No próximo dia 29 de Março, esta organização divulgará se o Open XML se junta ao ODF como um standard reconhecido pela ISO.
Em Setembro do ano passado, houve uma votação preliminar na ISO na qual o Open XML reuniu os votos favoráveis de 53% dos delegados, um valor insuficiente, uma vez que, de acordo com os estatutos da ISSO, são necessários dois terços (66,7%) dos votos para que um formato seja reconhecido como uma norma ISO. No entanto, a ISO concede um prazo de seis meses para que qualquer norma inicialmente proposta ou chumbada seja alterada a partir das propostas resultantes das recomendações técnicas realizadas pelas delegações internacionais que constituem a organização internacional de standards. Passado esse prazo, é concedido mais um mês para que as delegações revejam o seu sentido de voto, se assim o entenderem, depois de analisarem as alterações introduzidas no formato. O mês de reflexão acaba no próximo dia 29 de Março.
Em conversa com o Semana, Marcos Santos, responsável pela estratégia de plataformas da Microsoft Portugal, explica que normalmente, tende a confundir-se o formato o OpenXML como o seu formato predefinido na nova versão do Office. Há muita tendência para confundir o que é o formato e o que é a aplicação e, no entender deste interlocutor, «era importante distinguir as duas coisas, porque o formato é o enabler, o facilitador, de certa maneira, da interoperabilidade dessa aplicação com outras».
Por isso, a Microsoft advoga que a padronização do formato Open XML permitiria a outras companhias construir produtos baseados neste formato, o que simplificaria o intercâmbio de ficheiros entre as diferentes suites de software, segundo a Microsoft e um amplo conjunto de empresas que colaboram e adaptaram este formato nas suas aplicações.
O responsável pela estratégia de plataformas da Microsoft Portugal salienta que o Open XML foi criado com um objectivo muito claro «dar uma estrutura aos milhões de documentos que existem espalhados por todo o mundo». Como se sabe, o XML é uma linguagem estruturada e, até esta altura, os formatos que a Microsoft utilizava eram fechados, não eram estruturados, uma vez que se tratava de formatos proprietários. Com a tentativa de reconhecimento do Open XML como um standard, o que a companhia sedeada em Redmond pretende fazer é «colocar todos esses formatos que estão fechados num novo formato aberto, ou seja, que toda a indústria consiga olhar para a especificação e consiga ver como é que esse formato é implementado, permitindo que os documentos sejam totalmente representados segundo uma linguagem estruturada que neste caso é o XML», diz Marcos Santos.
Este responsável salienta ainda um outro aspecto relacionado com a interoperabilidade do Open XML, uma vez que se trata de uma especificação que contou com a participação de várias empresas na criação deste formato, como a Toshiba, a Apple, a Novell ou a Intel, formato cujas especificações foram publicadas pela European Computer Manufacturers Association (ECMA) – uma associação fundada em 1961 dedicada à padronização de sistemas de informação na Europa.
Por este motivo, Marcos Santos defende que o Open XML é um formato interoperável, aberto, porque «qualquer organização em qualquer parte do mundo pode pegar num formato estruturado do Open XML na sua especificação aberta e a implementá-la dentro das suas aplicações, para que possa criar-se um documento e seja possível utilizar, alterar e gravar em qualquer formato».
| Cronograma do processo de certificação do Open XML |
- Dezembro de 2006: Ecma Publica o formato ECMA-376 (OpenXML). É feita a submissão para o JTC1 (Join Technical Commitee) da ISO sob o procedimento de Fast Track .
- Abril de 2007: Fim do período de revisão.
- Setembro de 2007: Fim do período de 5 meses de reflexão e revisão dos organismos nacionais de normalização participantes.
- 4 de Setembro 2007: Resultado conhecido, o formato não foi aprovado e os comentários foram distribuídos pelos organismos nacionais de normalização.
- 14 de Janeiro 2008: Editor da ECMA disponibiliza as resoluções dos comentários para os organismos nacionais de normalização.
- 25 a 29 de Fevereiro 2008: Ballot Resolution Meeting (BRM) – reunião dos organismos nacionais de normalização para resolução e discussão dos comentários.
- Fim de Março 2008: Determinação do resultado final no seguimento das decisões da BRM.
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