InterHost quer consolidar operação De
Semana nº 939 de 31 de Julho a 6 de Agosto de 2009
Pedro Rebordão Gouveia, generalmanager da InterHost em Portugal
Depois de cinco anos a crescer entre dois a três dígitos, a empresa espera agora manter-se nos 1,5 milhões de euros
Após ter encerrado o ano fiscal de 2008 a crescer 34 por cento para uma facturação que rondou os 1,5 milhões de euros, a InterHost projecta para 2009 «um desempenho neutro», conforme disse PedroRebordãoGouveia, generalmanager daquela empresa em Portugal.
As expectativas não surgem directamente relacionadas com a crise económica já que, embora se verifique «um movimento claro das empresas para reduzir todos os investimentos incluindo em serviços e produtos de TIC», a verdade é que «o facto de os serviços de alojamento e as aplicações vistas como um serviço, terem como vantagem principal o factor económico devido ao seu muito claro inferior custo total de propriedade» acaba por «anular o efeito “crise”».
Ainda assim, e depois de «cinco anos a crescer dois e mesmo três dígitos», as perspectivas para 2009 «são manter a mesma facturação de 1,5 milhões de euros e consolidar a operação». Entre as principais linhas estratégicas da InterHost, contam-se a necessidade de construção de um canal de parceiros «forte para revenda dos serviços». Entre estes parceiros, estão os Microsoft Dynamics «que usam a infra-estrutura da InterHost para colocar as suas soluções baseadas em MicrosoftCRM ou MicrosoftNAV», e estão também as empresas de desenvolvimento de software ou ISV. Neste último caso, são empresas que usam a infra-estrutura e o conhecimento da InterHost «para oferecerem de imediato as suas aplicações como um serviço», explica Pedro Gouveia. Em paralelo, a InterHost «ajuda no redesenho da arquitectura das aplicações do ISV para um verdadeiro modelo de cloud computing», obtendo-se assim «maiores economias de escala com o suporte de multi-tenancy nativamente».
Da lista de parceiros, fazem ainda parte os resellers, ou seja, pequenas empresas de informática que usam os serviços da InterHost «para complementarem os serviços de assistência técnica que já prestavam fisicamente aos seus clientes e assim conseguirem oferecer serviços como hosted exchange, registo de domínio ou sharepoint».
Para ajudar a direcção da InterHost nesta tarefa, o general manager da companhia diz ter sido já «admitida uma nova colaboradora que servirá de principal elo de ligação dos parceiros com as equipas da InterHost».
Ao longo do ano, a InterHost tem ainda planeado o lançamento de novas aplicações e serviços, especialmente os que são complementares com a actual plataforma HMC, como o WindowsBasedHosting, o WindowsSharepointServices, o HostedCRM, o Dynamics NAV, o MicrosoftSharepointServer (MOSS) o ou ProjectServer.
A InterHost nasceu em Espanha há cerca de nove anos, tendo chegado a Portugal em 2001. Criada dentro do GrupoSatec, o grupo trabalhava na altura «com operadores ou com a grande banca». Apesar de, dada a sua natureza, poder haver uma tentação de vir a entrar no mercado das telecomunicações, Pedro Gouveia explica que esse não é o objectivo da InterHost que pretende dedicar-se, apenas, «ao hosting da própria infra-estrutura de uma forma eficiente».
Por outro lado, e «sendo uma empresa relativamente focada», acaba por conseguir também «ser autónoma em termos de tecnologias e de operadores». Uma posição neutral que permite estar «muito mais próximo dos clientes, qualquer que seja o cenário que eles têm».
Embora a companhia esteja «muitas vezes por detrás de empresas mais conhecidas», a verdade é que vai também «pró-activamente ao mercado». Em termos de clientes, as pequenas e médias empresas (PME) são «o mercado preferencial» da InterHost. O seu general manager revela ainda que, ao nível da oferta, a companhia projecta «adaptar as suas soluções a diferentes segmentos». Nesse sentido, existe, por exemplo, um acordo com a Associação de Hotelaria de Portugal para ajudar «na solução de CRM que se está a montar, costumizando a solução às unidades hoteleiras». O objectivo será, posteriormente, «fazer o mesmo em outras áreas de mercado».
Em termos de hosting, a companhia conta com três datacenters, «um em Portugal e dois em Espanha». Assim sendo, diz Pedro Gouveia que «uma parte das soluções desenhadas acabam por ser implementadas no datacenter do Taguspark». No entanto, existem naturalmente «soluções de disaster recovery que prevêem a colocação de parte dos dados em Madrid ou em Avilez». De qualquer forma, o general manager da InterHost explica que actualmente não se sente a necessidade «de fazer distribuição de dados por diferentes locais, já que não há ainda volume para isso». Assim sendo, a diferenciação entre locais «tem apenas a ver com soluções de disaster recovery».
Questionado relativamente à possibilidade de ainda se verificar, por parte do cliente, algum medo em deixar os seus dados nas mãos de terceiros, Pedro Gouveia diz que «isso é uma realidade», embora sublinhe que «cabe à Interhost e aos fabricantes transmitir confiança». Um outro ponto que este responsável faz questão de sublinhar diz respeito ao facto de ainda se verificar o facto de «as pessoas preferirem arriscar e fazerem sempre as coisas pelo mínimo legal». A realidade é que, hoje em dia, «os gestores não têm a percepção do impacto que têm as perdas da dados, em termos quantitativos e de números, e da sua dependência face à infra-estrutura tecnológica».
Nesse sentido, a InterHost «está também a tentar evangelizar o mercado», transmitindo uma mensagem de que «há ganhos de eficiência no hosting».
Em Portugal, a InterHost é uma entidade autónoma e que apresenta resultados localmente, embora seja detida em 100% pelo grupo Satec. A autonomia existente abrange, inclusivamente, a estratégia e também a forma como se está a direccionar o negócio em Portugal, «que não é totalmente igual às iniciativas tomadas pela empresa em Espanha, até devido à dimensão dos dois países». Diz Pedro Gouveia que a direcção em Portugal «está a obter resultados, o que acaba por ser bastante importante» no actual cenário.