Marketware quer crescer além-fronteiras
De
Semana nº 957 de 8 a 14 de Janeiro de 2010
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Vítor Ruivo, CEO da Marketware |
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A aposta estratégica de crescimento passa por reforçar as operações em Espanha e Itália através de cross selling e upselling, sem esquecer que no mercado nacional continua a ter muitas áreas para trabalhar e desenvolver
Apesar de vivermos tempos difíceis, a Marketware tem sabido ultrapassar esta fase conturbada com alguma tranquilidade. Prova disso é o crescimento de 18 por cento que estima alcançar em 2009, um valor de dois dígitos que reflecte não só a operação em Portugal, como o desenvolvimento do negócio no mercado espanhol, onde a tecnológica portuguesa está presente. Há outros mercados, como o italiano, onde a Marketware também actua, mas, neste caso, a operação ainda se encontra numa fase de investimento com vista a melhorar a aproximação ao mercado e poder registar «taxas de crescimento mais interessantes», avança Vítor Ruivo, CEO da Marketware.
Segundo este, administrador a maioria dos clientes que a empresa tem em Espanha e Itália são entidades de pequena dimensão, por isso, um dos desafios para o próximo ano, mais do que angariar novos clientes ou novos negócios, é «aumentar o volume de negócio junto desses clientes realizando o upselling e o cross selling na área da segurança».
Aliás, desde a sua criação, em 2001, que esta tecnológica aposta nos paradigmas da economia digital, tendo na sua génese serviços de Internet, consultoria em segurança e qualidade de serviço. Outros aspectos em que a empresa trabalha dizem respeito à monitorização da Internet e ao fornecimento de certificados digitais para servidores seguros em Portugal. Esta última área é um dos pilares da sua oferta, mais precisamente a segurança do correio electrónico, onde os certificados digitais desempenham um papel crucial. O e-mail é uma ferramenta de trabalho que está massificada, que a imensa maioria das pessoas sabe utilizar. Independentemente das faixas etárias ou dos perfis académicos, hoje em dia, quase todos têm conhecimento da existência de uma ferramenta que se chama correio electrónico. Não é por acaso que a maioria das organizações utiliza o e-mail como a ferramenta comercial por excelência. É nela que as comunicações são feitas e oficializadas.
As empresas já não recorrem tanto ao fax para adjudicar; fazem-no através do e-mail, assim como toda a parte negocial e de propostas, explica Vítor Ruivo, salientando que «a segurança nos e-mails não é propriamente a melhor, portanto, hoje em dia as pessoas começam a ter essa consciência e começam a procurar soluções». O nosso interlocutor dá alguns exemplos de falhas de segurança, relacionadas nomeadamente com a origem, ou seja, quem de facto enviou um e-mail, seja uma mensagem electrónica relacionada com uma proposta negocial, seja uma mensagem com uma adjudicação ou com uma comunicação política – qualquer situação para a qual seja necessária confidencialidade e integridade. É nessa perspectiva que a Marketware desenvolve parte da sua actividade, comercializando assinaturas digitais. Segundo este gestor, a insegurança no correio electrónico é «uma problemática que cria diversas oportunidades de negócio, mas que ao mesmo tempo estas são condicionadas por algumas barreiras que têm que ser ultrapassadas».
Vítor Ruivo reconhece que ao longo de oito anos de existência, a empresa tem desenvolvido um trabalho de evangelização do mercado, porque a segurança, nomeadamente do e-mail, «continua a ser encarada mais como um custo do que um investimento». O gestor refere que muitas vezes as empresas e os decisores estão mais orientados para delinear estratégias de time to market, em criar novas funcionalidades e todo um conjunto de factores inovadores mas, na realidade, se os utilizadores finais não têm uma garantia de confiança associada à qualidade, não existe fiabilidade, e como tal voltamos ao conceito do investimento versus custo. «Já existem preocupações quanto ao investimento na área da segurança, mas, de facto, ainda há muito trabalho a fazer», reconhece Vítor Ruivo.
Para dar resposta a essa necessidade, a tecnológica portuguesa recorre ao MarketSigner, um software capaz de assinar digitalmente PDF tornando-os documentos seguros e autênticos, reconhecidos legalmente pela legislação em vigor respeitante à assinatura digital. Esta ferramenta, além de assinar, pode selar o documento colocando-lhe, de forma configurável, um dístico informativo de que o documento foi assinado digitalmente, em determinada data/hora, por determinada pessoa ou empresa, em determinadas condições, podendo ser utilizado em facturas electrónicas.
De acordo com Vítor Ruivo, existem outras ferramentas semelhantes à MarketSigner mas esta possui duas vantagens: «Por um lado, é uma ferramenta totalmente focalizada para essa funcionalidade (há outras ferramentas que fazem isso e muitas mais coisas); por outro lado, é muito mais barata». O nosso interlocutor dá o exemplo do Adobe Acrobat, que permite assinar documentos. «É uma ferramenta que custa cerca de 800 ou 900 euros e a MarketSigner custa menos de 200 euros, ou seja, há uma grande diferença». Para uma organização de média ou grande dimensão, que emita mais de mil facturas mensais, uma solução destas rondará entre os 2500 e os 3500 euros, refere Vítor Ruivo, e se quiser uma assinatura digital da VeriSign, esse valor ronda os 30 euros por utilizador.
Segundo este responsável a empresa possui vários clientes para a MarketSigner. Em todos os projectos de facturação electrónica que a empresa levou a cabo foi utilizada esta tecnologia, nomeadamente, em organizações como a Via Verde, a Lusitânia Gás, a McDonald’s e a rede Master. O mesmo aconteceu em projectos específicos de facturação electrónica, onde a Marketware não disponibilizou a solução MarketSigner mas disponibilizou a assinatura digital, por exemplo, à EPAL e à Zon.
«De facto, a temática dos e-mails na Presidência da República despertou o problema da autenticação», admite Vítor Ruivo, realçando que esse problema pode ser facilmente resolvido, quer em organizações estatais, quer no sector privado e junto do utilizador final. «A Marketware possui soluções para essas situações a preços acessíveis», conclui o responsável máximo da tecnológica portuguesa.
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