Management Buy Out dá novo fôlego à Truewind
De
Semana nº 958 de 15 a 21 de Janeiro de 2010
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João Campos, administrador da Truewind |
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Consolidar o negócio no mercado nacional e apostar no reforço da rede de parceiros são pontos estratégicos para a empresa
A operação de Management Buy Out (MBO) deu à gestão da Truewind as ferramentas necessárias para reforçar o desenvolvimento da empresa no mercado nacional. Em entrevista ao Semana, João Campos, administrador da companhia, afirma que, no final de 2009, a Truewind será «uma empresa maior, mais forte e mais sólida, com uma oferta mais abrangente, capaz de criar e propor soluções globais e de maior valor para os clientes». Desta forma, 2010 é encarado como um ano de oportunidades, em que serão realizados investimentos em tecnologias de informação que têm vindo a ser adiados desde 2008.
Semana Informática – Que balanço faz do ano 2009?
João Campos – O ano de 2009 ficará marcado pela operação de Management Buy Out e subsequente repartição do capital da Truewind pelos colaboradores. A realização da operação permitiu capitalizar a empresa, e cremos vir a tempo de conseguir melhorar moderadamente o negócio até ao final do ano, consolidando a base de clientes com a venda de segundos projectos em várias contas (comprovando a satisfação com os serviços prestados) e angariando algumas novas contas. Este crescimento, apesar de moderado e com particular relevo no segundo semestre, implicou a criação de novas competências e aumento da capacidade da equipa. No final de 2009, seremos uma empresa maior, mais forte e mais sólida, com uma oferta mais abrangente do que no final do primeiro semestre, capaz de criar e propor soluções mais abrangentes e de maior valor para os nossos clientes.
S.I. – Por que razão só agora avançaram com o MBO da Práxia?
J.C. – Fizemos o MBO porque acreditamos que com a estratégia e financiamento adequados, a Truewind tem potencial para se desenvolver e crescer no mercado nacional de TI, sendo o primeiro passo para a realização de uma vontade expressa pela equipa: controlar o destino e a evolução da Truewind. O MBO concretizou-se agora, fruto da conjunção da vontade da equipa, com a do anterior accionista de alienar a sua posição na Truewind.
S.I. – O que muda a partir de agora?
J.C. – A partir de agora temos condições para implementar cabalmente a estratégia de nos tornarmos numa empresa detida e controlada pelos colaboradores. Esta estratégia atravessa as várias dimensões da empresa, potenciando a qualidade dos serviços prestados, aumentando a satisfação dos colaboradores e criando maior valor para os accionistas, alimentando desta forma um ciclo que consideramos virtuoso. Assim, os colaboradores compreendem que a sua participação e empenho fazem toda a diferença e que são eles que constroem o sucesso dos nossos clientes e, com ele, o sucesso na Truewind. É nossa vontade que os colaboradores interessados possam partilhar os resultados e riscos de ser accionista.
S.I. – Quantas pessoas integram a Truewind?
J.C. – A equipa da Truewind conta actualmente com 37 pessoas.
Financiamento adequado
S.I. – Os resultados de 2009 foram afectados pela actual conjuntura económica?
J.C. – Os mercados em que actuamos, apesar de também afectados pela conjuntura, têm mantido, de uma forma geral, o seu investimento em tecnologias de informação proporcionando à Truewind oportunidades para manter e desenvolver os negócios. Notámos alguma retracção nos investimentos em grandes projectos, fazendo-se o investimento sobretudo em projectos de pequena e média dimensão, com objectivos melhor definidos e retorno mais facilmente alcançável. O principal impacto da conjuntura na Truewind tem-se verificado ao nível da tesouraria, com o aumento dos prazos de recebimento e com as maiores restrições colocadas pela banca à concessão de crédito; apesar de tudo isto, a Truewind garantiu o financiamento adequado para desenvolver a sua operação.
S.I. – Em 2008 registaram um volume de negócios de 700 mil euros. Qual é o valor previsto para 2009?
J.C. – Prevemos para 2009 um volume de negócios de 1,2 milhões de euros. Este crescimento tem por base duas razões principais: o facto de 2008 ter sido o ano de arranque da Truewind, ou seja, a empresa apenas operou uma parte do ano, tendo durante 2008 construído progressivamente a sua capacidade produtiva; o crescimento orgânico derivado do desenvolvimento do negócio, tendo sido angariadas algumas novas contas e realizados novos negócios nas contas angariadas já em 2008. Naturalmente que, independentemente da forma como este negócio foi angariado, este crescimento só foi possível graças à capacidade da Truewind de executar os projectos vendidos, reflectida no grau de satisfação dos nossos clientes.
S.I. – Qual é a área de negócios mais proveitosa para a Truewind neste momento?
J.C. – A área de serviços (nomeadamente, desenvolvimento de software à medida usando metodologias ágeis e a gestão de sistemas de informação com base em níveis de serviço) é a mais desenvolvida e madura, representando uma parte muito significativa do nosso negócio e também da nossa rentabilidade. A área de soluções (em especial a de soluções para a mobilidade) tem tido um desenvolvimento muito interessante, registando crescimentos de vendas promissores, representando ainda assim uma parte relativamente reduzida das nossas vendas.
Procuram-se parceiros para Angola
S.I. – Atendendo ao actual clima de incerteza, na sua opinião, que drivers conduzirão o mercado de TI em 2010?
J.C. – Acreditamos que em 2010 serão realizados alguns investimentos em tecnologias de informação que têm vindo a ser adiados desde 2008. O ano arrancará ainda sob a influência dos projectos de conversão para o SNC, que estão a ser realizados no final de 2009, havendo, no início de 2010, a oportunidade de realizar projectos de integração com os novos sistemas desenvolvidos para o SNC. Os investimentos que as empresas portuguesas têm estado a fazer no estrangeiro (especialmente em Angola) produzirão a oportunidade de desenvolver novos sistemas de informação para satisfazer as necessidades de empresas e negócios que estão a deixar de ter apenas uma dimensão nacional para passarem a ter uma dimensão multinacional. As oportunidades que continuam a surgir na área da mobilidade (tanto através do lançamento e aposta em novas plataformas tecnológicas, como através das novas funcionalidades que as redes móveis vão continuar a lançar) vão intensificar-se, constituindo vectores de crescimento interessantes para quem se conseguir posicionar com soluções que criem valor explorando estas novas possibilidades.
S.I. – Entrar noutros mercados faz parte dos vossos planos?
J.C. – O True Mobile tem vindo a ser distribuído em Portugal através de uma rede de parceiros que, conhecendo as necessidades e realidade do cliente final, implementam o True Mobile. Procuramos activamente novos parceiros para distribuírem o True Mobile noutros mercados, nomeadamente em Angola.
S.I. – Quais são os sectores preferenciais para a Truewind?
J.C. – Temos vindo a actuar com grande sucesso na Administração Pública, serviços parabancários, grandes integradores de tecnologias de informação e ainda na área da indústria e distribuição alimentar.
S.I. – Quem são os vossos parceiros tecnológicos actualmente?
J.C. – A Truewind tem parcerias activas com a OutSystems e com a Microsoft. A parceria com a OutSystems foi uma evolução natural, juntando a nossa experiência no desenvolvimento de software usando metodologias ágeis (em particular Scrum) com a agilidade proporcionada pela plataforma OutSystems e pela metodologia Agile. Temos vindo a desenvolver significativamente esta nossa área de competência, servindo vários clientes, quer no desenvolvimento de aplicações, quer na administração da plataforma OutSystems, detendo actualmente a Truewind capacidade para desenvolver em simultâneo vários projectos nesta plataforma.
S.I. – Que soluções fazem parte do vosso portefólio?
J.C. – O nosso principal produto actualmente é o True Mobile, uma extensão do software empresarial que potencia a mobilidade dos colaboradores de uma empresa para que estes possam actuar no exterior a partir de um PDA ou netbook, tal como se estivessem no escritório, proporcionando todas as ferramentas necessárias para a automação da força de trabalho móvel, com soluções prontas a funcionar para autovenda, CRM, facturação, cobrança e assistência técnica.
S.I. – Planeiam ampliar a oferta?
J.C. – O know-how acumulado nalgumas das áreas em que operamos, um profundo domínio da tecnologia e o investimento que se começou a realizar no desenvolvimento de soluções conduziram a projectos concretos de que resultarão novos produtos, a lançar no mercado no primeiro trimestre de 2010.
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