Orçamentos de TI para 2010 estão ao mesmo nível de 2005 De
Semana nº 960 de 29 de Janeiro a 4 de Fevereiro
de 2010
Inquérito realizado a 1580 CIO revela que vai continuar a verificar-se uma grande preocupação com a melhoria dos processos de negócio, a redução de custos e a informação analítica
Os orçamentos de TI para 2010 vão ser, na maioria dos casos, idênticos aos do ano passado. Vão ter uma média de crescimento nominal de 1,3 por cento, em comparação com a queda de 8,1%, sofrida em 2009. Estes são alguns dos resultados que se encontram no inquérito «2010 CIO survey by Gartner Executive Program», realizado pela Gartner junto de 1580 CIO de 47 países e 27 indústrias, os quais representam um investimento anual no sector de TI de 126 mil milhões de dólares (88,3 mil milhões de euros).
Neste estudo, conduzido entre Setembro e Dezembro de 2009 e que reporta a realidade da planificação dos orçamentos realizados nessa altura, os decisores tecnológicos reconhecem que 2009 foi o ano de maior desafio desde que este inquérito se realiza (1999), nomeadamente, por terem enfrentado um conjunto de múltiplas reduções nos orçamentos de TI, perdendo por completo os ganhos obtidos nos últimos quatro anos. Na prática, o orçamento e os recursos que tiveram em 2009 foram idênticos aos que tinham em 2005.
A Gartner alerta para o facto de apesar de existirem sinais de recuperação nas projecções para 2010, as taxas de crescimento não são suficientes para colmatar a perda de receitas verificada nos últimos anos. «O ano de 2009 foi o que apresentou o maior desafio para os CIO, quer no sector público, quer no privado, uma vez que a maioria deles enfrentou ao longo destes últimos 12 meses múltiplas reduções do seu orçamento, o que originou um adiamento dos investimentos, e ao mesmo tempo um aumento da procura de serviços», disse Mark McDonald, group vice president and head of research da Gartner EXP. Segundo ele, este cenário vai sofrer alterações ao longo de 2010, «quando as transições económicas da recessão para a retoma ganharem forma e quando as estratégias das organizações passarem da actual redução de custos e eficiência operacional para uma fase mais orientada para a criação de valor e produtividade».
Outro dos factores de mudança associado a esta nova realidade é que enquanto as tecnologias estão a transitar de sistemas e infra-estruturas pesadas e operadas internamente pelas organizações para ambientes mais leveis, moldáveis e baseados em serviços, as funções e atribuições do CIO estão também em trânsito, passando de meros gestores de recursos da organização para gestores que assumem responsabilidade pelos resultados operacionais da organização. «Este processo de transição está a originar a oportunidades às empresas e aos seus departamentos de TI de se reposicionarem e de explorar as medidas e acções correctivas que implementaram no decorrer do período mais agudo da crise», explica Mark McDonald, referindo que os CIO encaram este ano como uma oportunidade para acelerar a transição das TI de mero suporte para um contribuinte estratégico focalizado na inovação e na vantagem competitiva. «Os CIO aspiravam fazer esta mudança há vários anos mas só agora é que foram reunidas todas as condições económicas, estratégicas e tecnológicas para poder avançar e concretizar esta visão», refere Mark McDonald.
As expectativas do negócio nas TI estão a transitar de uma visão associada à redução de custos para uma orientação onde a obtenção de melhores resultados e a produtividade das TI são a principal preocupação. Estes ganhos de produtividade hão-de surgir com soluções inovadoras e de colaboração que assentam em tecnologias baseadas em serviços como a virtualização e o cloud computing.
Esta transição, segundo a Gartner, pode ser vista na lista das 10 tecnologias prioritárias para os CIO em 2010, onde o business intelligence, que nos últimos cinco anos foi sempre a primeira opção, passou para a quinta posição em termos de prioridade.
De acordo com o «2010 CIO survey by Gartner Executive Program», as tecnologias que os decisores tecnológicos estão a prioritizar estão relacionadas com soluções que podem ser implementadas de uma forma rápida e sem a necessidade de avançar com grandes quantidades de capital à cabeça, uma vez que, ao invés de investirem em soluções que custam milhões de euros para originar milhões de euros de receitas, as escolhas recaem sobre tecnologias que permitem iniciar um investimento medido desde o seu início em milhares de euros e que proporciona o mesmo retorno.
«Estas tecnologias, quando implementadas de forma apropriada, criam oportunidades para o departamento de TI mudar o seu papel dentro da organização, assim como o próprio desempenho da empresa», comenta Mark McDonald, acrescentando que «tecnologias assimétricas como a virtualização, cloud computing e Web 2.0 permitem às companhias rentabilizar ao máximo os seus investimentos em tecnologias e sistemas de informação ao mesmo tempo que aumentam a agilidade e flexibilidade da sua infra-estrutura de TI».
De acordo com o head of research da Gartner, todos os CIO se deparam nas suas organizações com a necessidade de aumentar a produtividade, de criar novas oportunidades de negócio e de saber utilizar a recuperação económica para pautar uma agenda agressiva relativa ao reposicionamento das TI. «Esta situação não vai acontecer do dia para a noite, mas vai ter início com as decisões e com as linhas estratégicas estabelecidas em 2010», conclui Mark McDonald.
Prioridades de negcio e tecnolgicas para 2010
Prioridades de negócio
Ranking
Prioridades tecnológicas
Ranking
Melhorar os processos de negócio
1
Virtualização
1
Redução de custos na empresa
2
Cloud computing
2
Aumentar a utilização de informação analítica
3
Web 2.0
3
Optimizar a efectividade da força de trabalho
4
Redes e comunicações de voz e dados
4
Conquistar e reter novos clientes
5
Business Intelligence
5
Gerir iniciativas de mudança
6
Tecnologias móveis
6
Criação de novos serviços e produtos (inovação)
7
Gestão do ciclo de vida da informação
7
Orientar a empresa de uma forma mais efectiva para o mercado e os clientes
8
Arquitecturas e aplicações orientadas para serviços