Telepresença ganha espaço em Portugal
De
Semana nº 961 de 05 a 11 de Fevereiro de 2010
Estes sistemas, pelo seu custo, são proibitivos para a maioria das organizações, mas quem os utiliza reconhece que valem todo o dinheiro investido
A videoconferência sofreu melhorias incontestáveis nos últimos anos, o que possibilitou criar serviços state-of-the-art como a telepresença. Trata-se de uma tecnologia que possui uma resolução melhorada – o que torna a sessão muito realista e cujo objectivo é permitir a criação de ambientes de colaboração em espaços físicos diferentes sem que esse facto seja relevante para as pessoas que participam numa reunião. Na prática, e de uma forma um pouco simplista, podemos dizer que as salas de telepresença são uma espécie de estúdios de televisão de alta definição desenhados para servir necessidades corporativas.
São várias as propostas que existem neste mercado, nomeadamente as da Cisco, que em Dezembro de 2009 adquiriu a Tandberg para melhorar a sua oferta, a HP, com o seu sistema Halo desenvolvido em parceria com os estúdios da DreamWorks. Soluções de telepresença às quais ainda se deve acrescentar a oferta da Polycom.
A telepresença continua a ser uma solução de extrema qualidade, com méritos reconhecidos por quem pode usufruir destes serviços – porque esta ainda é uma solução com um preço muito elevado, que a torna proibitiva para organizações que não sejam de grande dimensão.
Em Portugal há cerca de uma dezena de empresas que utilizam o Cisco Telepresence; a HP Halo possui dois clientes e a Tandberg, através do seu parceiro local Convex, possui um cliente.
João Camilo, business director da Convex, revela que o cliente que a empresa tem na área da telepresença é a Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), onde está uma das salas, enquanto a segunda foi instalada na Reitoria da Universidade do Porto (ver caixa).
Este responsável explica que as principais características diferenciadoras da oferta da Tandberg assentam na qualidade de som, imagem, interoperabilidade com outros sistemas e na qualidade do ambiente criado, «que permite a realização de sessões de trabalho de maior duração sem provocar cansaço nos participantes».
Segundo João Camilo, a Convex considera ter ultrapassado a primeira fase na melhoria da aceitação destas ferramentas no seio das organizações, uma vez que os próprios clientes reconhecem vantagens nestas ferramentas. Neste momento, a Convex está a criar uma equipa de consultoria orientada para a organização e processos, de forma a ajudar os seus clientes nesta matéria.
Melhorar processos de trabalho
Por seu lado, João Justo Gonçalves, HP Enterprise Services, refere que este género de soluções visa essencialmente «melhorar a produtividade das organizações, evitando deslocações (e a consequente perda de tempo), melhorando os processos, aproximando os colaboradores (melhorando assim a comunicação interna e o teambuilding), e contribuindo também para a diminuição da pegada ecológica das organizações».
De acordo com o interlocutor da HP, a introdução da telepresença não é apenas um projecto de índole tecnológico, é fundamentalmente «um factor potenciador de novas e mais eficientes formas de trabalhar por quanto mexem com as organizações, com a sua forma de funcionar e até como os diversos interlocutores se relacionam entre si».
Consequentemente, este tipo de ferramentas deve ser estudado e equacionado nas organizações, não só do ponto de vista dos requisitos tecnológicos, mas fundamentalmente do ponto de vista da melhoria dos seus processos de trabalho. É por isso que empresas como a Nokia Siemens Networks e a Media Markt em Portugal utilizam as soluções HP Halo.
«Apresentamos uma solução constituída por uma arquitectura e não por produtos isolados, deste modo, apresentamos um valor de TCO, maximizando os investimento em TI», afirma Rui Ribeiro, product sales specialist na área de colaboração da Cisco, justificando deste modo o sucesso da Cisco nesta área.
| FCCN adopta telepresença |
A Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN) já era um power-user dos sistemas de videoconferência e pretendeu dar um salto para a última geração de sistemas imersivos de alta definição, tirando partido da sua rede nacional de nova geração. Nesse sentido, a FCCN estabeleceu uma parceira com a Convex e com a Tandberg, para instalar duas salas de telepresença, em Lisboa e no Porto, baseadas na solução Telepresence T3.
Uma vez tomada a decisão, a colocação em marcha do projecto correu muito depressa. João Gomes, director de Internet Advanced Services da FCNN, refere que, em Março de 2009, o interesse na solução de telepresença era já uma necessidade urgente para a FCCN. «Após uma fase de criteriosa selecção, a parceria estava fechada e, em apenas cinco dias, a equipa de sete elementos encarregue da montagem da primeira sala terminava o espaço de Lisboa. Uma semana depois, a sala que servirá a cidade do Porto foi também concluída», explica João Gomes, salientando ainda que as salas imersivas foram baptizadas como Sala Tejo HD, na FCCN em Lisboa, e Sala Douro HD, na Reitoria da Universidade do Porto, estando estas duas cidades ligadas, através da Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade (RTCS), por fibra óptica em gigabit, abrindo possibilidades de cooperação para testes e futuras evoluções tecnológicas para a FCCN, Convex e Tandberg.
A par das vantagens inerentes a uma solução de telepresença – a redução de custos em deslocações e o consequente (e rápido) ROI – também a efectiva participação no esforço de redução de emissões de CO2 que resulta desta opção é um factor de peso na tomada de decisão. |
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