Recta final para o SNC
De
Semana nº 961 de 05 a 11 de Fevereiro de 2010
Profissionalismo das empresas de software de gestão e dos seus parceiros de negócio permite que a transição para o SNC se produza sem grandes sobressaltos
Está quase a finalizar a contagem decrescente para que o novo normativo contabilístico entre em produção em todas as empresas nacionais. Faltam pouco mais de três meses, para que a maioria das organizações nacionais comece a fornecer os primeiros dados empresariais ao Estado no regime do Sistema de Normalização Contabilística (SNC).
Na edição da passada semana, o Semana abordou um amplo número de parceiros distribuídos um pouco por todo o território nacional, para saber em que estado se encontrava a transição do SNC nos seus clientes. Todos, sem excepção, salientaram que o processo está controlado, que ninguém vai ficar de fora, e que os pedidos que ainda estão por atender devem-se, essencialmente, a pedidos específicos realizados pelos seus clientes. No entanto, são situações que estão calendarizadas e prontas para entrar em produtivo dentro dos prazos legais. Mas e os fabricantes de software de gestão? Como viram esta transição?
No caso da PHC, o director-geral, Ricardo Parreira, explica que o SNC foi anunciado há algum tempo, e no período que decorreu até à sua entrada em vigor, a PHC e os seus parceiros prepararam-se, o que permitiu estarem prevenidos para a sua adopção gradual. «Esta é uma realidade que assinalámos com agrado, pois tanto a PHC como os nossos parceiros tiveram o tempo suficiente para a necessária formação sobre o SNC e as alterações desenvolvidas no software PHC», diz Ricardo Parreira. No entanto, neste final de ano, a empresa registou um aumento do número de solicitações, o que criou um ligeiro pico, mas ao qual respondeu prontamente.
«Da nossa parte, dotámos atempadamente o software PHC de todas as ferramentas necessárias para a correcta transição entre os dois sistemas contabilísticos, tendo em conta as duas principais vertentes do SNC: códigos de contas e demonstrações financeiras. Além disso, foi ainda possível transmitir o conhecimento adquirido aos nossos parceiros e clientes, através de vários canais, tais como eventos e documentação», afirma o director-geral.
Ricardo Parreira refere que a transição está a ser gradual e corre a bom ritmo. Sem precisar o número de utilizadores que já fez a transição, diz que a maioria dos clientes PHC já está preparada para o SNC. No caso desta tecnológica nacional, «o SNC fez com que o número de empresas que estão atentas ao seu software e à respectiva actualização aumentasse. A procura de fornecedores nesta área cresceu e a PHC não foi excepção». De acordo com Ricardo Parreira, notou-se um aumento na procura de soluções que permitissem facilitar a transição para o SNC, «nos casos de primeira aquisição, os clientes demonstravam a preocupação em saber se as mesmas respondiam às novas obrigações».
O máximo responsável da PHC salienta ainda que registaram uma grande procura de empresas que pretendem estar preparadas para o SNC. «Esse é um dos requisitos que pedem quando estão a fazer o upgrade das soluções ou até procuram novas soluções de gestão». No entanto, quem é cliente PHC já dispõe de todas as ferramentas de transição para o SNC na versão 2010. «Além disso, os nossos muitos clientes que dispõem de Vantagem Garantida PHC tiveram a actualização do seu software para a versão 2010 sem acréscimo de custos, uma vez que este produto lhes confere a actualização do software para a versão mais recente durante três anos», conclui Ricardo Parreira
Diogo Andrade, responsável pelo Microsoft Dynamics em Portugal, refere a este propósito que na sequência das metodologias e preparação feitas tanto sobre a base instalada de clientes directamente como sobre os parceiros, «não houve quaisquer sobressaltos em termos de suporte nem pico de pedidos». Segundo Diogo Andrade, «todo o processo está a decorrer de forma muito tranquila e sem exigência de quaisquer planos de contingência», acrescentando que este é também o feedback que recolhido junto da rede de parceiros que actua em primeira linha sobre a base de clientes em Portugal.
O responsável da Microsoft Dynamics diz não ter números absolutos em relação aos clientes que já migraram para o SNC, dado que este é «um processo que está repartido entre os parceiros e os próprios clientes». Em muitos casos, clientes com as mais recentes versões do Microsoft Dynamics NAV e com recursos internos «acabaram por ter autonomia suficiente para fazer a transição, ou estão a fazê-la entretanto; muitos outros recorreram aos serviços do seu parceiro Microsoft Dynamics para os suportar esse processo».
Este gestor refere que a empresa verificou ao longo de todo o ano de 2009, em particular depois do Verão, «um crescimento da base instalada de novos clientes face ao período homólogo de 2008, ao que não terá sido estranha a entrada em vigor do SNC», no entanto, não considera «que tal tenha sido o único factor». Segundo Diogo Andrade, muitos clientes aproveitaram realmente para efectuar a actualização das versões em vigor nas suas organizações, de forma a capitalizar também o momento de transição para ganharem as funcionalidades acrescidas da versão mais actual Microsoft Dynamics NAV e tirando partido dos seus acordos de Actualizações e Garantias-Business Ready Enhancement.
No caso da SAP Portugal, Miguel Augusto, gestor de equipas de consultoria ERP, conta que no início de Maio do ano passado, a SAP divulgou o processo junto dos clientes. Assim, e tendo em conta essa recomendação, que assenta numa conversão técnica do plano de contas, conseguiu dois objectivos importantes. Definir um processo de conversão, baseado numa ferramenta comprovada em situações similares, noutros clientes e noutros países; separar e entregar à responsabilidade dos parceiros a conversão funcional de suporte aos requisitos legais do novo normativo SNC.
«Tendo em consideração que a conversão funcional depende dos componentes SAP instalados, era importante envolver os nossos parceiros de forma antecipada, de forma a que estes interpretassem as necessidades funcionais de implementação complementares à conversão técnica, sendo para tal fundamental que o parceiro em causa fosse conhecedor da solução implementada no cliente», explica Miguel Augusto.
Segundo ele, neste momento, a SAP tem cerca de 30 projectos a decorrer em simultâneo e a utilizar a solução de conversão técnica do plano de contas. Este responsável estima ainda efectuar a conversão de outros clientes, que estão numa fase de pré-adjudicação do serviço SLO – Chart of Accounts Conversion.
Miguel Augusto afirma não acreditar que o aumento de novos clientes se prendesse directamente com a obrigatoriedade de adoptar o novo SNC. «A garantia de coexistência dos movimentos em POC e em SNC induz a que as empresas tendam a assegurar o histórico dos movimentos contabilísticos nas soluções que já possuem em funcionamento. Julgamos que este comportamento é comum a todas as soluções dos nossos concorrentes», diz o gestor de equipas de consultoria ERP da SAP Portugal, salientando ainda que não tem conhecimento de clientes que optaram por efectuar upgrades pelo facto de terem que adaptar os sistemas SAP ao novo SNC.
A Sage Portugal, através da manager SME Business Unit, Céu Mendonça, explica que está a verificar-se um pico no número de contactos. «A Sage formou e integrou, atempadamente, um conjunto de pessoas, especialmente preparadas para tratamento do tema SNC. Essa preparação iniciou-se em Maio e assim podemos garantir que neste momento tenhamos capacidade para atender um fluxo de contactos superior ao normal – 40% acima do habitual», adianta aquela responsável.
De acordo com céu Mendonça, 85 por cento dos utilizadores Sage, com versões actualizadas para o SNC, já instalaram a solução. O facto de já terem instalado a versão não significa que tenham realizado a transição. «Os nossos parceiros estão neste momento numa fase muito activa de conversões para o novo sistema, por isso acreditamos que uma grande parte dos nossos utilizadores já estará a 100% para esta mudança». A responsável da Sage confirma que o SNC motivou um aumento de novos clientes e justifica esta posição referindo que «sempre que ocorrem mudanças com este tipo de enquadramento fiscal e legal, cresce o número de clientes órfãos de produtos», uma vez que «deixam de responder às novas necessidades». Por último, Céu Mendonça esclarece que aumentou significativamente a taxa de clientes que aderiram ao modelo de contratos de actualização.
Paulo Dias, business analyst da Primavera BSS, reconhece que a transição para o SNC «não tem tido repercussões no número de solicitações colocadas pelos parceiros junto dos serviços de suporte da Primavera». A Primavera conta com um grupo específico de apoio a questões relacionadas com o SNC, mas não tem tido uma grande afluência de contactos. Esta situação deve-se, segundo Paulo Dias, essencialmente a duas razões estruturais: «A maturidade e antecipação da resposta da Primavera ao SNC, bem como a experiência anterior adquirida na aplicação do SNC noutros mercados, que já fizeram transições semelhantes para as normas internacionais (IAS).»
A Primavera disponibilizou, em Setembro do ano passado, às cerca de 13 mil empresas clientes e com contratos de continuidade, a versão 7.55 do ERP que dá resposta completa ao SNC, pelo que, garantidamente, muitas destas empresas já terão efectuado a transição para o SNC. «O parque correspondente aos nossos maiores clientes já fez essa migração porque tem a exigência de apresentação de contas mensais, e neste segmento temos tido um feedback bastante positivo», explica Paulo Dias, acrescentando que, no entanto, e como é normal neste tipo de processo, «houve empresas que anteciparam a transição, enquanto outras preferiram deixar para o início de 2010, encontrando-se neste momento no processo de transição». O business analyst da Primavera BSS confirma que o SNC motivou «um aumento da procura junto da Primavera por parte de novos clientes, assim como de actuais utilizadores com versões anteriores à 7.55».
Por se lado, o administrador da T.I. Tecnologia Informática, Feliz Grangeiro, revela que não registou um aumento de volume de trabalho no que respeita ao suporte a parceiros, explicando que «isso se deve ao facto de a T.I. ter começado a preparar a transição para o SNC com bastante antecedência (no primeiro trimestre do ano passado)». Feliz Grangeiro adianta que ao longo do ano a empresa realizou várias sessões de esclarecimento, especificamente sobre o novo normativo contabilístico, às quais assistiram todos os parceiros. Para além destas acções, a T.I. realizou também acções de formação sobre a adaptação do ArtSOFT ao SNC.
«A grande maioria dos nossos clientes já se encontra a trabalhar com o SNC. No caso particular das empresas de contabilidade, devido ao elevado número de bases de dados a converter e pelo tempo que ainda dispõem para o fazer, esse processo ainda vai decorrendo até ao final de Março», diz o administrador da empresa, salientando que se registou um aumento de 50% de novas licenças entre Outubro e Dezembro, comparativamente ao ano anterior. «Este aumento deveu-se maioritariamente ao SNC e, em número muito reduzido, ao SAF-T PT versão II».
Em relação a upgrades de versões anteriores do ArtSOFT, Feliz Grangeiro corrobora que a empresa tive um aumento de 430% em relação ao período homólogo anterior.
A CIL confirma que neste momento já migrou 74% da base instalada de clientes e conta migrar mais 11% até ao fim do mês de Janeiro. Rui Brito, director de desenvolvimento de software da CIL, conta que, «durante a primeira metade de Fevereiro, termina este processo, o que permitirá às empresas fecharem o ano sem atrasos na sua estrutura contabilística». O responsável da CIL sublinha algumas alterações no mercado, mas o grande volume passou pelo upgrade dos clientes, aos quais a empresa quis garantir que nada atrasaria o seu processo de migração. «De um modo geral, todas as nossas aplicações foram revistas, dado que a adaptação ao SNC a isso obrigou. Assim, toda a base instalada de clientes CIL teve de sofrer upgrades para as novas versões SNC. Desde a família de produtos CilAuto e CilGest, passando pelos ERP Logic e Millennium, todos foram actualizados», finaliza Rui Brito.
Por último, Filipe Rhodes, administrador delegado da unidade de Portugal da Totvs, explica que o apoio da empresa aos parceiros manteve-se «não tendo havido um acréscimo substancial na exigência de suporte». No entanto, e de modo a precaver qualquer pico relativo a este processo, «foi criada internamente uma equipa de trabalho que está a acompanhar todo o processo de transição dos clientes».
Filipe Rhodes confirma que todos os clientes em Portugal se encontram neste momento a executar o processo de transição para o SNC, e acrescenta que o SNC não foi uma variável significativa no que diz respeito ao acréscimo de clientes registado nos últimos meses pela Totvs em Portugal. |