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Semana Informática > Negócios > Avança a fusão entre a Oracle e a Sun
 
Avança a fusão entre a Oracle e a Sun
De
Semana nº 961 de 05 a 11 de Fevereiro de 2010


 
Larry Ellison, CEO da Oracle
Depois do “sim” da CE, esperam-se agora novidades em termos de roadmap dos produtos. Larry Ellison garantiu, entretanto, que vai contratar dois mil novos quadros

Mais de nove meses depois de a Oracle ter anunciado a sua intenção de adquirir a Sun Microsystems por 7,4 mil milhões de dólares (5,32 mil milhões de euros), o negócio está finalmente concluído. A aquisição torna-se efectiva depois de a Oracle ter recebido luz verde das entidades regulatórias norte-americana e, mais recentemente, europeia.

A grande questão passa agora por saber qual o roadmap que a multinacional norte-americana pretende definir no âmbito dos produtos das duas companhias. Outra situação em aberto diz respeito à integração da actual equipa da Sun no quadro de funcionários da Oracle. De acordo com alguns analistas de mercado, são de esperar despedimentos. São vários os analistas que temem ainda a possibilidade de a Oracle acabar por “fechar” algumas das áreas de negócio da Sun menos rentáveis levando com isso a um alargado número de despedimentos, uma ideia desde logo contrariada por Larry Ellison, CEO da Oracle, segundo o qual a sua empresa está a planear contratar cerca de 2000 quadros entre responsáveis de venda e engenheiros, número que deverá sobrepor-se aos eventuais cortes que advêm da compra da Sun. «A grande novidade é que nós estamos a contratar e não a despedir», disse Ellison durante a recente conferência de imprensa que deu sobre o negócio com a Sun.


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O porquê deste negócio está também entre as dúvidas que pairam no ar, tendo em conta que, nos últimos anos, a Sun tem lutado com várias dificuldades para se manter à tona de água, segundo os analistas.

No entanto, Larry Ellison deixou uma certeza para o futuro: «A nossa visão para 2010 é fazer o mesmo que a IBM fez em 1960: conseguir disponibilizar um completo e abrangente portfolio de soluções». O CEO disse ainda: «Aquela estratégia fez a IBM e a nós agrada-nos esse tipo de abordagem ao negócio.» Nos próximos meses, a Oracle deverá apresentar um vasto conjunto de produtos que vão garantir que a sua tecnologia passe a trabalhar de forma totalmente integrada com a da Sun.

A Oracle espera vir a registar lucros com o negócio da Sun na casa dos 1,5 mil milhões de dólares (1,07 mil milhões de euros) já no próximo ano. Mas, de acordo com alguns analistas, um valor tão elevado em termos de receita deverá obrigar a uma simplificação do negócio da empresa.

Outra pergunta que ficou ainda sem resposta diz respeito às funções que o CEO da Sun, Jonathan Schwartz, terá no futuro, depois da fusão das duas empresas. Ele que, recorde-se, aproveitou o último OpenWorld em São Francisco para agradecer à sua equipa e se despedir, sem nunca dizer o que pretende fazer no futuro.  

A fusão Oracle/Sun estava dependente do “sim” da União Europeia, que concluiu que «o negócio não vai afectar de forma significativa a competitividade na zona económica europeia». A investigação da Comissão, que demorou cerca de cinco meses, teve em conta a eventualidade de a integração da MySQL na Oracle poder vir a colocar constrangimentos em termos de mercado concorrencial. No entanto, os especialistas europeus chegaram à conclusão que «embora a base de dados open-source, MySQL e a própria Oracle possam vir a competir em certas áreas do mercado de bases de dados, isso não significa que sejam concorrenciais em outros mercados, como o do high-end».

A investigação mostrou ainda que uma outra base de dados open-source, a PostgreeSQL, pode vir a ser considerada uma alternativa credível ao MySQL por muitos utilizadores e poderá vir a ocupar o lugar concorrencial que agora está atribuído àquela.

O facto de a Oracle ter feito uma série de promessas aos clientes, utilizadores e responsáveis de desenvolvimento da Sun na área do MySQL, em Dezembro passado, foi também visto com bons olhos pela Comissão Europeia.

A opinião dos parceiros
Em Portugal, o Semana quis saber junto de alguns parceiros como é que estes viam o negócio que agora se concluiu. Do lado da Actis, o seu director manager, Carlos Cardoso, acredita que este negócio «vem robustecer um caminho iniciado há anos e que leva a uma transformação essencial que a Oracle está a introduzir na indústria, de um fornecedor completo de sistemas, das aplicações até ao disco, com um aumento significativo da sua presença no mercado».

Por seu turno, Joaquim Ricardo, sales director da Normática, refere que «a consolidação expectável da indústria de TI só confirma a validade da estratégia que a Normática tem desenvolvido nestes últimos anos, onde acompanhou a grande transformação do seu maior parceiro – a Oracle». Na realidade, «esta nova área de competência da Oracle será replicada na estrutura da Normática, e consolidará a grande aposta nesta parceria».

Em termos de mais-valias para a própria Actis, Carlos Cardoso refere que «esta estratégia vem alavancar a parceria, aumentando as oportunidades de negócio e os potenciais clientes». Do lado da Normática, Joaquim Ricardo assegura que a sua empresa «vai continuar a trabalhar conjuntamente com a Oracle para ajudar os clientes a reavaliarem as suas estratégias de TI e a tirar proveito das novas oportunidades e sinergias criadas pela nova oferta, reduzindo custos, aumentando o desempenho e proporcionando maior segurança aos sistemas e aplicações».

A Normática irá transpor para os seus clientes, através da sua oferta e competências, «todas as potencialidades da nova oferta da Oracle». Joaquim Ricardo aproveita para lembrar que a Normática tem um Oracle Solution Center dedicado a soluções baseadas em tecnologia Oracle e «liderado por uma equipa sénior com recursos especializados, que assegura o máximo desempenho a nível de entrega e disponibilização de serviços de excelência». Este Solution Center «é particularmente forte ao longo de todo o ciclo de implementação» e tem investido na oferta Oracle de database, middleware e BI. Essa aposta deverá agora estender-se «aos novos produtos Server and Storage Systems».
 
 
 
 
 
     
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