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Semana Informática > Negócios > Jurinfor diversifica negócio
 
Jurinfor diversifica negócio
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Semana nº 964 de 26 de Fevereiro a 4 de Março de 2010


 
Pedro Quintas, CEO da Jurinfor
A tecnológica passou a prestar uma oferta chave-na-mão às sociedades de advogados com o desenvolvimento de sites, a gestão de domínios e o alojamento

Houve mudanças significativas na Jurinfor, a começar pela saída do CEO Nuno Mendonça, em Julho de 2009. Quem assumiu esse papel foi Pedro Quintas. O administrador integrou os quadros da companhia há 18 anos, era accionista há 10 e antes de assumir as actuais funções desempenhava o cargo de director de Investigação e Desenvolvimento.

«O antigo CEO, Nuno Mendonça, decidiu por sua própria iniciativa sair da empresa porque tinha outros objectivos de vida», refere Pedro Quintas, salientando ainda que «Nuno Mendonça estava cansado, queria entrar em outros projectos e, provavelmente, estava a ver que o mundo tecnológico tinha evoluído muito para além do que era há duas décadas».


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Pedro Quintas considera que esta mudança na gestão da Jurinfor é uma passagem de testemunho geracional, para uma geração mais adequada a lidar com todas as mudanças disruptivas que acontecem cada vez com mais frequência no mercado das tecnologias de informação.

Uma das condições requeridas por Pedro Quintas foi a possibilidade de designar uma pessoa da sua confiança para assumir a gestão da empresa, uma vez que não queria abandonar as competências que mantinha na área de desenvolvimento dos produtos e da tecnologia.

O produto estrela desta tecnológica é o Jurigest, um software de gestão para

escritórios e sociedades de advogados e departamentos jurídicos de empresas. O ano passado, a companhia apresentou este aplicação em modelo Software as a Service (SaaS). O Nuvem é um serviço que inclui a utilização do software Jurigest e ao qual se acede através de um browser e de um acesso à Internet, pago mensalmente.

Para diversificar o negócio, a empresa criou uma nova área de negócio dedicada ao desenvolvimento de sites, gestão de domínios e alojamento para poder prestar uma oferta chave-na-mão às sociedades de advogados.

A Jurinfor registou um decréscimo substancial do seu volume de negócios, em 2009, cerca de 400 mil euros, devido à venda da unidade de negócios de conteúdos jurídicos online e offline, em 2007, à Wolters Kluwer Portugal.

«Em 2007, a Jurinfor facturava cerca de um milhão de euros e com a venda de uma das nossas unidades de negócio, a empresa passou para um patamar no exercício fiscal passado que ronda os 550 mil euros», assume Pedro Quintas, destacando que a companhia deve registar um crescimento na ordem dos 30 por cento.

O CEO garante que o mercado nunca parou de crescer, especialmente para o JuriGest, um produto com um crescimento estável desde 2004. «Não podemos criticá-lo; o que acontece é que possui taxas de crescimento de 3% e 4% anuais e o mercado nacional já se encontra muito maduro em relação a estas ferramentas, pelo que é difícil crescer muito mais com este produto», reconhece Pedro Quintas, que diz que o mercado de bases de dados da Wolters Kluwer representava metade das receitas da empresa.

Atendendo ao facto de a tecnológica deter o conhecimento desta área de negócio e de não poder usá-lo em Portugal, foi decidido entrar no mercado angolano em 2008. Para isso, a tecnológica desenvolveu o produto AngoLegal, um serviço jurídico online de consulta dos textos integrais dos principais diplomas do ordenamento jurídico angolano. Em Outubro de 2008, Pedro Quintas assumiu o controlo de gestão da empresa SoftAngola, entidade que representou cerca de 10% do volume de negócios da companhia no ano transacto.

Ampliar o negócio em Angola
Aproveitando a entrada nesse país africano, a SoftAngola lançou um outro produto, denominado BankGest, e que permite controlar e gerir contas bancárias multimoeda online. Também é um programa de contas correntes, «uma situação muito frequente em Angola e que muitas vezes não se reflecte na contabilidade», explica o nosso interlocutor, salientando que desde que tomou posse da Jurinfor já fez um conjunto de viagens a Moçambique e Angola. No seu entender, esta realidade representa uma reviravolta na forma de estar da empresa, que deixou de olhar para o mercado nacional e está a expandir-se para outros mercados, nomeadamente Angola, onde os negócios e a operação local estão a decorrer de forma muito rápida. Pedro Quintas explica que «houve um conjunto de participações cruzadas que na prática colocam a Jurinfor com o controlo de gestão da empresa angolana e os negócios lá estão a avançar com uma força muito diferente do nosso mercado».

Em Angola, a Jurinfor conta com um conjunto de parcerias com empresas portuguesas, uma situação que acaba por representar algum conforto relativamente à entrada nesse país. Segundo Pedro Quintas, trata-se de um grupo pluridisciplinar nas diversas áreas em que a SoftAngola actua. Só para dar um exemplo da dimensão desse mercado, a empresa ganhou recentemente um projecto para uma associação angolana cujo valor pode ultrapassar o volume de negócios da Jurinfor em Portugal.

Por outro lado, a SoftAngola possui uma parceria com a PT Inovação. As duas companhias desenvolveram o projecto AutoStop, um sistema de segurança de veículos que permite a sua monitorização, geolocalização e imobilização e que se destina aos proprietários de veículos cuja segurança dos mesmos assume especial importância no seu dia-a-dia, particular e profissionalmente.

A SoftAngola investiu num mini datacenter em Angola, onde aloja toda a infra-estrutura de telecomunicações da PT Inovação. Na prática este serviço é uma adaptação do FrotaLink da PT assente na cartografia angolana. «Se este serviço tiver um acolhimento positivo no mercado angolano pode significar uma mudança dos números que a empresa está habituada a ter», refere Pedro Quintas.

Em relação ao mercado moçambicano, o CEO da Jurinfor explica que a empresa tem um revendedor nesse país e um parceiro na área jurídica – o maior escritório de advogados de Moçambique – com o qual tem colaborado na parte de conteúdos de legislação, estando a criar a base de dados de conteúdos jurídicos para Moçambique. «A nossa entrada nesse mercado está a ser feita de uma forma leve porque também se trata de um mercado com menos capacidade de investimento do que em Angola e onde as empresas estão menos dispostas a investir em tecnologia».

Parceria com Interhost replica SaaS
O serviço Nuvem que a empresa disponibiliza assenta na infra-estrutura e no datacenter da Interhost, o parceiro tecnológico da Jurinfor. Esta empresa pediu à Jurinfor para mudar a forma como trabalha o conceito de Nuvem porque está a fazê-lo da forma mais cara. «Vamos supor que por cada 50 clientes que temos para a nuvem é necessário preparar uma infra-estrutura de servidores, bases de dados, sistemas operativos, o que traz um custo muito elevado, cada vez que se pretende voltar a ter uma infra-estrutura preparada para responder a 50 clientes», explica Pedro Quintas. «A ideia é poder replicar sempre o ambiente tecnológico no qual assenta o serviço, independentemente do número de utilizadores; desta forma é sempre possível escalar na infra-estrutura do datacenter», conclui.

Uma vez escalada a infra-estrutura, a empresa pode começar a prestar outro género de serviços e produtos para o mercado angolano e moçambicano, como a disponibilização de outras aplicações em regime de subscrição (SaaS), como sejam os casos das ferramentas de gestão de projectos para a construção civil, gestão documental, softwares de gestão e respectivos módulo, até porque a SoftAngola está a posicionar-se como uma empresa de informática e não apenas como uma entidade especializada em soluções jurídicas, «apesar de continuar a ser core business da empresa», esclarece Pedro Quintas.
 
 
 
 
 
     
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