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O que pode a virtualização fazer pela sua empresa
De Cristina A. Ferreira / Casa dos Bits
Semana nº 973 de 30 de Abril a 6 de Maio de 2010


 
O termo não é novo e já entrou em muitos departamentos TI mas ainda há muita fita para correr nesta nova tendência que nos próximos anos ganha complexidade no mundo dos servidores e abraça novas áreas

Se há áreas onde as previsões das consultoras divergem não é na virtualização. É consensual, nas estimativas para 2010 das principais empresas analistas de mercado, que a virtualização assumirá um lugar de crescente destaque, confirmando uma tendência que não é nova e que está generalizada a todo o mundo.

Na Europa, por exemplo, o último trimestre do ano mostrava um aumento de 2,8 por cento - face ao período homólogo - nas vendas de servidores destinados a cumprir tarefas de virtualização. Da mesma forma, as receitas relativas a software de virtualização aumentaram no período 3,9%.


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A tecnologia é usada como instrumento para prolongar a vida do hardware ou surge como evolução lógica no upgrade tecnológico do centro de dados. Esta é adoptada por um número crescente de empresas, cada vez mais fora do núcleo de grandes organizações, e a abrangência da sua utilização também tem aumentado, aspectos que em 2010 continuarão a contribuir para dar espaço ao volume de investimento realizado nesta área, no investimento total em TI.   

Tomando em consideração os vários layers da infra-estrutura é ainda a virtualização de servidores aquela que é reconhecida como mais popular e mais explorada pelas empresas, embora a virtualização de redes, o storage ou postos de trabalho também sejam cada vez mais considerados.

Portugal segue a passo com as tendências internacionais. «A virtualização é um mercado em expansão, em Portugal e no mundo inteiro. E com as soluções cada vez mais maduras, os clientes já reconhecem bem as vantagens», refere Gonçalo Botelho de Sousa, business developer da GFI Portugal. Segundo ele é já «rara a empresa que, ao renovar a sua infra-estrutura, não adopte uma plataforma para esse efeito».

As potenciais poupanças de custos são o grande driver para o investimento. Promessas de redução dos consumos energéticos na ordem dos 70 a 95%, facilmente fazem despertar a curiosidade de quem gere uma infra-estrutura tecnológica, sobretudo numa grande empresa, onde a grande dimensão também significa potencial de poupança maior.  

A poupança mais imediata, e mais óbvia, tem a ver com a redução do número de máquinas usadas para cumprir um mesmo conjunto de funções. Reduzir o sub-aproveitamento de um servidor alocado a uma única aplicação vai resultar em menos máquinas, menos espaço ocupado e menor consumo energético. Tudo somado gera vantagens directas ao nível dos custos, para a empresa e para o meio ambiente, o que também é reconhecidamente uma preocupação crescente das organizações. Ao nível do espaço poupado, o indicador interessará sobretudo a quem mantém máquinas em regime de housing, pois será nesses casos que o impacto na factura é mais relevante. 

Contas fáceis de fazer
Mas as vantagens não se esgotam por aqui. «A máquina virtual pode ser facilmente replicada, logo, facilita e torna muito mais acessíveis os projectos de recuperação de desastres, por exemplo», aponta também Mário Pereira, solutions consultant da Dell, que vê até nesta característica um factor levado em linha de conta pelas empresas - nomeadamente as de média dimensão - para realizar investimentos nesta área. 

«Existem, depois, muitos outros parâmetros de economia, normalmente não tão facilmente auferíveis em termos financeiros imediatos, que têm a ver com uma muito maior facilidade de gestão: muito mais rápido aprovisionamento das máquinas, resposta muito mais ágil aos problemas de negócio ou adaptação automática da plataforma de acordo com as necessidades de processamento de cada aplicação», acrescenta.

Qualquer fornecedor de equipamentos ou soluções nesta área coloca à disposição do cliente ferramentas que permitirão fazer uma análise cuidada da ROI - Return on Investment – e do TCO (em português, custo total de propriedade) tendo em conta uma série de factores. Saltará sempre à vista a poupança energética possível por estar entre as mais fáceis de quantificar em euros. «Basta multiplicar o valor de consumo de cada máquina que se desliga pelo custo de cada watt. A somar a isto convém referir o valor do ar condicionado necessário para arrefecer as mesmas máquinas, numa relação muito próxima do 1 para 1 em termos de consumo. Ou seja, o valor energético poupado é quase o dobro do consumo das máquinas desligadas», detalha Mário Pereira da Dell. 

Embora os benefícios sejam significativos, e a vários níveis, os fabricantes reconhecem que deve haver cuidado por parte das empresas antes de avançar para projectos de virtualização. A solução não é adequada a todos os problemas e a preparação do investimento deve ser ponderada, dois pontos que colocam de acordo vários fabricantes, menos alinhados no que se refere aos tipos de virtualização com maior potencial.

«A virtualização é mais uma peça do puzzle. Por isso não se podem descurar as restantes soluções que completam uma arquitectura de sistemas. E existem mesmo muitos casos onde a virtualização nem deve ser considerada. Depende de muitos factores», alerta Gonçalo Botelho de Sousa da GFI.

Para Alexandre Silveira, director de marketing da área de PSG da HP, há sobretudo que ter em conta as diferenças no perfil de utilizadores entre organizações, elemento que considera crítico na avaliação do valor que a virtualização pode aportar ao negócio. Na sua perspectiva, «a virtualização pode fazer sentido em ambientes típicos de desktop: quando a percentagem de trabalhadores com portáteis é elevada, pode não ser a melhor solução. Há que considerar os custos de implementação do projecto, não só ao nível da infra-estrutura do datacenter, mas também dos clientes, da formação e das soluções aplicacionais», defende, considerando que uma opção errada a este nível pode ter impactos na produtividade dos colaboradores e no funcionamento normal da organização.

Alguns estudos apontam no mesmo sentido, quando revelam que muitas empresas não chegam a concretizar expectativas de previsões com os investimentos em virtualização, porque não souberam dirigir correctamente os seus investimentos ou, depois de os fazer, não os sabem gerir da melhor forma.   

Vítor Baptista GFI&ESouth Ionix TC manager da EMC também deixa o aviso: «Nem todas as aplicações ou ambientes são candidatos à virtualização, seja a nível de redes, servidores ou armazenamento.»

É por isso mesmo que, na sua opinião, sempre que a virtualização for considerada uma abordagem possível, numa estratégia de consolidação e optimização de recursos, o importante é que a empresa «antes de evoluir para uma adopção massificada, tenha um conhecimento actualizado e detalhado do ambiente, de forma a ser possível compreender onde aplicar a virtualização e como realizá-lo de forma planeada».

Escolhidas as áreas adequadas, o processo de contacto com estas tecnologias segue normalmente um rumo tipo. O ponto de partida, seja para a virtualização de servidores, armazenamento ou redes, faz-se por ambientes menos críticos, como ambientes de desenvolvimento ou testes, e só quando o grau de confiança nas tecnologias é mais elevado se dá o passo seguinte para aplicações de maior criticidade. Em todos os sectores se tem repetido o caminho, feito por um número crescente de organizações, embora alguns fornecedores arrisquem estimar que áreas como a banca ou a Administração Pública assumem alguma liderança de investimento no cenário nacional.

E é já após a fase de laboratório e quando a virtualização começa a assumir lugar de relevo na empresa, que surgem novos desafios, como a gestão dos ambientes virtualizados.

O aspecto nem sempre é correctamente avaliado durante o processo de implementação, mas deve ser tido em linha de conta por quem entra no mundo da virtualização. «A dinâmica introduzida pela virtualização resulta numa necessidade nova em termos de gestão, sobretudo associada à mobilidade e flexibilidade dos recursos virtualizados em relação às plataformas físicas», admite Vítor Baptista, da EMC. «Deve-se ter presente que as ferramentas tradicionais de gestão não foram desenvolvidas de forma a trabalhar em ambientes virtuais, sendo portanto pouco eficientes». Os fornecedores de soluções têm aqui um papel central no apoio e formação do cliente que, em muitos casos, está ainda longe de conseguir explorar o potencial das novas ferramentas. 

O futuro passa pela virtualização
Se não é expectável que todas as empresas avancem ao mesmo ritmo em todas as áreas para a virtualização não é, por outro lado, motivo para dúvidas que o caminho passa por aqui, para uma larga percentagem de organizações. O crescimento explosivo do volume de dados digitais que continuará nos próximos anos e as crescentes exigências de eficiência, mobilidade ou rentabilidade colocam a previsão ao alcance de qualquer um. Contribuirão para abrir caminho para a massificação das soluções de virtualização uma esperada descida dos preços associados, processos de implementação cada vez mais simples e evoluções tecnológicas que introduzirão melhorias ao nível do automatismo dos processos e aumentarão os rácios de consolidação, como antecipa Vítor Baptista da EMC.

«A cinco anos a virtualização será a área de TI com mais impacto nas organizações, que irá com certeza alterar a forma como se implementam, gerem e compram infra-estruturas TI. Um exemplo disso é o aparecimento de equipamentos desenhados para tirar o máximo partido da virtualização», defende João Almeida, especialista de sistemas da IBM Portugal.

Uma das áreas que nos próximos cinco anos sofrerá, sem grande margem para dúvidas, um franco desenvolvimento será virtualização do desktop (postos de trabalho), ainda a dar os primeiros passos.

Se no centro de dados Mário Pereira da Dell antecipa que será a nuvem o elemento central de evolução a permitir às empresas fazer «crescer a sua farm de virtualização independente da localização dos sistemas que fornecem os recursos, inclusive recorrendo a CPU e memória fornecidos por terceiros», na virtualização do desktop, o responsável acredita que aquilo que hoje ainda são pequenos exemplos isolados em alguns países vão tornar-se banais. «Já se começa a implementar em alguns países com muito sucesso, o conceito em que a empresa fornece ao seu empregado uma máquina virtual – por exemplo, uma pen USB de comunicações com a imagem da máquina incluída». A gestão física do equipamento passa para o lado do funcionário.

Os defensores da tendência sublinham que do lado da segurança, a virtualização do desktop tem a vantagem de passar a garantir que aplicações críticas e dados confidenciais da empresa passem a estar sempre protegidos no datacenter, prevenindo perdas de informação, cada vez mais prováveis com a mobilidade que os equipamentos portáteis, em franca expansão, vieram trazer ao manancial de informação que cada empresa tem disperso pelos seus colaboradores. Ao nível da gestão sublinha-se o potencial de mobilidade que um PC virtual dá a cada funcionário, com todas as suas definições e dados à distância de um login.   

É certo, por isso, que cada vez mais empresas irão procurar as vantagens inerentes à virtualização do desktop. E também há explicações para que isso ainda só aconteça de forma tímida.

O facto de estarem em causa alterações de hábitos e de todo o processo envolver directamente o utilizador final são aspectos que distinguem esta de outras vertentes da virtualização e que imprimem um ritmo mais lento à mudança.

Alexandre Silveira da HP elenca mais algumas nuances na virtualização do desktop, que na sua opinião também deixarão a tendência longe do top de investimentos das empresas portuguesas, pelo menos, já este ano. «Requer uma certa dimensão para ser viável e determinados perfis de utilizadores; nem todas as empresas médias/grandes têm ROI em implementar estas soluções e por outro lado são soluções com alguma complexidade na implementação, que introduzem algumas alterações significativas na organização das TI com custos indirectos de formação, por exemplo».

Mas há várias perspectivas mais optimistas. Gonçalo Sousa, da GFI, acredita que a possibilidade é interessante para «qualquer empresa que lide com mais de 50 desktops com um ambiente típico de escritório (Office, etc.). Só tem a beneficiar com a adopção de uma solução deste género. O que poupa em hardware, manutenção e sobrecarga de helpdesk nos próximos anos é demasiado expressivo para ser ignorado».

Mas para já, as implementações de desktop que acontecem no mercado português são sobretudo pequenas instalações em grandes empresas, como sublinha Fernando Rodriguez, vice-presidente da Citrix Systems Southern Europe. O responsável também não tem dúvidas relativamente ao potencial da tecnologia que, como recorda, de acordo com as estimativas dos analistas estará em mais de 60% dos desktop empresariais daqui a quatro anos. «Isto dá-nos uma ideia da importância desta revolução que estamos a viver», sublinha. Contudo, também ele defende que as empresas têm pela frente alguns desafios acrescidos na virtualização do desktop e deixa um alerta: «O maior erro que se pode ter na implementação desta tecnologia é considerar que a mesma deve ser tratada como a virtualização de servidores, relegando o utilizador para segundo plano ou considerando os mesmos exactamente iguais, como se processa no caso do VDI.»

 Três dicas dos especialistas

«Não percam o comboio tecnológico e valorizem as diversas soluções que o mercado oferece, implementando provas de conceito das diversas soluções, isto ao nível da virtualização de servidores de desktop», Fernando Rodriguez, vice-presidente da Citrix Systems Southern Europe 

«A virtualização de postos de trabalho é muito interessante também numa perspectiva de business continuity e disaster recovery», João Almeida, especialista de sistemas IBM Portugal

«Não existe um número óbvio [para a redução do consumo energético que resulta da adopção da virtualização] pelo simples facto de haver muitas parcelas na equação e porque cada caso é um caso», Alexandre Silveira, director de marketing da área de PSG da HP

 
 
 
 
 
     
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