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Semana Informática > Negócios > GFI Portugal procura mais rentabilidade
 
GFI Portugal procura mais rentabilidade
De
Semana nº 976 de 21 a 27 de Maio de 2010


 
José Henriques, country manager da GFI Portugal
Depois de fechar 2009 com um EBITDA de 1,8 milhões de euros, a empresa tem como grande desafio para o corrente exercício aumentar as vendas em 5% e melhorar os rácios de rentabilidade

A GFI Portugal encerrou 2009 com um crescimento de 0,5 por cento do seu volume de negócios, alcançando 31,11 milhões de euros. Em 2008, tinha atingido 30,96 milhões de euros. O EBITDA libertado pela empresa em 2009 manteve a mesma linha do ano anterior, com 1,8 milhões de euros registados.

José Henriques, country manager da GFI Portugal, refere que houve uma contracção bem visível nos mercados de actuação da empresa, tendo o negócio clássico da GFI, relacionado com a prestação de serviços de suporte e consultoria tecnológica, sofrido uma redução de 2,8 milhões de euros apenas em 2009. «No final do primeiro semestre de 2009, estávamos a registar um decréscimo de volume de negócios de 15% em relação ao ano anterior», revela o gestor. Por isso, «tivemos que implementar rapidamente um plano comercial diferente, com enfoque em vendas de produtos e licenças, ofertas de menor valor acrescentado, mas de reconhecimento imediato em termos de receita», avança José Henriques.


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 A estratégia delineada para ultrapassar a crise passou por alterar a força comercial, o portfolio e um conjunto de ofertas, de forma a incluir mais produtos ou soluções com ciclo de venda rápido.

O ano passado serviu ainda para a companhia realizar uma reestruturação, alinhando a organização por cinco sectores de actividade principais:  Administração Pública, Telecomunicações, Banca e Seguros, Saúde, Energia & Utilities). Esta alteração não interferiu com as quatro unidades de negócio que possui: a unidade de Business Solutions, que inclui ofertas de valor acrescentado, tais como CRM, ECM, BI, ERP; a unidade de Technologies, que abarca infra-estruturas e meios de pagamento; a unidade de Vertical Solutions, que tem alguns produtos específicos para necessidades verticais do mercado, por exemplo, Gestão de Escolas, Gestão das IPSS e Televisão Corporativa; e, por último, a unidade de Managed Services, que abrange os serviços de outsourcing e formação.

Crescimento nas unidades de negócio de Technologies e Business Solutions
Ao analisar o desempenho da companhia por unidades de negócio, constata-se que a unidade de Managed Services, com um volume de negócios de 15 milhões de euros, sofreu um decréscimo de 10% face a 2008, enquanto a unidade de Technologies, com um volume de 10 milhões, registou um crescimento de 15% face ao ano anterior. A outra unidade que também registou um aumento do volume de negócios foi a de Business Solutions, que finalizou o ano com 4 milhões de euros, o que se traduz por um crescimento de 4% face a 2008. Já a unidade de negócios Vertical Solutions fechou o exercício de 2009 com 2 milhões de euros, tendo mantido o volume de negócios face ao período homólogo.

A Administração Pública foi o sector mais activo, com projectos centrados essencialmente na desmaterialização de processos, na normalização e certificação ITIL e ISO 27000, virtualização, em suma na modernização da administração pública em geral. Na mesma linha realizaram-se alguns investimentos importantes no sector da saúde, com grandes apostas na modernização e melhoria dos serviços aos utentes. Por seu lado, o sector financeiro manteve-se estável, enquanto os investimentos nas telecomunicações, utilities e restantes sectores desaceleraram.

«O centro de competências nearshore que a GFI possui em Aveiro foi reestruturado de forma a estar mais adaptado às necessidades dos nossos projectos locais, em Portugal, e menos voltado para as necessidades do grupo», revela José Henriques, acrescentando que o grupo GFI decidiu apostar num grande centro de nearshore localizado em Casablanca, Marrocos, pelo que não fazia muito sentido posicionar Portugal como concorrente deste centro de desenvolvimento.

No entanto, o nearshore de Aveiro conta com uma equipa de 30 programadores Java e .Net. Questionado sobre a possibilidade de abrirem novos centros de competências no mercado nacional, o country manager foi peremptório: «De momento não, estamos a privilegiar serviços de proximidade.»

Melhorar a rentabilidade e crescer 5%
Para 2010, o objectivo da GFI em Portugal passa por «registar um crescimento de 5% no volume de vendas, aumentando a rentabilidade» da empresa, afirma José Henriques. A estratégia delineada para cumprir as metas propostas passa por aumentar a rentabilidade da subsidiária portuguesa face aos resultados apresentados em 2009. «Crescer em volume de negócios parece-me até ao momento algo que possamos alcançar sem reestruturar a empresa ou delinear uma estratégia diferente das dos anos anteriores», salienta o gestor português.

Apesar de a empresa contar com uma maior força comercial organizada por sectores, haverá novidades em 2010, nomeadamente, um novo sector dedicado aos transportes e serviços.

Para aumentar a rentabilidade, sem aumentar os preços de venda, José Henriques considera que a empresa terá de ser mais eficiente e ao mesmo tempo desenvolver soluções e serviços de maior valor acrescentado, sendo justamente nestes dois vectores que está a colocar o seu enfoque.

O Semana questionou ainda José Henriques sobre o papel e o trabalho que a associação Portugal Outsourcing está a desenvolver. O gestor garantiu que mantém alguma expectativa. «É importante colocar Portugal no mapa, como uma das melhores soluções para implementar centros de serviços e competências em modelos nearshore; temos que perceber isto e desenvolver uma força comum em conjunto com os maiores players de tecnologias de informação em Portugal», defendeu. No entender do executivo da GFI, «a Portugal Outsourcing poderá ser esse agregador e esse promotor da nossa marca e das nossas competências, uma vez que Portugal está à frente em competências; só necessitamos de ser reconhecidos como tal».

José Henriques espera que a Portugal Outsourcing não seja apenas mais uma associação de TI, porque entende que «já temos demasiadas em Portugal; aliás, o sector ganharia muito mais se houvesse consolidação de associações TI», defende o gestor.
 
 
 
 
 
     
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