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Informática > Estratégia > Modelo SaaS em expansão acelerada |
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Modelo SaaS em expansão acelerada
De
Fátima Caçador / Casa dos Bits
Semana nº 977 de 28 de Maio a 3 de Junho
de 2010
A oferta de software as a service está a crescer e o número de empresas que optam por este modelo de distribuição também. Condições técnicas mais favoráveis, confiança no fornecedor e redução de custos de 30% a 3 anos justificam a aposta
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Em vez de optarem pelo licenciamento tradicional, em modelo perpétuo, muitas empresas começam a levar em conta nos seus projectos o modelo de software as a service (SaaS), dispensando o investimento inicial em licenças e hardware e comprando serviços. A oferta está a crescer em diversas áreas. Depois de num momento inicial e-mail, colaboração e CRM serem mais procurados, há outras opções e esta é já uma aposta estratégica para muitas software-houses, mesmo que na maioria dos casos continuem a combinar-se modelos de distribuição tradicionais de software com o SaaS.
E poucos parecem duvidar do potencial deste modelo, mesmo que existam dúvidas quanto a uma adesão exponencial ou o alargamento a todo o tipo de empresas e diferentes aplicações. As previsões da IDC corroboram este optimismo, apontando para um crescimento da utilização de software disponibilizado pela Internet junto das empresas e consumidores em Portugal. A consultora estima que o investimento no mercado nacional em software como serviço deverá atingir os 17,6 milhões de euros em 2010, o que corresponde a um crescimento de 66% face a 2009, mas a tendência é para manter, já que a taxa composta de crescimento anual entre 2009 e 2013 está fixada nos 47,9%.
Se olharmos para o cloud computing ou os cloud services como um todo, integrando SaaS, platform-as-service e infrastructure-as-a-service, as expectativas do mercado são ainda mais elevadas, com a IDC a projectar investimentos a nível global de quase 33 mil milhões de euros em 2013, dinamizados pela procura crescente do mercado e por uma oferta de soluções cloud completas, tanto da parte dos fornecedores de tecnologias de informação como das operadoras de telecomunicações.
Gabriel Coimbra, research & consulting director da IDC Portugal, admite que a adesão das empresas continuará a focar-se sobretudo nas áreas que tradicionalmente já adoptavam estas soluções, nomeadamente nas aplicações de CRM, colaboração, e-mail e agenda.
Mas há outros sectores que estão a assumir maior peso, sobretudo na oferta para micro e pequenas e médias empresas, como as soluções de gestão, que têm dominado os anúncios de serviços SaaS mais recentes, com a entrada da PHC neste negócio e a parceria entre a SAP e a PT Prime para uma oferta conjunta.
Dados na nuvem
A maturidade da tecnologia, das infra-estruturas de comunicação e também a familiaridade das empresas e utilizadores com soluções baseadas em Web são factores que facilitam a adesão a este novo modelo de licenciamento de software, diametralmente oposto à compra de uma licença perpétua, ou pelo menos até a actualização tecnológica obrigar a um novo upgrade. Os gestores e os empregados estão cada vez mais habituados a aceder a informação “na nuvem”, o que acontece no e-mail, no homebanking e em aplicações de cariz mais pessoal, como alojamento de fotos e vídeos, que ajudam a retirar alguns preconceitos antigos em relação a ter toda a informação alojada dentro das máquinas da empresa.
O número de empresas com soluções de software como serviço está a crescer, e mesmo as que começaram com algumas aplicações e um público-alvo limitado já estão a estudar o alargamento a novas áreas e empresas de maior dimensão.
É o caso da Microsoft, que tem feito uma aposta clara nesta área e tem hoje uma oferta vasta de soluções no modelo de SaaS, disponibilizada directamente através do Microsoft Online Services e de parceiros dedicados aos serviços de hosting. Sikander Jamal, Small & Mid-Market Business manager na Microsoft Portugal, admite que apesar de a Microsoft ter lançado o Online Services o ano passado, este modelo já existia através de Parceiros Hosted, e adianta que «esta tem sido uma oferta crucial, em particular para o segmento das PME».
Este ano, a expectativa é de que a adesão às soluções SaaS continue a crescer de forma acentuada, sobretudo devido à conjuntura económico-financeira, que obriga a reduções de custos também nas tecnologias de informação. E este interesse percepcionado nos clientes é acompanhado de novos produtos, estando já na calha o lançamento do Office Web Apps e do CRM Online.
Pequeno é o tamanho certo?
A maioria das ofertas que já estão no mercado tem como alvo as PME. Mas como se traça a linha de separação do tipo de empresas que pode ter interesse no modelo SaaS? A dispensa do investimento inicial pode parecer mais atractiva às pequenas e médias empresas, que têm mais dificuldade em fazer investimento e não possuem os recursos humanos especializados para gerir infra-estruturas complexas, no entanto, estes argumentos também se aplicam a companhias de maior dimensão, que procuram reduzir custos e externalizar áreas não críticas.
«O limite é traçado essencialmente pela necessidade, nível e complexidade de integração com outros sistemas», define Gonçalo Caeiro, CEO da Infosistema, que acredita que plataformas que exigem uma elevada integração e volume de dados transferidos não são boas candidatas para SaaS, pelo menos por enquanto.
Alexandre Alves, CEO da Seamlink, empresa que abraçou integralmente o modelo SaaS, acredita que os benefícios são sempre mais evidentes para as PME, materializando-se na flexibilidade de acesso em qualquer lado do mundo e em múltiplas plataformas e a não preocupação com custos e gestão de infra-estruturas. O corolário poderá ainda ser o facto de o custo global da solução ser proporcional ao evoluir do negócio, já que depende do número de utilizadores e do volume de informação gerida. «Para grandes empresas, dado que já possuem os recursos humanos e recursos físicos para ter soluções on site, os factores anteriores podem não ser tão determinantes», reconhece.
A notoriedade que nesta fase as soluções para micro e pequenas empresas têm tido é natural para Eduarda Azevedo, directora de Marketing da PHC Software, mas esta responsável acredita que o SaaS é um modelo que se adapta a clientes de todas as dimensões e está já a preparar uma nova oferta noutros segmentos. A visão é partilhada por Armindo Lobo, services head manager da Primavera BSS, que acredita na coexistência dos SaaS com licenciamento tradicional para acomodar todas as necessidades das empresas. «Dependendo da complexidade e especificidade da empresa, esta poderá optar pelo modelo que considera mais adequado aos seus processos de negócio», explica, embora sublinhando que a tendência será o fortalecimento das soluções SaaS
Em sentido contrário, Rui Nogueira, manager responsável pelo segmento de mid market da Sage, admite que, tal como está definido actualmente, o SaaS não pode ser aplicado em todos os casos. «Estamos sempre a falar de modelos de gestão muito próximos de um standard, com a possibilidade de alguma parametrização específica. No entanto, este modelo terá que pressupor uma capacidade de adaptação das organizações a um modelo de gestão pré-definido». Este será por isso o limite de aplicação de soluções de software como serviço.
Entraves culturais
A redução de custos é uma das bandeiras com que as empresas acenam nas soluções SaaS, mas o cálculo das poupanças pode não ser tão linear como parece. A maioria dos cálculos aponta para reduções de 30% do custo total de posse da aplicação (com hardware e recursos humanos de suporte) no espaço de três anos. Os valores, contudo, podem ir mais longe e as contas da Microsoft, tomando como exemplo uma empresa com 250 utilizadores, estimam que as poupanças possam ser superiores a 60%, quando se compara uma implementação de uma solução baseada no Microsoft Exchange 2007 nas instalações versus uma solução Microsoft Exchange Online, adianta Sikander Jamal.
Num cenário a cinco anos, a IDC estimou para a Primavera BSS uma redução do custo total de propriedade (TCO) entre os 27 e os 55%, entrando nos cálculos os custos de instalação, gestão e manutenção do software de gestão empresarial Primavera durante cinco anos de utilização da solução.
Eduarda Azevedo, da PHC, soma aos factores puramente financeiros as vantagens da segurança e confiança que o modelo SaaS pode trazer. «O cliente deixa de se preocupar com a instalação, a manutenção, a segurança, a confidencialidade e os backups do software, pois tudo será responsabilidade do fornecedor, que assegurará que o software esteja sempre disponível e se mantenha totalmente seguro», explica.
Mas é nesta área, da segurança e privacidade dos dados, que persiste ainda um dos grandes entraves à adopção do SaaS, reconhecido pelos vários players contactados pelo Semana. A maioria dos gestores tem alguma dificuldade em entregar informação crítica do seu negócio a parceiros, exigindo uma relação de confiança que nem sempre está criada. É verdade que a profusão de soluções na nuvem ajuda culturalmente a uma adaptação, mas que está ainda pouco generalizada no tecido económico, constituído maioritariamente por PME de gestão familiar.
Carlos Pinho, managing director da Esinow, acredita que a percepção das empresas está mais madura mas que é preciso provar que a informação, estando fora em datacenter e com todos os requisitos de segurança, está mais segura do que dentro da empresa.
«Parece-nos pouco provável que uma PME venha ter a capacidade de obter este nível de segurança e serviço aos preços hoje disponibilizados pela Microsoft, que consegue efeito de escala», reforça Sikander Jamal. E por isso a confiança é de que gradualmente as empresas se vão apercebendo que o facto de os dados não estarem alojados nos seus servidores pode também ser mais uma vantagem a somar às outras já alinhadas a favor do SaaS.
Raul Oliveira, CEO da iPortalMais, não tem dúvidas em afirmar que o SaaS estará, num futuro próximo, nas aplicações críticas das pequenas e grandes empresas, conquistando também espaço nas soluções que precisem de arrancar rapidamente nas de maior dimensão, embora neste caso deva ficar de fora das áreas mais relevantes para o negócio.
A prazo, a maior familiaridade com o modelo, e sobretudo a esperada inexistência de casos de fuga de informação, espionagem e falhas no fornecimento de serviços em SaaS, irá contribuir para solidificar a confiança neste modelo, contribuindo para a sua massificação. |
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