Samsung Portugal regressa aos portáteis com meta ambiciosa
De
Semana nº 986 de 29 de Julho a 5 de Agosto de 2010
| |
 |
|
Nuno Cunha, director da área de negócio de portáteis da Samsung Portugal |
|
A empresa quer obter uma quota de mercado de 5%. Este objectivo implica vender cerca de 50 mil máquinas e alcançar um volume de negócios na ordem dos 16 milhões de euros
Em 2006, a Samsung retirou do mercado a oferta de portáteis, mas agora reviu a sua estratégia e decidiu voltar a investir nesta área. Entre os motivos evocados para o regresso dos portáteis da Samsung ao mercado nacional está a maior convergência entre plataformas e dispositivos, uma situação que fez com que a empresa apostasse no desenvolvimento da sua área de negócio de portáteis a nível global, e Portugal não escapa à regra.
No entanto, o interregno desta área de negócio teve como consequência a perda do período de ouro da venda de portáteis no nosso país. Entre 2007 e 2009, houve uma massificação dos portáteis quer através dos programas governamentais associados às novas oportunidades, quer através dos programas e-Escola e e-Escolinha (Magalhães). Estes programas tiveram ainda um efeito catalizador junto do mercado originando também um aumento das vendas através dos canais tradicionais. Em 2007, comercializaram-se em Portugal cerca de 600 mil portáteis; um ano depois esse número chegou aos 1,33 milhões de unidades; em 2009 esse valor foi de 1,486 milhões.
A estes programas e iniciativas há ainda que acrescentar o aparecimento dos netbooks e a corrida que se verificou a estes equipamentos no final de 2008 e ao longo do ano passado.
Os resultados relativos ao primeiro trimestre de 2010 indicam que entre Janeiro e Março de deste ano se venderam quase 241 mil unidades, uma queda de 45,9% face ao primeiro trimestre de 2009. Neste período, a Samsung alcançou uma quota de mercado de 2,4 por cento, traduzida na comercialização de 7100 unidade. Os dados preliminares do IDC EMEA PC Tracker – Q2 2010 referentes ao mercado português indicam que a Samsung alcançou uma quota de mercado de 2,2%, ocupando a nona posição do ranking dos maiores fabricantes de portáteis em Portugal.
O Semana falou com Nuno Cunha, director da área de negócio de portáteis da Samsung Portugal, para saber os motivos do regresso dos portáteis ao mercado nacional e para saber qual a estratégia delineada para alcançar uma quota de mercado de 5% este ano, o equivale a cerca de 50 mil máquinas e a um volume de negócios na ordem dos 16 milhões de euros, objectivo que Nuno Cunha traçou para o corrente ano.
Semana Informática – Que motivo leva a Samsung a entrar na área dos portáteis quando o mercado está em contraciclo?
Nuno Cunha – O mercado de PC não está em contraciclo; até está a crescer. Se compararmos com os números absolutos do ano passado, temos efectivamente uma queda associada à redução dos projectos e iniciativas do governo E-escolas e E-escolinhas, mas, se compararmos os números do restante mercado em vendas normais, constata-se que o mercado até cresceu, pouco, mas cresceu.
S.I. – Qual é a média do mercado nacional de PC?
N.C. – Anda à volta de um milhão de máquinas, um milhão e cem mil máquinas.
S.I. – Porquê entrar outra vez nesta área?
N.C. – Endereçamos esta área de negócio devido à consolidação da marca em termos globais, o que nos obriga a estar presentes neste negócio em Portugal no seguimento da própria estratégia que a casa-mãe estipulou para a companhia, onde os computadores portáteis assumem um papel estratégico no desenvolvimento e evolução da Samsung.
S.I. – Em que sentido?
N.C. – Foi decidido que toda a divisão de computadores e de impressão é estratégica e um driver de crescimento nestes próximos tempos. Os desenvolvimentos de futuros produtos da companhia apontam para que todo o portfolio se interligue, para que os produtos falem uns com os outros, e ao comunicarem uns com os outros, necessariamente, o PC passa a ser um ponto nevrálgico da convergência. É onde as pessoas possuem os seus dados, onde os arquivam e onde partilham conteúdos. O computador continua a ser um centro de informação e partilha em termos de toda a convergência que está a surgir.
S.I. – Esse não é um papel que os smartphones estão a começar a assumir?
N.C. – Os smartphones são produtos com um crescimento exponencial e são também produtos cada vez mais utilizados para aceder à Internet. Cada vez mais somos consumidores que queremos estar permanentemente ligados e a partilhar informação. Temos necessidade de aceder, de enviar e de comunicar através de todos esses dispositivos, mas acredito que os computadores – e em especial os portáteis – vão ser o cerne da questão. Todos os produtos vão sempre ter o PC como base de partilha.
Vender 50 mil máquinas
S.I. – Sendo que este um mercado vale sensivelmente um milhão de máquinas, que fatia deste bolo é que a Samsung quer?
N.C. – A nossa estratégia passa por estar entre os cinco primeiros fabricantes de vendas e isso traduz-se, no mínimo, na venda de cerca de 50 mil máquinas, o que corresponde sensivelmente a 5% do mercado. Esse é o nosso objectivo para este ano, e é para alcançar esse objectivo que estamos a desenvolver o nosso trabalho.
S.I. – Cinquenta mil máquinas corresponde a um volume de negócio de quanto?
N.C. – São cerca de 16 milhões de euros.
S.I. – Como se alcançam estes 5% do mercado?
N.C. – Com produtos que apresentem alguma diferenciação e analisando o mercado; percebendo onde estão as oportunidades de negócio disponíveis para que possamos crescer.
S.I. – Qual é esse grau de diferenciação? Refere-se aos preços dos produtos e às margens do canal ou está a falar em diferenciação tecnológica, que cada vez é menor entre os fabricantes?
N.C. – Penso que os três grandes vectores tecnológicos onde assentam as nossas diferenças daquilo que são as especificações técnicas dos produtos são o design, a autonomia dos produtos e a leveza dos equipamentos. Nestes três pontos somos mais fortes que a nossa concorrência nos segmentos directos, e temos produtos nos mesmos patamares de níveis com maior autonomia e mais leves que os dos nossos concorrentes.
S.I. – A Samsung é uma marca conhecida. Este aspecto é fundamental para alcançar os ambiciosos objectivos traçados para este ano?
N.C. – Sem dúvida, e temos os objectivos ambiciosos que uma empresa global como a Samsung impõe. Queremos ser um dos principais fabricantes de PC nos próximos anos. Este ano estamos um pouco atrás desse alinhamento, mas queremos rapidamente chegar a esse patamar. Vamos lutar por posições cimeiras neste mercado.
S.I. – O que é que entende por posições cimeiras quando o objectivo deste ano é estar entre as cinco marcas de portáteis mais vendidas em Portugal?
N.C. – Uma posição cimeira é sempre dentro dos três primeiros fabricantes.
S.I. – A partir de 2011?
N.C. – Não.Acredito que este é um objectivo que pode ser atingido dentro de dois ou três anos. Estamos a crescer acima do previsto e acredito que podemos chegar lá tão ou mais rapidamente do que é expectável.
S.I. – Está prevista a entrada da sua área de negócio no segmento empresarial?
N.C. – Estamos a fazer todo este lançamento da nossa marca em Portugal através do mercado de consumo, mas vamos ter rapidamente, e quando digo rapidamente é ainda este trimestre, uma oferta para o mercado empresarial. Estamos à espera de produtos que estão a ser lançados a nível global e vamos também lançar esses novos equipamentos em Portugal.
Mercado empresarial com maior visibilidade em 2011
S.I. – Das 50 mil máquinas que estima vender este ano, o que corresponde ao consumo e ao empresarial?
N.C. – Para este ano, efectivamente, o grosso do negócio vai assentar no mercado de consumo. A grande fatia desse volume vai ser feita no consumo. O segmento empresarial é um mercado que precisa de mais expressão, de uma sustentação maior e de uma oferta de serviços maior, gradualmente introduzida com o tempo. Este será o ano de introdução no negócio empresarial. Penso que a partir do próximo ano é que o negócio empresarial começará a ter uma maior expressão.
S.I. – Como é que se entra no mercado empresarial?
N.C. – Com os produtos certos e com os parceiros certos.
S.I. – E quem são os parceiros certos? Já têm os parceiros adequados ou ainda estão a recrutá-los?
N.C. – Estamos a definir parcerias com várias entidades que actuam nesse mercado específico. Vamos ter uma rede de parceiros a nível nacional. Presentemente, acredito que serão cerca de 100 parceiros distribuídos por todo o território, desde os pequenos aos maiores parceiros que trabalham nesta área de negócio.
S.I. – Destes 100 já conta com quantos parceiros?
N.C. – Destes 100 estamos neste momento a discutir com eles e a apresentar a nossa oferta de produtos. Já temos alguns projectos específicos, mas ainda estamos a cerca de 30% desse recrutamento. O estabelecimento do canal é um objectivo até ao final do ano.
Um segmento que soube conquistar o seu espaço
S.I. – Os netbooks estão a prejudicar as vendas de portáteis?
N.C. – Não, penso que não. As pessoas já identificaram perfeitamente o que é um netbook e para que serve. Se calhar, houve uma fase em que as pessoas identificavam o netbook como o seu computador, e isso não é a realidade. O netbook tem definições específicas. Genericamente funciona como um segundo equipamento que serve para levar e partilhar informação, aceder à Internet e trabalhar. São máquinas que não são para um uso total. Tem um segmento bem definido de utilizadores que, para além da sua máquina principal, gosta de ter um equipamento móvel e de poder circular com a sua informação.
S.I. – É um mercado ainda em crescimento?
N.C. – É um mercado ainda muito interessante e que neste momento está maduro. Já passou aquele pico de crescimento exponencial, mas é um segmento de produto que conquistou o seu espaço e que vai continuar a ter uma importância na globalidade deste mercado. |