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nfsi diversifica oferta de negócio
De
Semana nº 986 de 29 de Julho a 5 de Agosto de 2010


 
Nuno Vieira, director-geral e técnico da nfsi telecom
A empresa está a lançar novos serviços destinados ao sector empresarial, como os managed services, as comunicações dedicadas e o aluguer de infra-estruturas para SaaS. O objectivo é fechar o exercício de 2010 com um volume de negócios de 3,5 milhões de euros

A nfsi telecom é um Internet Service Provider (ISP), com o seu data center alocado no Prior Velho, nas instalações da Telvent, que está no mercado há 11 anos e possui 650 clientes e 1500 servidores. O ano transacto foi «complicado por causa da crise», admite Nuno Vieira, director-geral e director técnico, referindo que a empresa perdeu entre 50 e 60 clientes de pequena dimensão, companhias particularmente afectadas pela crise.  

Mesmo assim, a nfsi telecom arregaçou as mangas e foi ao mercado encontrar novas oportunidades comerciais para colmatar a perda de clientes. Os números da nfsi relativos a 2009 demonstram um ligeiro crescimento face a 2008, tendo encerrado o ano fiscal com um volume de negócios de 2,6 milhões de euros.


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Para o director-geral, o ano transacto foi de consolidação da empresa e, grosso modo, considera que foi «um ano positivo, porque iniciou-se um processo de arrumação da casa que será concluído este ano». Apesar do cenário conturbado e da instabilidade causada pela saída de clientes, a empresa realizou importantes investimentos, nomeadamente, no reforço da sua rede e na abertura de datacenters no Porto e em Madrid.

O objectivo destes dois espaços foi completar a oferta já existente. O centro de dados da Cidade Invicta serviu para satisfazer os pedidos dos clientes sedeados no Norte que não queriam colocar os seus equipamentos em Lisboa; enquanto o caso do datacenter da capital espanhola foi para endereçar uma oferta de disaster recovery.

«A ideia foi ter um local com cesso a soluções de backup offsite; Madrid não é muito longe, mas é o suficiente para ser considerada uma alternativa. Paralelamente, o segundo objectivo do pop de Madrid foi a fortificação da rede», avança Nuno Vieira.

Em Lisboa, a empresa gera 7 gigabytes de tráfego, sendo que 3,5 a 4 gigas são entregues via GigaPix, uma plataforma de nível 1 e 2 (físico e de ligação) da Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN) que permite a troca de tráfego IP entre redes que utilizem este protocolo. O GigaPix permite melhorar a qualidade da interligação das redes IP presentes em Portugal ao evitar a utilização de recursos internacionais para trânsito de pacotes IP com origem e destino em Portugal.

Neste caso, Nuno Vieira diz que metade do tráfego que passa pelo GigaPix é gerada pela rede da nfsi. Outro dos motivos pelos quais a empresa abriu o centro de dados em Madrid foi para poder interligar a rede da nfsi ao ESpanix, a plataforma que em Espanha desempenha a mesma função que o GigaPix em Portugal.

O nosso interlocutor salienta que foi a primeira empresa portuguesa a integrar o Espanix, uma situação que possibilita à nfsi ter acesso a 80 por cento das redes espanholas. Isto permite que «o tráfego da rede da nfsi não sai da Península Ibérica e não vai, tipicamente, a Londres, a Paris ou qualquer coisa desse género, o que resulta numa melhor performance e numa melhor latência da rede», explica Nuno Vieira.

O facto de ter entrado no ESpanix permitiu à nfsi ganhar alguma notoriedade junto de empresas espanholas que começaram a perguntar pelos serviços prestados pelo ISP português porque estavam interessadas em enviar tráfego para Portugal, conta o director-geral e técnico da empresa. Nuno Vieira reconhece que a nfsi possui um ADN demasiado tecnológico, mas que isso começou a ser timidamente invertido em 2007, com uma postura comercial um pouco mais aguerrida e com a realização de diversas campanhas de marketing orientadas para determinados nichos de mercado.

Percalços de percurso
Para além dos investimentos realizados na abertura dos datacenters do Porto e de Madrid, assim como na renovação de parte das máquinas do centro de dados que se encontra na Telvent, a empresa investiu bastante dinheiro em aplicações. Em Março do ano passado, anunciou o lançamento da marca Rackspot, um novo produto com a garantia nfsi, com o qual pretendia redefinir o conceito de hosting em servidores dedicados. O produto acabou por não ver a luz do dia porque houve um problema com a aplicação que gere toda a infra-estrutura e com o software de gestão que a companhia tinha.

Nuno Vieira explica que «o software de gestão de processos foi desenvolvido inhouse e permite controlar tecnicamente todas as máquinas, os IP e os recursos de software que existem em cada partição. Esta aplicação comunicaria com o software de gestão através de webservices para que este lançasse as facturas relativas aos serviços que os clientes usufruíram, mas tal não aconteceu». Perante esta situação os responsáveis da nfsi decidiram deixar de trabalhar com essa aplicação de gestão e procuraram no mercado uma solução que correspondesse a esta necessidade específica. Foi então que se cruzaram com uma solução norte-americana que é utilizada por muitos centros de dados nos Estados Unidos da América.

«Em Fevereiro do ano passado, avançámos para esta aplicação e rapidamente percebemos que o produto correspondia às necessidades técnicas e comerciais mas não às questões fiscais», conta Nuno Vieira. Na altura da venda do produto foi referenciado que a aplicação estava adaptada às normas europeias, «mas, infelizmente, constatámos que esse não era o caso e acabámos por gastar dinheiro e por perder o time to market do lançamento do Rackspot, que, nessa altura, era dentro de 15 dias», recorda.

Perante este cenário, a nfsi decidiu adiar o lançamento do serviço e procurar de forma mais assertiva uma aplicação de gestão que respondesse a todos os requisitos que precisava. Em Setembro de 2009, começou a implementação do SAP Business One.

As perdas directas relacionadas com as trocas das aplicações de gestão rondaram os 50 mil euros mas, pior do que isso, diz Nuno Vieira, «foi o facto de a empresa ter perdido a capacidade de crescer mais do que aquilo que reportou em 2009, caso o serviço Rackspot estivesse operacional».

Rackspot e o SaaS
Uma vez finalizado o processo de implementação do software de gestão e a sua correcta integração com aplicação que a nfsi utilizava para gerir os seus processos, a empresa disponibilizou em Maio passado o Rackspot. Na prática, trata-se de um serviço que permite às empresas escolher a configuração técnica da máquina que pretendem utilizar assim como o software que querem utilizar. O utilizador paga uma mensalidade por esse serviço, e no prazo de uma hora tem uma máquina física aprovisionada e a trabalhar; se for uma máquina virtual, o processo demora só alguns minutos.

Este serviço vai permitir ainda à nfsi aparecer no mercado como uma solução de marca branca que presta a infra-estrutura tecnológica que suporta diversos serviços de Software as a Service (SaaS) junto de um conjunto de hosters de pequena dimensão que desejem colocar as suas aplicações, nomeadamente soluções de anti-spam, Exchange ou CRM, na infra-estrutura da nfsi. Este serviço permite que essas empresas mantenham a sua marca e que acedam a uma plataforma de billing totalmente automatizada e será comercializado no último trimestre de 2010.

O director-geral refere que a nfsi que não vai olhar apenas para o mercado interno. A prova disso é que o site onde se comercializa este género de serviços encontra-se em três línguas – português, espanhol e inglês.

No decorrer deste ano, a empresa vai endereçar também serviços para as grandes contas. «Já temos clientes como a TAP ou a Editorial Leya, e diversos municípios, sobretudo da região do Porto, para além das câmaras de Portimão e de Óbidos», informa Nuno Vieira, acrescentando que os serviços prestados não se limitam ao datacenter, pois, também integram soluções de acesso empresarial: «Neste momento, em Lisboa, temos cerca de 20 edifícios ligados com fibra óptica própria ou partilhada com outros operadores, onde fornecemos acesso à Internet de banda larga com velocidades simétricas que podem ir ao gigabite», conclui Nuno Vieira.
 
 
 
 
 
     
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